Expectativa do mercado é de corte moderado na Selic
O mercado financeiro entra nesta terça-feira, 28 de abril, com uma expectativa praticamente consolidada: o Banco Central do Brasil deve iniciar ou dar continuidade ao ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, com um corte de 0,25 ponto percentual.

Caso confirmado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa deve recuar para a faixa de 14,50% ao ano, ainda em um patamar elevado, refletindo a estratégia de cautela adotada pela autoridade monetária.
Analistas de bancos e consultorias apontam que o movimento marca o início de uma flexibilização monetária, porém sem espaço para aceleração no curto prazo.
Inflação perde força, mas segue acima da meta
Do lado dos preços, o cenário mostra sinais mistos. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, veio abaixo das expectativas mais recentes, indicando um alívio pontual.
Ainda assim, a inflação anual segue projetada entre 4,3% e 4,7% em 2026, acima da meta central de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.
Entre os principais fatores de pressão permanecem:
- Combustíveis, influenciados pelo cenário internacional
- Alimentos, com impacto direto no orçamento das famílias
- Custos de transporte
Esse conjunto mantém o Banco Central em posição de vigilância, evitando cortes mais agressivos nos juros.
Tendência para o próximo trimestre: queda lenta e controlada
Para os próximos três meses, a sinalização do mercado é clara:
Cortes graduais de 0,25 ponto por reunião
Selic podendo atingir algo entre 13,75% e 14% até meados do trimestre
A leitura predominante entre analistas é que o ciclo de queda será mais longo e conservador do que o inicialmente esperado no início do ano.
Fatores de risco no radar
O cenário ainda carrega incertezas relevantes que podem alterar o ritmo da política monetária:
- Tensões geopolíticas e impacto no petróleo
- Oscilações nos preços de energia e combustíveis
- Ritmo da atividade econômica interna
- Comunicação e postura do Banco Central
Além disso, o crescimento econômico projetado mais moderado reforça a necessidade de estímulos, mas sem comprometer o controle inflacionário.
Impactos para empresas e consumidores
A manutenção de juros elevados, mesmo em trajetória de queda, traz efeitos diretos para a economia real:
Para as empresas:
- Crédito ainda caro
- Decisões de investimento mais cautelosas
- Planejamento financeiro mais conservador
Para os consumidores:
- Financiamentos com custo elevado
- Consumo moderado
- Maior seletividade nas compras
Por outro lado, o início do ciclo de queda já sinaliza melhora gradual do ambiente econômico, especialmente para setores sensíveis ao crédito, como varejo e mercado imobiliário.
Início de um ciclo, mas sem euforia
O cenário desta “superterça” reforça uma mensagem clara do mercado:
Os juros começaram a cair, mas sem espaço para pressa
A inflação continua sendo o principal limitador
A condução da política monetária em 2026 deverá seguir baseada no equilíbrio entre estímulo à economia e controle de preços.
No curto prazo, a palavra-chave permanece: prudência.
Portal Economia & Negócios — Informação que gera decisão.



