O especialista em tributação, Fabrício Tonegutti, elenca dicas valiosos para declarar corretamente.
A Receita Federal já recebeu mais de 16 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026. Até o último domingo, dia 26, 16.093.257 declarações tinham sido enviadas. Do total de declarações enviadas, 60,2% utilizaram a opção pré-preenchida. O prazo de entrega da declaração começou no dia 23 de março, e terminará em 29 de maio. A expectativa é de que 44 milhões de declarações sejam entregues até o final do prazo. Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, a declaração pré-preenchida avançou bastante nos últimos anos, mas faz um alerta.

“Segundo a própria Receita, 60,5% das declarações entregues até 14 de abril foram pré-preenchidas. Isso ajuda muito. Mas aqui entra a complicação da história: pré-preenchida não é declaração automática. Ela reduz erro, mas não elimina erro. Porque os dados vêm de terceiros. Então, se a empresa, o banco, o médico ou a fonte pagadora informaram algo errado, ou se o contribuinte não confere, o problema continua existindo”, pontua o diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo.
A Receita tem esse ranking, e ele é muito útil porque mostra que a malha fina, na maior parte das vezes, não nasce de fraude mirabolante. Ela nasce de erro comum. Os quatro principais motivos oficiais de retenção são: despesas médicas, com 32,6%; omissão de rendimentos, com 30,8%; outras deduções, com 16%; e diferença no imposto retido na fonte, com 15,1%.

O especialista explica porque as despesas médicas tendem dar alteração no Imposto de Renda. “Porque é uma área em que o contribuinte costuma errar muito no detalhe. Lança valor errado, informa uma despesa que não é dedutível, inclui algo sem comprovante suficiente ou se esquece de descontar o reembolso do plano. E saúde pesa muito porque é uma dedução sensível para a Receita. É a despesa que pode gerar o maior impacto na dedução do imposto a pagar!
Então, as pessoas tendem a lançar tudo, mas tem despesa que não é dedutível! Por exemplo, gastos com vacina, nutricionista, enfermeiro, etc, são até gastos com saúde, mas não são dedutíveis do imposto de renda! O jeito de evitar é simples na teoria, mas exige disciplina: declarar só o que foi efetivamente pago, conferir recibo por recibo e não confiar cegamente no que já veio carregado no sistema”, resalta Tonegutti.
Já sobre a omissão de rendimentos, Fabrício avisa: “aqui mora uma armadilha clássica: a pessoa lembra do emprego principal, mas esquece outra renda. Pode ser aluguel, estágio, aposentadoria, um freela, uma pensão, uma aplicação, ou até o rendimento do dependente. E esse detalhe do dependente é decisivo: se ele entra na declaração, os rendimentos dele entram junto também. É muito comum quem comprou e vendeu ações ou Fundos de Investimento Imobiliários terem problema por não declarar a renda que teve com essas operações!”, pontua.
O diretor da Mix Fiscal esclarece o que entra na categoria ‘outras deduções’. “Entra um conjunto de tropeços muito comuns: dependente declarado em lugar errado, gasto com educação fora da regra, pensão alimentícia preenchida incorretamente, dedução sem documento e até escolha errada entre desconto simplificado e deduções legais. Muita gente tenta “montar” a declaração achando que vai pagar menos, quando o melhor caminho é usar o sistema a seu favor. O programa compara os modelos e mostra qual é o mais vantajoso”, esclarece.
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Tonegutti, ainda, elenca cinco dicas rápidas para o cidadão declarar melhor e fugir da malha fina:
- Use a pré-preenchida, mas confira tudo.
- Reúna todos os informes antes de transmitir.
- Revise com muita atenção despesas médicas e rendimentos de dependentes, e consulte o Manual do Meu Imposto de Renda, disponibilizado pela Receita Federal na Internet.
- Compare o simplificado com as deduções legais antes de enviar.
- Se surgir pendência, cheque antes de sair retificando.
Sobre Fabrício Tonegutti:
Diretor executivo da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo, Fabrício Tonegutti é especializado em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Reconhecido como um dos principais especialistas do setor, Tonegutti já prestou consultoria e serviços para mais de 10 mil supermercados em todo o Brasil, desenvolvendo soluções para otimização de processos e aumento da lucratividade.



