Por Alexandre Fereira
O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …
Artigo nº 010 – 25/09/25 – Este é um tema que não podemos ignorar quando o assunto é encontrar a perfeita harmonia entra o que comemos e que bebemos.
Existem alguns critérios básicos, que, uma vez observados, conseguimos identificar facilmente que tipo de vinho usar para um casamento perfeito, ressaltando notas e sabores, como se um terceiro sabor surgisse da união de ambos. Além desse terceiro sabor – fruto da harmonização – fala-se muito em umami atualmente.
Ao contrário, também há que se ter cuidado para que uma escolha inapropriada não se transforme numa experiência ruim, ou mesmo, intragável, desincentivando a arte de degustar.
É verdade. Não observar determinadas características contidas em alguns ingredientes, poderá impactar diretamente na experiência. Alguns alimentos, além de difíceis de harmonizar, podem causar sabores desagradáveis, na medida em que podem acentuar sabores, ou, simplesmente, neutralizar o vinho pela diferença de estrutura entre este e prato.
A máxima de que peixe acompanha brancos, e carnes, tintos, não prevalecem como verdades irrefutáveis.
Vamos desvendar esses segredos …
Quem Criou a Harmonização?
Uma Breve História
Origem Antiga:
Gregos e romanos já combinavam vinhos com alimentos, mas de forma intuitiva (ex.: vinhos resinosos com carnes gordurosas).
A ideia de “harmonização técnica” surgiu na França do século XIX, ligada à haute cuisine.
Algumas figuras importantes no mundo da gastronomia e do vinho, contribuíram direta ou indiretamente para os princípios da harmonização:
Auguste Escoffier popularizou os “cinco molhos-mãe” e padronizou o sistema de organização de cozinhas através da brigada de cozinha em seu livro “Le Guide Culinaires” (1903), que é um marco da culinária profissional.
“Os cinco molhos-mãe, base da culinária francesa, são:
Béchamel:
Um molho branco feito de roux (manteiga e farinha) e leite, temperado com noz-moscada. É a base para molhos de queijo, mornay e outros.
Velouté:
Semelhante ao béchamel, mas utiliza um caldo claro (de frango, peixe ou vitela) em vez de leite, espessado com um roux claro. Serve como base para diversos molhos, como o de champignon.
Espagnole:
Um molho rico e escuro, feito com um roux escuro, caldo de carne (geralmente de vitela ou boi) e mirepoix (cenoura, cebola e aipo). É a base para molhos como o demi-glace.
Holandês (Hollandaise):
Um molho emulsionado e cremoso, feito com gemas de ovo, manteiga clarificada, suco de limão ou vinagre e pimenta. É famoso por acompanhar pratos como ovos beneditinos.
Molho de Tomate:
Uma preparação simples, mas fundamental, à base de tomates, que pode ser enriquecida com aromáticos como cebola, alho e ervas.
Dominar esses molhos é essencial para chefs e entusiastas da culinária, pois a partir deles é possível criar uma vasta variedade de molhos derivados.” Fonte: site Gastrovinoacademy
André Simon (escritor e enófilo): Fundador da International Wine & Food Society (1933), deu um grande contributo para o tema. Veja quem foi:
“André Simon (28 de fevereiro de 1877 – 5 de setembro de 1970) foi um comerciante de vinhos francês , gourmet e escritor prolífico sobre vinhos. Hugh Johnson o descreve como “o líder carismático do comércio de vinhos inglês durante quase toda a primeira metade do século XX, e o grande conhecedor letrado por mais 20 anos”. [ 1 ]
Biografia
Simon nasceu em Saint-Germain-des-Prés , no 6º arrondissement de Paris, França. [ 1 ] Aos 17 anos, foi enviado para Southampton, Inglaterra, para aprender inglês, [ 1 ] onde conheceu Edith Symons, com quem se casou em 1900. [ 2 ] (…).
Dois anos depois, ele se tornou o agente londrino da casa de champanhe Pommery & Greno , com sede em 24 Mark Lane. [ 1 ] Em quatro anos, ele descobriu seu talento para escrever, com The History of the Champagne Trade in England publicado em parcelas na Wine Trade Review . [ 1 ] Em 1908 criou com amigos o Wine Trade Club, organizando degustações e palestras técnicas que prenunciaram o Instituto de Mestres do Vinho 45 anos depois. [ 1 ]
Tudo isso chegou ao fim na guerra de 1914–18, que o viu passar quatro anos na Artilharia Francesa, primeiro como carteiro regimental e depois como oficial de ligação com os britânicos. [ 1 ] (…) Em 1919, ele comprou duas casas, 6 Evelyn Mansions perto da Estação Victoria e Little Hedgecourt, em Felbridge , Surrey . [ 1 ] (—) No entanto, em 20 de setembro de 1931, a Grã-Bretanha saiu do padrão-ouro, a libra esterlina caiu em relação ao franco francês e Simon se viu incapaz de pagar Pommery por suas ações. Pommery encerrou sumariamente sua associação em 30 de novembro de 1932. [ 2 ]
Em 23 de outubro de 1931, Simon e um grupo de amigos realizaram um jantar em homenagem ao professor George Saintsbury , autor do clássico Notes on a Cellar Book . [ 2 ] Embora o professor aposentado não quisesse ter nada a ver com eles, essa reunião se transformou no Saintsbury Club, que continua até hoje. [ 2 ] Um dos presentes era AJA Symons (sem parentesco com a esposa de Simon), um diletante no ramo editorial que Simon conheceu alguns anos antes. [ 2 ] Em 20 de outubro de 1933, os dois fundaram a Wine & Food Society, com Simon como presidente (e editor do jornal da sociedade, Wine and Food ), e Symons como secretário cuidando do lado comercial. [ 2 ] A sociedade realizou seu primeiro banquete no Savoy em janeiro de 1934. [ 3 ] Com o fim da Lei Seca nos Estados Unidos em 1933, Simon fez sua primeira viagem à América do Norte no ano seguinte. Em 11 de dezembro de 1934, ele fundou na cidade de Nova York uma filial do que se tornaria a International Wine & Food Society, e filiais nos Estados Unidos, Austrália e África do Sul logo seguiram. [ 3 ] Seu grande amigo Symons morreu de hemorragia cerebral em 26 de agosto de 1941, e Simon assumiu o controle da Sociedade a partir desse ponto. [ 2 ] Ele cedeu o controle do jornal para a Condé Nast Publications em 1962. A edição da primavera de 1963 foi a primeira sob seu novo editor, um ex-redator da Vogue chamado Hugh Johnson . [ 4 ]
André Simon morreu em 1970. [ 1 ] Ele acreditava que “um homem morre muito jovem se deixar vinho em sua adega”; havia apenas duas garrafas magnum de clarete restantes em sua adega pessoal quando morreu. [ 5 ] No que seria seu 100º aniversário em 1977, 400 convidados se reuniram no Savoy para beber em sua memória com o Château Latour 1945 que ele havia deixado para a ocasião. [ 1 ] Apesar de viver na Inglaterra a maior parte de sua vida, ele permaneceu um cidadão francês [ 1 ] e foi um Officier de la Légion d’Honneur, bem como um CBE . [ 5 ] fonte: wikipedia”
Evolução Contemporânea:
Nos anos 1980, sommeliers como Tim Hanni (EUA) desafiaram regras rígidas, introduzindo a harmonização sensorial (foco no paladar individual).
Artigo extraído da Revista de vinhos, de autoria da cronista Debra Meiburg, MW, nos dá conta de quão é complexo o tema quando se trata de harmonização.
Correntes contemporâneas sinalizam outros “ingredientes” que estão fora da taça ou do prato, mas que podem influenciar e completar a experiência, como por exemplo: cores, ambientes, sons, etc..
Veja:
“Festim para os sentidos
O prazer do vinho é uma experiência sensorial total – e subjetiva – não apenas conduzida pelo gosto.
A prova de vinho não é feita com o propósito de se transformar um exercício académico, mas existe toda uma ciência por trás do que influencia as nossas experiências de degustação. O gosto é persuadido por todos os sentidos – não apenas o paladar e o olfato, mas também pelo som, visão e tacto. Imagine que está a relaxar num sofá confortável numa sala VIP, o P-Diddy a disparar pelos altifalantes, todos banhados numa iluminação vermelha sexy. É apenas impressão, ou aquele Pinot tem um sabor mais agradável do que o habitual? A mente absorve todas as pistas do ambiente e isso informa o paladar.
Em 2014, o neurocientista cognitivo Charles Spence, da Universidade de Oxford, conduziu um estudo psicológico que descobriu que a cor e o som podem afetar em 10% o gosto das pessoas. O Campo Viejo Colour Lab revelou que a iluminação vermelha realça as notas mais frutadas do vinho, enquanto a luz verde destaca a frescura. O som e a música também podem influenciar o gosto. A música clássica pode levar as pessoas a classificarem um vinho como mais caro e a música etnicamente apropriada pode ajudar a destacar a tipicidade do vinho. A música descontraída motiva as pessoas a comer e beber mais, incentivando os clientes a permanecerem mais tempo, enquanto a música alta aumenta a velocidade de mastigação e faz-nos comer mais rápido – um truque que alguns restaurantes usam para incentivar uma maior rotatividade de mesas durante a hora de almoço. A lição é que o prazer do vinho é uma experiência sensorial total – e subjetiva – não apenas conduzida pelo gosto.
A harmonização de comida e vinhos foi alvo de controvérsia recente quando Tim Hanni, chefe profissional e Master of Wine baseado nos Estados Unidos, referiu que a ideia do emparelhamento perfeito de vinhos é absurda, alegando que é “arrogante” e faz com que muitos consumidores “sintam-se estúpidos”. Hanni também argumentou que a combinação de comida e vinho não tem qualquer potencial na China.
Especialistas em vinho e sommeliers comentaram no portal da revista The Drinks Business (https://www.thedrinksbusiness.com/2019/02/tim-hanni-mw-food-and-wine-pairing-is-bullshit/) que é possível elevar a experiência de comida e vinho com a combinação certa. A maioria dos sommeliers reconhece que a cozinha asiática, com as suas inúmeras especiarias, temperos, molhos e condimentos, representa uma camada adicional de desafio, mas insistem que é possível conseguir boas harmonizações e são uma parte crítica do conjunto de ferramentas usadas para converter e educar os consumidores. Sete anos de experiência enquanto júri da categoria de harmonização do Hong Kong Wine and Spirit Competition (HKIWSC) mudaram progressivamente noções preconcebidas sobre quais vinhos combinam melhor com a gastronomia. Inegavelmente, é o molho – e não a proteína -, o fator norteador em muitas maridagens asiáticas.
“Como o vinho é relativamente novo para muitos asiáticos, estes têm medo de experimentar. Acredito firmemente que, para aumentar a cultura do vinho na Ásia, devemos educar as pessoas sobre como combinar a cozinha local com o vinho”, disse Nikhil Agarwal, sommelier da Índia e CEO da agência de marketing e consultoria All Things Nice. Entre as harmonizações preferidas de Agarwal conta-se o Vada Pao – um bolinho de batata frito picante servido dentro de um pão – com um Viognier e Chardonnay do Languedoc. “Adoro combinar comida indiana com vinhos de todo o mundo. A gastronomia tem muito a oferecer. Gosto especialmente de combinar pratos hiperlocais com vinhos estrangeiros”.
Agarwal também obteve resultados positivos com um jantar vínico que combinava comida tailandesa – notoriamente difícil de harmonizar devido às suas complexas conjugações de sabores – com vinhos indianos. E recomenda que os eventos de harmonização sejam relacionados entre si, por exemplo com comida de rua ou iguarias regionais. O muito aromático Biryani com rosés levemente secos ou Kebabs carbonizados com tintos tânicos de corpo médio a encorpado funcionam bem.
Marie-Paule Herman refere que uma outra abordagem ao introduzir novos vinhos num mercado previamente desconhecido passa por criar associações étnicas entre vinho, comida, cultura, música e arte. Herman é sommelier da Maximal Concepts, que opera alguns dos restaurantes mais populares e exclusivos de Hong Kong, incluindo o requintado restaurante chinês Mott 32. “Países como Portugal e Geórgia beneficiariam caso mostrassem não apenas os seus vinhos, mas também o estilo de vida dos seus cidadãos através da música, comida e artes ”, disse. Herman disse que o Riesling é o vinho mais indicado para emparelhar com a cozinha asiática. “Toda a comida asiática combina bem com Riesling – vinhos secos com pratos salgados e estilos secos com pratos picantes”.
Admite, no entanto, que as refeições partilhadas ao estilo de banquete típicas da Ásia dificultam a harmonização, embora não considere que os sommeliers devam desistir completamente do ‘pairing’. “Existem certos tipos de vinhos e alimentos que os hóspedes nunca imaginariam que combinassem bem. Por exemplo, uma combinação com Jerez pode alterar completamente a experiência de degustação. Provei um prato de cogumelos com aipo e trufas emparelhado com Oloroso que foi fantástico, e o Manzanilla combina muito bem com caranguejo frito e alho”. Apesar dos desafios, Herman referiu que os menus de degustação, a harmonização de vinhos e os jantares vínicos são ótimas maneiras de apresentar aos consumidores novos vinhos, castas e estilos. “Aprendem e desfrutam ao mesmo tempo. Para um sommelier, é a melhor sensação quando os convidados voltam e perguntam especialmente por nós, porque lhes ensinamos algo novo”.
James Teng, head sommelier da The Middle House Shanghai, concorda que a comida rica em umami combina bem com Jerez, Saké e vinho de arroz chinês e diz que a comida que tem um “efeito refrescante” no corpo, como o caranguejo, requer o “efeito de aquecimento” do álcool para equilibrar o Yin e Yang do corpo. No geral, porém, considera que o emparelhamento entre comida e vinho é uma ideia “importada do Oeste” que não parece verosímil na Ásia. “Para muitos locais, a combinação entre comida e vinho é um artifício. Os menus de degustação funcionam melhor em restaurantes que servem gastronomia europeia ou em locais onde os pratos são servidos um a um, como nos restaurantes franceses, mas creio que não funciona nos restaurantes chineses”. Uma tendência de harmonização que Teng acredita resultar na China é a de disponibilizar rótulos reconhecidos em jantares de negócios, onde os anfitriões procuram obter “reconhecimento” ao servirem vinhos caros aos clientes e convidados.
Paul Eun, wine manager do restaurante Mayfield Hotel e Nakwon, na Coreia do Sul, referiu que a cultura do vinho está a desenvolver-se a vários níveis: Champagne e espumantes estão a ganhar espaço ao whisky nos clubes noturnos e discotecas, enquanto a cultura do vinho é incentivada diariamente pela venda de vinhos acessíveis nos supermercados. Eun acredita que, na Coreia, o vinho pode ser combinado com as estações, o clima e o género, com marcas como “gentleman’s wine”, por exemplo.
A harmonização “deve ser vista como parte do estilo de vida. Fui certa vez servido de Champagne durante uma experiência de compra numa loja de luxo em Hong Kong, o que achei uma ideia muito fresca”. Outra tendência de emparelhamento na Coreia do Sul é o apoio a celebridades, com vinhos associados a empresários e desportistas, visando o ganho de notoriedade, como o presidente do grupo Samsung, Lee, ou o famoso jogador de golfe Se-ri Park. Mas a harmonização entre comida e vinho tem potencial para expandir ainda mais o mercado de vinhos da Coreia do Sul, disse Eun. “Os coreanos são amantes de carne. A carne marinada e o churrasco coreano acompanham tintos tânicos e combinam bem com variedades como a Touriga Nacional”. A carne marinada precisa de vinho tinto estruturado para suportar a proteína e o sabor dos pratos coreanos, pesados, com molho de soja, acrescentou. “O lançamento do guia Michelin Seul aumentou o interesse nos prazeres gastronómicos e acredito que degustar menus com vinhos tornar-se-á cada vez mais popular na Coreia do Sul”, disse. Eun sugere a oferta de menus mistos de degustação que incluam tanto vinhos como soju (bebida popular na Coreia, com alto teor de álcool) para apresentar o vinho aos sul-coreanos que ainda não estão familiarizados.
À medida que os asiáticos amantes de comida e vinho tornam-se mais sofisticados nas suas escolhas, a promessa de um especialista em harmonizações já não é suficiente para atraí-los para eventos ou jantares. Agora, procuram experiências combinadas que juntem comida, vinho, decoração, entretenimento, artes e cultura, que possam compartilhar com amigos e publicar nas redes sociais. O truque para vingar na Ásia é não ficar preso às regras e convenções das harmonizações. Em vez disso, esqueça as regras, estimule todos os sentidos e ‘embrulhe’ a experiência com elementos complementares.”
Dentre os princípios Básicos da harmonização estão buscar o equilíbrio entre o peso e intensidade.
Ou seja, a estrutura do prato com teor elevado de gordura, vai exigir um vinho igualmente estruturado, para fazer o papel adstringente das corduras.
Identificada estrutura, a acidez, a intensidade dos molhos, os temperos e ingredientes, essa reunião nos dará um norte a seguir.
No mapa da harmonização, ou seguimos o princípio da semelhança, ou seguimos o princípio do contraste.
O Mito do “Mapa da Língua”
O mapa da língua, que atribui regiões específicas para a percepção de cada sabor (doce, salgado, azedo e amargo), é um mito científico que já foi quebrado. Essa ideia equivocada surgiu de uma má interpretação de um estudo alemão de 1901 e foi desmentida pela ciência moderna. A teoria moderna explica que a percepção gustativa é um processo muito mais complexo e integrado.
“A origem do mito do mapa da língua
Tudo não passou de um erro de comunicação que perdurou por vários anos. O professor Spence diz que “foi um erro de tradução do texto do alemão David Hänig de 1901”. Na ocasião, Hänig demonstrou que as diferentes regiões da língua são mais ou menos sensíveis a determinados estímulos. Existia alguma variação na forma em que os estímulos eram registrados em toda a região do órgão.
O problema foi que na publicação ele inseriu um gráfico de suas medidas, que mostrava a mudança relativa da sensibilidade (e não especificidade) para cada gosto de um ponto a outro. Isso deu a entender que diferentes partes da língua eram responsáveis por detectar gostos diferentes, em vez de mostrar que algumas regiões eram levemente mais sensíveis a alguns gostos do que a outros.
A percepção do gosto
Cada papila tem uma estrutura em camadas, semelhante a uma cebola, classificadas anatomicamente em diferentes tipos (…)
A percepção dos gostos começa quando os receptores das papilas gustativas detectam determinados compostos químicos. Cada uma dessas papilas apresenta um ou mais botões gustativos. Essa estrutura ainda apresenta em torno de 100 células que funcionam como receptores gustativos.
Ao primeiro contato do composto com o receptor, este logo traduz o sinal que chega à célula, e esse sinal é transmitido para a região cerebral conhecida como córtex gustativo. Esse mecanismo (generalizado é claro!) é válido para a percepção de todos os gostos.
Com o avanço da neurociência, conseguimos entender como ocorre a percepção dos gostos em sistemas mais simples, como soluções aquosas de um ou poucos compostos. Porém o professor Spence destaca que os mecanismos de detecção do gosto são muito dinâmicos e complexos, que envolvem não apenas a resposta dos receptores da língua aos componentes do gosto, mas depende do movimento da língua, da experiência de cada indivíduo, da composição da saliva etc.” Fonte: site perfectdailygrind
A teoria da desmitificação das áreas determinadas da língua na identificação dos sentidos gustativos
“Ao contrário do que se imagina, a língua humana não possui regiões específicas que identificam separadamente cada um dos cinco gostos básicos do paladar — doce, salgado, ácido, amargo e umami. Pelo menos é o que defende o suplemento, veiculado recentemente na revista britânica Nature, uma das mais renomadas publicações científicas do mundo.
Segundo um dos artigos publicados, toda a superfície da língua é capaz de identificar os cinco gostos, independente de sua localização. Isso porque a língua possui receptores que estão presentes nas papilas gustativas, que por sua vez estão espalhadas por toda a língua.
O primeiro indício a mostrar que o mapa da língua não passava de um mito, aconteceu em 1931, quando o químico americano Arthur Fox, deixou escapar acidentalmente, em um experimento, uma nuvem do composto orgânico feniltiocarbamida. Um colega de trabalho que estava próximo relatou que a substância possuía um gosto amargo. Fox, por outro lado, não conseguiu identificar a sensação descrita pelo colega. Após alguns testes, o químico percebeu que a percepção gustativa dos gostos estava intimamente ligada às características genéticas de cada pessoa, fato comprovado pelo geneticista Lawrance H. Snyder.
As descobertas de Fox e Snyder deram início a uma série de outros estudos. As pesquisas evoluíram, mas só após 70 anos os cientistas conseguiram identificar os mecanismos específicos de cada um dos cinco gostos básicos: amargo (2002); doce (2002); Umami (mGluR em 2000 e TR1 e TR3, em 2002); ácido (2006); e salgado (2010) “Cada papila gustativa, possui receptores ou canais iônicos, pelos quais desencadeiam diferentes tipos de mecanismos para os cinco gostos básicos. Além disso, cada indivíduo pode sentir os gostos, cada um de sua maneira, pois depende de sua característica genética. Por esse motivo, pode-se dizer que não existe um padrão específico para todos os humanos, o que desmistifica o antigo mapa da língua”, finaliza Hellen.
GOSTO UMAMI
O gosto Umami é o quinto gosto básico do paladar humano e foi descoberto em 1908 pelo químico japonês Kikunae Ikeda. Porém, só foi reconhecido pela comunidade científica em 2000, quando pesquisadores da universidade de Miami encontraram receptores específicos nas papilas gustativas. O aminoácido glutamato, e os nucleotídeos inosinato e guanilato são as principais substâncias que proporcionam o Umami. Queijo parmesão, tomate, cogumelos e carnes em geral são os alimentos que têm estas substâncias em grande proporção, e por isso possuem o quinto gosto de forma mais acentuada. As duas principais características do Umami são o aumento da salivação e a continuidade do gosto por alguns minutos após a ingestão do alimento. Fonte: PortalUmami
Os desafios da harmonização. Alimentos “vilão” que tornam “difícil” o matrimônio perfeito com os vinhos. Como Harmonizá-los?
Os alimentos e ingredientes mais difíceis de harmonizar com vinho incluem:
Aspargos; peixes defumados; alcachofras; ovos; legumes frescos; alimentos com alto teor de açúcar ou gordura
(como chocolates e sorvetes); pratos com molhos à base de vinagre; e alimentos picantes,
pois eles podem mascarar o sabor do vinho, deixar o vinho amargo ou ácido, ou causar um desequilíbrio geral na harmonização.
Aspargos: Devido à sua textura fibrosa e sabor amendoado, eles podem sobrepor-se a muitos vinhos.
Alcachofras: Podem deixar os vinhos doces ou metalizados, interferindo no sabor do vinho.
Ovos: A combinação difícil de ficar perfeita, pois o sabor do ovo é forte e é igualmente difícil de complementar o vinho.
Peixes Defumados: O sabor de fumaça pode ser muito intenso, cobrindo e tornando o vinho insípido.
Legumes Frescos: Seus sucos verdes, acidez e sabores resinosos tornam a harmonização difícil.
Alimentos com Alto Açúcar ou Gordura: Sorvetes e muitos doces, como o chocolate, possuem açúcares e gorduras que podem mascarar a sutileza do vinho ou fazer com que este pareça mais amargo e ácido, segundo a Wine Folly e GastroVinoAcademy.
Vinagre: A acidez do vinagre pode ocultar o sabor do vinho, especialmente vinhos tintos.
Alimentos Picantes: O álcool do vinho pode intensificar a picância, levando a um desconforto na boca.
Por que são difíceis de harmonizar?
Interação de Sabores: Certos componentes dos alimentos, como a acidez, amargor, umami, doçura ou salinidade, podem reagir de forma desagradável com os taninos, acidez ou outros componentes do vinho.
Sobrecarga do Paladar: Alimentos com sabores muito fortes ou texturas complexas podem simplesmente ofuscar a sutileza do vinho, tornando difícil a experiência gustativa.
Como as Notas do Vinho Indicam a Harmonização?
As notas (aromas e sabores) de um vinho são como um “mapa de navegação” para a harmonização. Elas revelam características que podem complementar ou contrastar com os elementos do prato.
Conclusão: Notas São Pistas, Não Regras!
Já temos noção da amplitude da variedade de ingredientes e aspectos que contribuem para uma harmonização perfeita. Apenas um artigo não é suficiente para exaurir o tema.
Encontrar a “Alma Gêmea” vínica é um exercício sem fim na vastidão de possibilidades, frente a variedade de uvas e rótulos existentes. Por vezes, variam dentro da mesma espécie, a depender da localização geográfica onde são produzidos.
Para esse exercício de percepção, são criadas experiências para que o público possa vivenciar o casamento perfeito entre sabores e sentidos.
No dia 04/10/25, o Farinatta Bistrô em Búzios fará um jantar harmonizado, onde a Chef Elô Ramos receberá outros Chefs convidados para um menu especialmente pensado para encontrar “maridage” com os vinhos produzidos pela Finca Ambrosia, para que os comensais possam viver essas experiências na prática!
A seleção dos vinhos feita pelo Alexandre Ferreira …
Interessados devem enviar um e-mail para: reservas@farinatta.com.br para verificar disponibilidade (vagas limitadas), ao custo de R$ 770.00 por pessoa (jantar e vinhos, somente Pix no ato da reserva).
Não fique de fora!
O sucesso de uma harmonização ideal depende de muitos fatores, até mesmo variando de pessoa a pessoa. A melhor maneira é testar na prática para entender a diferença quando há casamento perfeito ou divórcio !!!
Viva, saúde! Até a próxima semana.
Alexandre Ferreira
Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas” do portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Wine Store; curador de vinhos….
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