sábado, março 7

Revolução, ilusão ou moda passageira? O impacto nas receitas do Setor.

Olá, diletos comensais, vamos ao nosso mergulho semanal no mundo vínico, com mais um tema que, ao mesmo tempo que é inovador, também provoca e impressiona pelos números já registrados atualmente.

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No artigo anterior, exploramos e abordamos a jornada milenar da origem do vinho, o processo evolutivo ao longo dos anos, as diversas formas de se produzir, e chegamos a questão de vinhos sem álcool.

A título de curiosidade, para se ter uma dimensão do tamanho do segmento de vinhos (todas as categorias), exemplifica-se:

“O mercado global de vinhos movimenta US$ 364 Bilhões de dólares (Statista, 2025)”.

“O Brasil é o 5º maior produtor do Hemisfério Sul, com faturamento de R$ 15 Bi/ano (Ibravin)”.

“Ásia consome 40% do vinho mundial até 2030”.

Feito esse pequeno introito, passamos a falar de vinhos sem álcool.

Em números:

“vinhos desalcoolizados custam 30% mais para produzir, mas vende por 200% a mais. (Winepedia)”

“setor cresce 120% ao ano, mas representa apenas 2% do mercado global.”

Alguns produtores atentos às mudanças de hábitos de consumo já se preparam para não ficar “de fora” da nova onda, ao que parece, nem tão passageira. Não se sabe ao certo por quanto tempo durará.

A chegada de novas gerações cria hábitos completamente novos. É preciso se manter no mercado, criando produtos que consigam continuar a atravessar essas gerações, tanto para continuidade da existência das empresas, como agradar ao novo consumidor.

O tema ainda parece novo aqui no Brasil -que começa a consumir vinhos com mais frequência-, mas produtores dos E.U.A. já criam vinhos sem álcool há algum tempo. O mercado divide opiniões entre puristas e inovadores. Será esta a próxima revolução do Setor, ou apenas uma bolha prestes a estourar?

Crescimento explosivo

Mercado em ebulição:

– Mercado Global de vinhos sem álcool: US$ 2,3 bilhões em 2025, com CAGR de 14% até 2030 (fonte: Allied Market Research)”.

CAGR: Compaud Annual Growth Rate (taxa de Crescimento Anual Composta).

O que significa?

É a taxa de crescimento anual de um mercado de investimento ao longo de um período, considerando o efeito dos juros compostos (juros sobre juros).

Ou seja, por exemplo, se o mercado crescer 14% ao ano, de forma consistente, ele atingirá US$ 4.4 Bilhões em 2030.

Ex.: (fórmula: US$ 2.30 bi x (1+0.14)5 = US$ 4.4 Bi.

Por que usar a referência CAGR?

Suaviza altos e baixos: mostra um crescimento “médio” estável, mesmo que o mercado tenha oscilações anuais.

O CAGR dos vinhos sem álcool é quase 3 x maior que o do mercado de vinhos tradicionais (5% ao ano), segundo a Wine Business Monthly.

Mercado de vinhos sem álcool vs. Mercado de vinhos tradicional:

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Ano/vinhos tradicionais (US$ bi)/vinhos sem álcool (US$ bi):

2020/340/1.1

2025/364/2.3

2030/420/4.4

No período de 2018/2023, temos:

Categoria:           CAGR:

Vinhos tradicionais:     1.3% ao ano

      Obs.: mercado maduro, crescimento lento-

Vinhos sem álcool: 15% ao ano

Obs.: Alto crescimento devido a tendências de saúde e bem-estar.

Fatores relevantes:

Vinhos sem álcool:

  • Impulsionado por saúde, geração Z, e regulamentações contra o álcool.
  • Base menor: Um CAGR alto não significa volume equivalente ao tradicional.

Vinhos tradicionais:

  • Estagnação em mercados maduros (Europa), mas crescimento em Ásia e mercados Premium.

CAGR de vinhos tradicionais 2018/2023:

CAGR Global: 0.5% ao ano.

Motivos:

  • Estagnação em mercados maduros (Europa: França, Itália, Espanha).
  • Crescimento moderado em mercados emergentes (Ásia, especialmente China).
  • Impacto da pandemia (queda de 2020-2021) e recuperação lenta.

Fontes: dados da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) e IWSR Drinks Markets Analysis.

CAGR mercados de vinhos sem álcool (2018/2023):

Motivos:

  • tendências de saúde e “mindful drinking” (consumo consciente).
  • Inovação em processos de desalcoolização (tecnologia de spinning cone).
  • Demanda de jovens Geração Z e gestantes.

Destaques regionais: Europa: CAGR 15-20% (Reino Unido e Alemanha Lideram).

EUA. CAGR.: Boom de marcas como Ariel e Fre.

Fontes: Euromonitor, Mintel e Grand View Research.

Fatores explicativos:

Vinhos tradicionais:

Desafios: envelhecimento da base de consumidores na Europa, impostos sobre álcool, concorrência com outras bebidas (cerveja artesanal e outras bebidas).

Oportunidades: mercados  Premium (vinhos de alto valor) e crescimento na Ásia.

Vinhos sem álcool:

Impulsionadores: bem-estar, regulamentação antiálcool (ex.: Irã, países Islâmicos), e avanços tecnológicos que preservam o sabor.

Riscos: Base de mercado pequena (menos de 1% do mercado tradicional) e percepção de qualidade.

EUA., lideram com 45% das vendas, seguidas por Alemanha (20%) e Reino Unido (15%).

Destaque: ”Better Rhodes (EUA), maior plataforma de vinhos sem álcool, faturou US$ 15 milhões em 2024.“

Perfil de Consumidor:

– 62% são millenials (25-40 anos), preocupados com a saúde e sustentabilidade (Pesquisa: NielsenIQ).

Millenials: A geração que está reformulando o mercado. Quem São?

Período de nascimento: 1981 a 1996 (idade entre 29 e 44 anos em 2025).

Marcos Históricos: Cresceram com a ascensão da internet, crises econômicas (ex.: 2008) e revolução digital.

Apelido: “Geração Y (sucedem a geração X e antecedem a geração Z).

Por que são importantes para o mercado de vinhos?

  1. consumo consciente:

priorizam marcas alinhadas a sustentabilidade (ex.: vinícolas carbono neutro).

  • Experiência: – posse:

Valorizam enoturismo e eventos imersivos.

  • Saúde e bem-estar:

Impulsionam mercados como vinhos sem álcool (+62% dos compradores são millenials).

  • Digitalização:

85% descobrem novos vinhos via redes sociais (Instagram e outras).

No contexto dos vinhos sem álcool, os millenials são público-chave:

58% deles já reduziram o consumo de álcool nos 3 últimos anos (pesquisa GlobalData, 2025).

Preferem rótulos com storytelling autêntico (ex.: vinho que preserva o terroir, não o álcool).

– 40% dos compradores são mulheres gestantes ou em tratamento médico.

MOTIVAÇÃO: 70% Buscam reduzir o consumo de álcool sem perder o prazer.

Vinícolas com produtos destinados aos consumidores Millenials:

  1. Infinite Monkey Theorem (Denver, Colorado, EUA.), vinhedos urbanos.

Destaque: vinhos enlatados, rótulos irreverentes.

Engajamento millenials: eventos com DJs em vinhedos urbanos;

Presença agressiva no Tik Tok

  • Avondale (África do Sul)
    Local: Paarl, Cabo Ocidental.
    Destaque: Primeira vinícola biodinâmica da África do Sul, com selo vegano.
    Engajamento Millennial:
    Tour “Da Uva ao NFT” (rastreamento blockchain).
    Instagram com filtros AR (@avondalewines).

  • Château Maris (França)
    Local: Languedoc.
    Destaque: Construída com cânhamo (carbono negativo), vinhos naturais.
    Engajamento Millennial:
    Parceria com app de yoga para degustações online.
    Hashtag #WineForChange no TikTok.
  • Vinícola Millennial do Brasil: Miolo Seival (RS) 🇧🇷
    Local: Campanha Gaúcha (fronteira com Uruguai).
    Destaque: Linha “Seival” (Tannat e Merlot) com rótulos modernos e QR codes para rastreamento.
    Engajamento Millennial:
    Experiência “Vinícola na Web3” (metaverso com degustação virtual).
    Parceria com Glossier Rio para eventos “Wine & Beauty“.
    Instagram: @mioloseival

    Campo Largo (PR) 🇧🇷
    Destaque: Primeira vinícola do Brasil a lançar vinhos sem álcool (linha “Zero Mais”).

Por Que Essas Marcas se Destacam?
Transparência Radical: QR codes com dados de produção

 (ex.: pegada hídrica).
Experiências Digitais: NFTs, metaverso, apps interativos.
Propósito Além do Lucro: Sustentabilidade e inclusão (ex.: Avondale emprega 60% mulheres em cargos técnicos).

“vinho do futuro não é só líquido na garrafa – é uma experiência que começa no clique e termina na taça.”

Desafios econômicos:

– Custos de produção 30% mais altos que vinhos tradicionais tecnologia de desalcoolização).

– Margem de lucro 18% (vs. 25% dos vinhos convencionais).

Investimentos bilionários:

A marca francesa Pierre Chavin, fundada em 2016, líder em vinhos sem álcool e desalcoolizados (linha 0% álcool).

Destaques: tecnologia de desalcoolização que preserva aroma e sabor.

Em 2022, foi adquirida pelo grupo Espanhol Iberian Wine Merchant Company (IWMC), segundo a revista Wine Business International e o portal Vinetur.

– A Startup Inglesa Noughty pertencente foi criada em 2020 para produzir  espumantes sem álcool premium.

Diferenciais: Foco em produtos orgânicos, veganos e de baixa caloria.

Crescimento: expandiu para mercados como EUA., Austrália e Emirados Árabes.

A Distell (2021) comprou s Sul-Africana (vinhos e destilados) por US$ 2.5 Bilhões.

Pioneiros no Setor –

Inovações na taça:

Ariel Vineyards (EUA): primeira vinícola sem álcool (1986), usa destilação à vácuo.

Leitz (Alemanha): espumante Eins Zwei Zero ganhou medalha de ouro no IWC 2024.

Tecnologia em Foco:

– Osmose reversa: filtra álcool sem perder aroma (usada pela Vinícola Campos de Cima, Brasil).

Blockchain: Rastreia uvas para garantir “pureza 0%” (ex. Better Rhodes).

Case Nacional:

Vinícola Campos de Cima (Serra Gaúcha/RS.): investiu R$ 1.5 milhão em tanques de osmose reversa em 2023.

Crescimento: 200% em vendas no primeiro semestre 2025.

Estratégia: Parceria com redes de farmácia e clínicas de estética público health-conscious.

Enquanto vinhos sem álcool conquistam – millenials, outra revolução se aproxima: os “vinhos digitais”. No próximo artigo exploraremos como NFTs e Blockchain estão transformando garrafas em ativos globais. Será que garrafas virtuais terão o mesmo valor que os investidores a pagaram por algumas garrafas físicas, como por exemplo, “US$ 156.000,00 mil por uma garrafa de Chateau Lafite 1787, vendida em 1985, vendida em um leilão da Christie’s em Londres, estabelecendo um recorde na época. Fala-se que esta garrafa não foi aberta ou consumida devido a dúvidas sobre sua autenticidade.

E para finalizar, o Surgeon General dos EUA. emitiu um alerta público, 1981, sobre os riscos de álcool na gestação, o que aumentou a conscientização sobre o tema.

A vinícola americana Ariel, primeira a produzir vinho sem álcool dos EUA. hoje, estima-se um faturamento anual em torno de US$ 5/10 milhões/ano. Modesto, se comparado com as concorrentes (2023):

Fre (E.&J. Gallo) 200-300 milhões

Sovi (Canadá) 50-80 milhões.

A história revela como algumas restrições podem fomentar inovações lucrativas.

E você caro leitor, já experimentou vinho sem álcool?

Viva, sáude! Até a próxima semana.

Alexandre Ferreira,

Founder na Farinatta Wine Store, curador de vinhos.

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“Aprecie com moderação.”

“Proibida venda e consumo a menores de 18 anos.”

“Não dirija se beber.”

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