Por Alexandre Ferreira
O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …
ARTIGO/COLUNA 014 – 23/10/25
Falar de vinho é prazeroso, assim como degustá-lo, visitar vinhedos, conhecer a história das famílias.
Falar de Portugal, Porto e Douro, para mim é muito especial, pois, além de minha origem materna ser o Porto, que me garantiu cidadania, foi lá que iniciei minha incursão no mundo do vinho. Foi lá que vivi e vivenciei experiências, criei laços de amizades e aprendizados que ficarão para sempre gravados na memória da alma.
Entre vielas e vinhedos, sem embargo de outras regiões, considero o Douro uma das mais bonitas regiões de vinho que conheço.
Paisagens de tirar o fôlego sobre o Rio Douro, vinhas implantadas em socalcos romanos preservados, e, como resultado, vinhos de caráter único com uvas muitas vezes autóctones e de vinhas velhas, com grande capacidade de envelhecimento.
Há regiões vinícolas que transcendem o tempo. O Douro, classificado como Patrimônio Mundial da Unesco, é uma delas.
Entre socalcos esculpidos em xistos, sol implacável e as sinuosas curvas do Douro, nascem vinhos que contam histórias milenares – mas também abraçam o futuro com ousadia.
Os romanos reconheceram há mais de 2000 anos o potencial único desse “terroir” de xisto, terrenos em declives acentuados e clima extremo (calor/frio). Eles plantaram as primeiras videiras em socalcos que elevou a região a Patrimônio Mundial da Unesco e iniciaram uma tradição que mudou a identidade cultural e econômica da região.
Séculos depois, o Douro não apenas preserva essa herança, mas é reconhecido globalmente.
Foi eleito em 2025 “Melhor Região Vinícola do Mundo”, no “Wine Star Awards”, promovido pela revista Wine Enthusiast.
“Para o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), esta é uma vitória de toda a fileira: “Este prémio honra o trabalho de gerações que moldaram socalcos, cuidaram vinhas e preservaram um saber-fazer que hoje se traduz em vinhos de excelência — do carácter dos DOC Douro à identidade inconfundível do nosso vinho do Porto. É também um estímulo para continuarmos a elevar padrões de qualidade, sustentabilidade e enoturismo”, afirma Gilberto Igrejas, Presidente do IVDP.
Criados pela publicação Wine Enthusiast, os Wine Star Awards distinguem, anualmente, regiões, empresas e personalidades que se destacam pelo contributo excecional para o setor do vinho a nível global.
O Douro, reconhecido como Património Mundial da UNESCO na categoria de Paisagem Cultural Evolutiva e Viva, “alia tradição e modernidade numa região de contrastes: terroirs de altitude, castas autóctones, viticultura heroica e uma nova geração de enólogos e produtores que reforçam a notoriedade internacional dos vinhos do Douro e do vinho do Porto. Paralelamente, o destino tem consolidado a sua oferta de enoturismo, combinando experiências de visita a quintas, cruzeiros no rio, gastronomia regional e hotelaria de excelência”, sublinha o IVDP. Fonte: Portal Sapo.pt”
O Douro, diferente da região do Alentejo – que é caracterizado por grandes propriedades em superfícies quase planas-, tem características de minifúndios, com variada diversidade de “microterroirs” situados entre 400 e 800 metros de altitude em média, mas, dependendo da sua localização, produz vinhos com perfis completamente distintos.
Douro Vinhateiro
Uma região que produz uvas brancas, tintas, e é a única região do mundo a produzir o vinho do Porto.
Em se falando de perfis de vinhos e características de produtores, temos desde vinícolas familiares que ainda mantém o sistema completamente manual e artesanal, até vinícolas completamente modernizadas que produzem cerca de 1 milhão de litros/ano.
Obs.:
Há localizações em que a colheita precisa ser manual, pois nem mesmo máquinas conseguem ter acesso.
Nesse passeio, não podemos deixar de falar de alguns personagens que fizeram e ajudaram a contar a história do Douro e de gerações, a exemplo da reconhecida Dona Antônia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha.
Um pouco sobre a Ferreirinha:
“D. Antónia Adelaide Ferreira, (Godim, Peso da Régua, 4 de Julho de 1811 — Godim, Peso da Régua, 26 de Março de 1896), mais conhecida por Ferreirinha, foi uma empresária portuguesa do século XIX.
Ficou conhecida por se dedicar ao cultivo do Vinho do Porto e pelas notáveis inovações que introduziu. A sua família era muito abastada, possuía muito dinheiro e vinhas. O pai, José Bernardo Ferreira casou-a com um primo, mas este não se interessou pela cultura da família e esbanjou grande parte da fortuna.
D. Antónia teve dois filhos: uma menina, Maria de Assunção, mais tarde Condessa de Azambuja, e um rapaz, António Bernardo Ferreira, que seria deputado pelo Partido Progressista e presidente da Associação Industrial do Porto. Ficou viúva muito nova (33 anos). A viuvez despertou nela a sua verdadeira vocação de empresária.
Sabe-se que a Ferreirinha, como era carinhosamente conhecida, se preocupava com as famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas. Apoiada pelo administrador José da Silva Torres, mais tarde seu segundo marido, Antónia Adelaide Ferreira lutou contra a falta de apoios dos sucessivos governos, mais interessados em construir estradas e comprar vinhos espanhóis. Debateu-se contra a doença da vinha, a filoxera e deslocou-se a Inglaterra para obter informação sobre os meios mais modernos e eficazes de combate a esta peste, bem como processos mais sofisticados de produção do vinho. A Ferreirinha investiu em novas plantações de vinhas em zonas mais expostas à radiação solar, sem abandonar também as plantações de oliveiras, amendoeiras e cereais.
D. Antónia Ferreira, mais jovem.
A Quinta do Vesúvio, uma das suas muitas propriedades, era por ela percorrida e vigiada de perto. No ano de 1849 a produção vinícola era já de 700 pipas de vinho. Mercê de bons acordos, grande parte dos vinhos foi exportada para o Reino Unido, ainda hoje o primeiro importador de Vinho do Porto.
Quando faleceu, em 1896, deixou uma fortuna considerável e perto de trinta quintas. Do Douro para o mundo passou a lenda da sua tenacidade e bondade. Em 2004 a RTP[1] exibiu uma série, da autoria de Francisco Moita Flores, onde se retratava a sua vida.”
Referências
- «Cópia arquivada». Consultado em 29 de dezembro de 2006. Arquivado do original em 1 de setembro de 2011 Fonte: Wikipedia.
Muitos são os nomes, vinhos e vinícolas que fazem parte da história, a exemplo do rótulo Barca Velha, somente lançado em safras especialíssimas.
A Quinta do Portal
A Quinta do Portal merece destaque por vários motivos.
De tradição familiar, a Quinta destaca-se por seu projeto corajoso e grandioso, deflagrado pelo então proprietário Eugênio Mansilha Branco, e seus filhos João Branco e Pedro Branco, que deram início a uma completa reforma estrutural no vinhedo e adega.
A contratação de um dos mais renomados arquitetos de Portugal Álvaro Siza Vieria – talvez podemos assim dizer, “nosso Niemeyer”, resultou num projeto arrojado e moderno, e elevou a Quinta do Portal a um reconhecimento internacional.
Nesse complexo arquitetônico que está em meio aos vinhedos, também está a hospedaria de luxo Casa das Pipas -apenas 17 quartos- e um restaurante de alto padrão aberto ao visitante externo, onde pode-se provar os vinhos juntamente com almoços e jantares, mediante reserva antecipada.
Os vinhos são premiadíssimos, destaque para os vinhos do Porto 10, 20, 30 e 40 anos.
Da linha de tintos o destaque vai para o Quinta do Portal Grande Reserva que já foi eleito vinho do Ano em Portugal (entre todas as castas) e o icônico Auru, sinônimo de elegância pura.
O trabalho que levou os vinhos ao reconhecimento da crítica, dentre outras participações, teve as mãos do experiente enólogo Paulo Coutinho, que atualmente dedica a tocar seu projeto pessoal de mesmo nome, Paulo Coutinho.Wines, produzindo verdadeiras joias artesanais, em pequena escala, mas gigantes em qualidade.
“Considero-me um Duriense de gema, pois foi nesta região que me formei como profissional e onde adquiri todo o conhecimento e paixão que me permite hoje respeitar a origem em todo o processo de elaboração de um vinho.
Hoje olho para trás e vejo um percurso que me empurra naturalmente e sem pressões para algo que muitos acham que já deveria ter feito há mais tempo. Penso que não! Tudo tem o seu tempo…
O momento chegou… o projeto está aqui!”
A ORIGEM DE TUDO
“Em 1992, ainda estudante da Licenciatura em Enologia na UTAD, realizei juntamente com meu pai – Joaquim Coutinho – vários projetos de reestruturação de vinha, entre elas a Vinha da Fonte.
Esta parcela serviu ao longo da minha atividade como um verdadeiro campo de ensaio, sendo sem qualquer dúvida muito importante no meu desenvolvimento enquanto enólogo e que depois de enveredar por um método de produção mais sustentável, com práticas que visam a saúde do solo e da planta, me autointitulo Vigneron.”
Fonte: site Paulo Coutinho
A família Mansilha Branco vendeu a propriedade da Quinta do Portal para outro grupo que também ajudou a escrever a história do Douro, a FladGate Partnership, detentora de excelentes vinhedos, marcas de vinhos e cadeias de hotéis de luxo, não só no Douro.
Mansilha Branco pai, juntamente com seus filhos João Branco e Pedro Branco, agora dedicam seu conhecimento para conduzir sua outra vinícola familiar, a Quinta dos Muros, igualmente reconhecida por produzir vinhos e azeites de excelência, a exemplo do M7, rótulo de topo de gama, com pouquíssimas unidades produzidas.
“A Quinta dos Muros, localiza-se na encosta nascente do vale do rio Pinhão, e é propriedade da família Mansilha desde 1881. No início do século XX o nosso tio-trisavô Francisco d’Araújo Mansilha escreveu: “Quem souber tratar os vinhos dos “Muros” irá convencer-se, por exames e comparações que faça, que os não há melhores no nosso país.” Apesar de falar “em causa própria”, o certo é que os “vinhos finos” dos Muros sempre foram falados como sendo de grande qualidade pelas gentes de Alijó e Favaios.
Actualmente a Quinta tem uma área total de 45 hectares, dos quais 24 são ocupados com vinha plantada em socalcos e patamares. Na restante área temos olival (maior parte em bordadura) , várias árvores de fruto, hortas e mata mediterrânica.
Esta foi durante mais de 100 anos uma Quinta de Vinho do Porto, tendo a partir dos anos 90 começado a ser trabalhada também com o intuito de produzir uvas para vinhos DOC Douro, que integraram os vinhos da Quinta do Portal. Aliás, foram os stocks de Vinho do Porto dos “Muros” que acabaram por dar origem ao projecto de vinhos e enoturismo da Quinta do Portal.
Com a venda do Portal em Março de 2024, retiramos os “Muros” do negócio, tendo assim iniciado uma nova fase, com o objectivo de produzir vinhos (e azeite extravirgem) não só de grande qualidade, mas que reflictam a nossa visão para os vinhos do fantástico vale do Rio Pinhão.
Para este novo ciclo seleccionamos 3 parcelas (M9-Tinta Roriz, M3-Touriga Nacional e M7-Vinhas velhas), que consideramos as mais adequadas e preparadas para os tipos de vinhos que pretendemos conseguir, nomeadamente quanto à pureza do fruto, à elegância, complexidade e potencial de longevidade. Queremos vinhos que nos transmitam a sua origem de uma forma muito directa, e que tenham um carácter único, resultante dos vários factores que neles intervêm – localização, exposição, solo, altitude, biodiversidade, clima, castas, idade das vinhas, e não menos importante, as pessoas, desde quem trabalha no dia a dia na vinha, à enologia e ao nosso painel de provas. Fala-se muito de vinho “sem intervenção”, mas sem a intervenção humana e de cariz pessoal não há vinho, pelo menos da forma como o entendemos.
Na primeira vindima (2024) fizemos um Rosé e 2 Tintos, sendo um deles o Quinta dos Muros M7, do qual já tínhamos lançado 3 colheitas no tempo do Portal. Este ano acrescentamos um Branco (Blanc de Noirs, dada a inexistência de uvas brancas).
O Quinta dos Muros Rosé é um vinho 100% de Tinta Roriz, da parcela M9, a de maio altitude dos “Muros”.
O Quinta dos Muros Tinto é um vinho das 3 parcelas. No 2024 predominou a Tinta Roriz (M9-55%), seguida da Touriga Nacional (M3-28%) e field blend de vinhas velhas (M7-17%).
Estagiou 5 meses em cascos novos (para ser mais exacto, com um mês de uso, pois durante 30 dias estagiou nelas o Rosé).
O Quinta dos Muros M7 Unique Vineyard Parcel permanece a estagiar em barrica pelo menos até à primeira lua cheia de Março de 2026, altura e que temos planeado o seu engarrafamento.
Quanto à campanha de azeite, o primeiro Quinta dos Muros Extra Virgem obteve a Medalha de Ouro no concurso EVO IOOC, em Itália.
A primeira escolha para a enologia foi o Jorge Alves com quem já tínhamos trabalhado em 1996, e com o qual ficou sempre uma ligação de amizade e respeito.” Fonte: O produtor
Ainda sobre famílias e Boutiques
Ganha destaque também Quinta de São José, do então enólogo João Brito e Cunha, quem dedicou boa parte de sua vida ao vinhedo e adega, até transformar seus vinhos em reconhecidos tesouros, como o caso do Grande Reserva Tinto, vinho de pura expressão do Douro.
A localização da Quinta de São José é privilegiada e o solo vizinho e contíguo a de outra joia duriense, a quinta que produz o disputado Chryseia. Essa localizaçãoexplica o porquê de seus vinhos serem distintos. A Quinta de São José também passou a fazer parte do grupo FladGate.
Outra pérola escondia é a Quinta do Monte São Sebastião, vinícola familiar dos simpáticos Breia, que além de produzirem vinhos, tem olivas centenárias que lhes permitem fazer um azeite igualmente especial.
A vinícola está localizada em Murça, região mais fria que produz bons tintos, mas tem destaque para casta pouco conhecida no Brasil, a branca Códega do Larinho, muito elegante e refrescante quando produzida em monovarietal.
A sede da Quinta que também é residência da família, foi transformada em turismo e recebe em hospedagem nos seus únicos 4 quartos, com tratamento personalizado do Sr. Antônio Breia, sua esposa e o filho Luis Breia.
Seguimos nossa viagem pelo Douro
Outra família que carrega tradição é a da Sra. Laura Regueiro, da Quinta da Casa Amarela, no Peso da Régua.
Pode-se dizer uma boutique familiar, onde a Sra. Laura Regueiro faz questão de acompanhar pessoalmente e conduzir cada visita, muitas vezes, cuidando igualmente do almoço que faz questão de servir, dando um show de hospitalidade como sua marca registrada.
Tanto gosta de receber, que a Sra. Laura também converteu uma edificação que estava abandonada em sua nova hospedagem, a Casas da Quinta – muito bem situada próxima ao hotel Six Senses Douro Valley.
Seu filho Gil Regueiro, um apaixonado pelo Douro e por suas origens, quis criar sua própria história, e deu início ao seu projeto pessoal, Scylla Wines. Juntou-se ao competente enólogo Jean-Huges Gros, francês experiente e enraizado no Douro e proprietário da Odisseia Wines, para cuidar da parte enológica.
“A idéia é buscar uma liberdade de experimentar novos perfis de vinhos com caráter mais modernos – sem perder a essência e a tradição do Douro”, afirma Gil Regueiro.
O projeto Scylla, apesar de jovem, já vem resultando em vinhos com reconhecimento da crítica com elevada pontuação, não por acaso. O peso, -não só o Peso da Régua-, e da tradição duriense, fazem a diferença e seus rótulos já ocupam a mesa dos melhores restaurantes e prateleiras de garrafeiras tradicionais. Em breve no Brasil.
Gil Regueiro e Jean-Huges
VEJA MATERIA COMPLETA SOBRE O PROJETO SCYLLA WINES DO GIL REGUEIRO
(link da matéria já feita com Gil Regueiro)
Na primeira parada em terra irmã, Gil Regueiro – que também tem paixão e alma brasileira, trouxe em primeira mão seus rótulos para uma apresentação em Búzios, onde geralmente o “Douro desagua no Farinatta”, destino natural dos produtores portugueses que querem fazer lançamento de seus vinhos. Assim como Gil, vários outros, que após o lançamento, tiveram premiações internacionais, como o caso do produtor que falamos no último artigo, Manz Wine, de Cheleiros, que redescobriu a casta Jampal, e, também, o Monte da Raposinha e a Herdade do Sobroso, Alentejanos, além de todas as Quintas citadas aqui.
Voltando para o Douro, o Douro não é feito só de vinhos, mas guarda uma diversidade cultural peculiar, gastronomia rica e típica, uma hospedagem de alto padrão proporcionada pela arte do bem receber que os portugueses dominam bem, e, em especial, as pessoas do Douro, sempre a nos acolher de braços abertos, sorriso no rosto e vinho e taça!
O Douro é uma região grande, não se consegue numa única viagem explorar toda sua diversidade, mas, o gostoso é explorar cada vinhedo e viela, respirar as paisagens acompanhadas de bom cabrito, como no Mirante da Galafura, onde Miguel Torga escrevia seus poemas. Tudo isso ladeado de uma bela companhia e igualmente acompanhado de um clássico Douro Tinto a expressar as verdadeiras terras Durienses.
Fica o convite. Quem ainda não foi pode começar pensar na próxima viagem!
Viva. Até a próxima semana!
Alexandre Ferreira
Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas” do portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Wine Store; curador de vinhos….
Quer uma experiência sensorial de gastronomia e vinhos?
Agende uma reserva para jantar no Farinatta Bistrô em Búzios através do canal: reservas@farinatta.com.br e sinta-se exclusivo. Viva a experiência da joia escondida, que faz atendimento somente mediante reserva antecipada e confirmada. Um bistrô de gastronomia italiana contemporânea, com destaque para massas frescas, em especial, o gnocchi acompanhado de ossobuco.
Reconhecido pela sua carta de vinhos, cujos rótulos são garimpados a dedo.
Sigam nossos perfis sociais e acompanhem novidades:
(Dealher autorizado Vinícola Lidio Carraro)
(Dealher autorizado Finca Ambrosia)
“Aprecie com moderação.”
“Proibida venda e consumo a menores de 18 anos.”
“Não dirija se beber.”

