sábado, março 7

Borbulhas Quentes & Frescas, por Alexandre Ferreira – artigo 006/25

O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …

Destaque: A magia da Finca Ambrosia

Olá, caros amantes de vinhos, e, em especial, vinhos Argentinos! Vamos falar um pouco desse país que tanto contribuiu e contribui para o desenvolvimento da cultura de vinhos de excelência, além da sua riqueza gastronômica e de belíssimas paisagens.

É de bom tom afirmar que vinhos Argentinos são muito bem aceitos pelos consumidores brasileiros, que tem por hábito inserir no seu portfólio diário ou de coleção, com grandes Terroirs especiais.

Os vinhos Hermanos receberam um input de imigrantes italianos e espanhóis, por volta do século XIX,  quando adquiriram propriedades em épocas de cries a preços vantajosos, e empregaram seus conhecimentos de gerações no cultivo, até a expressiva representatividade que temos hoje! É verdade que sem o terroir especial, não se faz bons vinhos, mas não foi o caso!

A Argentina, com sua geografia formada por diferentes condições –  até mesmo contrastantes entre elas, possibilita produzir vinhos com características próprias e assumindo diferentes perfis, dependendo de onde são produzidos.

Por exemplo, temos regiões com bastante altitude, regiões secas, regiões extremamente frias, regiões com influências marítimas e outras características, destacando-se entre elas:

  • Salta (Cafayate): Vinhedos com uma das maiores altitudes do  mundo (cerca de 3000m), propício para produção de uvas brancas, como o caso da Torrontes.
  • Patagonia (Neuquén/Rio Negro): ideal para castas Pinot Noir e Merlot de clima frio.
  • Mendoza: Esta região tem destaque especial, uma vez que produz cerca de 80% de toda produção nacional Argentina, e é composta de várias sub-regiões, a exemplo de:
  • Luján de Cuyo
  • Valle do Uco (altitudes extremas cerca de 1300/1500m), clima desértico com irrigação andina, através do sistema de cotas e degelo das montanhas.
  • Maipú.

Mendoza não é só berço da casta Malbec

Quando falamos em vinhos Argentinos, há uma tendência natural e imediata que é associar à uva Malbec, muito bem aceita também por nós brasileiros.

Temos grandes vinhos elaborados a partir de outra casta que não a Malbec, mas produzidos a partir da casta rainha Cabernet Franc, que muito bem se adaptou ao terroir Andino-Mendocino, entregando rótulos com personalidade própria e potencial de guarda. E  vai uma opinião particular, de que a próxima década será muito bem representada por essa espécie.

Mendoza tem muitas características e atributos que transformaram a região. É responsável por 1.3 milhão de toneladas de uvas anuais (INV – Instituto Nacional de Viticultura, 2024).

A região transformou um deserto árido em um oásis vitivinícola através de sistemas de irrigação ancestrais (acequias).

Acequias: os canais que transformaram um deserto no paraíso do vinho.

As acequias são muito mais que simples canais de vinhos: são um legado histórico, uma obra de engenharia ancestral e um símbolo da relação harmoniosa entre homem e natureza. Em Mendoza são a espinha dorsal da viticultura transformando um deserto árido em oásis produtor de vinhos de classe mundial.

  • Origem histórica:

Raízes árabes e adaptação espanhola:

as acequias foram desenvolvidas pelos Mouros na Península Ibérica há mais de 1000 anos.

Os espanhóis as trouxeram para a América durante a colonização, adaptando-se aos desafios do clima árido de Mendoza.

A revolução em Mendoza

No século XVI, os colonizadores espanhóis e indígenas Huarpes construíram as primeiras acequias na região, usando ferramentas rudimentares.

Sem esse sistema, Mendonza seria um deserto improdutivo: a região recebe minguados 220 mm de chuvas por ano (menos que o Saara!).

Como Funcionam?

Fonte de Água:

– A água vem do degelo da Cordilheira dos Andes, captada por rios como o Mendoza e Tunuyán.

Estrutura em Rede:

– Acequias Madres: Canais principais que transportam água por quilômetros.
Ramais Secundários: Distribuem água para vinhedos, pomares e áreas urbanas.
Tajamares: Pequenas represas naturais que regulam o fluxo.
Gestão Comunitária:

– Tradicionalmente, um “mestre de acequias” (ou zanjero) supervisiona a divisão da água, garantindo uso equitativo.
– Até hoje, comunidades rurais mantêm assembleias para resolver disputas.
Impacto na Vitivinicultura:Transformação do Terroir:

– As acequias permitiram irrigar 150.000 hectares de vinhedos em Mendoza, criando microclimas ideais para o cultivo de uvas.
– A água mineral dos Andes enriquece o solo com sedimentos, contribuindo para a complexidade dos vinhos

.Desafios Modernos:

Escassez Hídrica

– As mudanças climáticas reduziram o volume de neve nos Andes, ameaçando o fluxo das acequias.

– Solução: Tecnologia de irrigação por gotejamento (economiza 30% de água) aliada às práticas tradicionais.

Preservação Cultural:
– Em 2020, as acequias de Mendoza foram declaradas Patrimônio Cultural da Província, mas muitas estão abandonadas.

– Projetos como “Acequias Vivas” recuperaram 50 km de canais em 2024, envolvendo comunidades locais.

Curiosidades
– Ritual Anual:
Todo mês de setembro, acontece a “Limpia de Acequias“, onde moradores desentopem e consertam os canais, celebrando com música e comida típica.
Inspiração Global: O modelo mendocino inspirou projetos de irrigação sustentável no Chile, Califórnia e até na Austrália.

Por que Isso Importa?

As acequias são um exemplo de sustentabilidade ancestral:
Ecológica: Mantém ecossistemas locais e evitam a desertificação.
Social: Fortalecem comunidades rurais e preservam saberes tradicionais.
Econômica: São a base de uma indústria que movimenta US$ 1,8 bilhão/ano em exportações.- “Acequias: El Agua que Canta” (Universidade Nacional de Cuyo, 2023).
– Relatório de Sustentabilidade da Wines of Argentina (2024).

Não podíamos continuar falando de Mendoza e sua diversidade, se não fizéssemos esses parênteses em homenagem as acequias fora da Taça. Vamos continuar!

Falar de Mendonza envolve muitos temas. Hoje a região recebe inúmeros turistas interessados nas paisagens, regiões que abrigam um dos mais altos picos do mundo, como o Aconcágua; Enoturismo, com hospedarias de alto padrão, muitas delas, dentro dos próprios vinhedos; amantes da culinária; e intercâmbio internacional de produtores vinhateiros, que vão acompanhar de perto o desempenho da região,  além de fornecedores de insumos necessários para produção dos vinhos.

São investimentos de grande monta em infraestruturas dos vinhedos, adegas, e receptivos, a exemplo do complexo de “Clos de Los Siete”, capitaneado por nada menos que o respeitadíssimo francês Michel Rolland.

Clos de Los Siete é um complexo vitivinícola icônico da região de Vistaflores, idealizado pelo enólogo Frances Michel Rolland. O nome refere-se à colaboração de sete parceiros (originalmente), entre investidores e famílias dos mundos do vinho, que se uniram para criar vinhos excepcionais em um terroir Andino único. Apesar do nome, atualmente o projeto inclui apenas 4 vinícolas, cada uma com identidade própria, mas compartilhando a filosofia de qualidade e inovação, formado pelas bodegas: (click nos links abaixo. Vale visitar!)

DiamAndes

Bodega Rolland

Monteviejo

Flecha de Los Andes

Quem é Rolland?

“Sobre Michel Rolland

Nascido em 24 de dezembro de 1947, em Libourne, na França, o prestigiado enólogo que fez carreira em Bordeaux, atua como consultor e tem centenas de clientes em mais de 15 países, influenciando o estilo de vinho em todo o mundo.

Vindo de uma família de produtores de vinho, Rolland cresceu na propriedade da família, o Château Le Bon Pasteur, em Pomerol. Após o colegial, Rolland se matriculou na escola de Viticultura e Enologia Tour Blanche, em Bordeaux, com o incentivo de seu pai. Aplicado em seus estudos, ele foi um dos cinco alunos escolhidos pelo diretor Jean-Pierre Navarre para avaliar a qualidade do programa em relação à do prestigiado Instituto de Enologia de Bordeaux. Rolland mais tarde se matriculou no instituto, onde conheceu sua esposa e colega enóloga, Dany Rolland, e se formou como parte da turma de 1972.

No instituto, Michel Rolland estudou sob a tutela dos renomados enólogos Pierre Sudraud, Pascal Ribéreau-Gayon, Jean Ribéreau-Gayon e Émile Peynaud. Rolland disse que esses homens foram uma grande influência sobre ele e os considera os “Pais da Enologia Moderna”, sendo esse último (Peynaud) seu grande mentor, a quem sempre admirou profissionalmente e como pessoa, e sempre visitou mesmo depois de aposentado até seu falecimento.

Em 1973, Rolland e sua esposa compraram um laboratório de enologia na margem direita de Bordeaux, na cidade de Libourne. Eles assumiram o controle total do laboratório em 1976 e o ​​expandiram para incluir salas de degustação. Em 2006, o laboratório de Rolland empregava 8 técnicos em tempo integral, analisando amostras de quase 800 vinícolas na França a cada ano.

Atualmente Rolland é um dos enólogos mais famosos do mundo e degusta mais de 40.000 vinhos por ano. Possui uma propriedade em Bordeaux, o Château Fontenil em Fronsac, bem como, possui parcerias de joint venture com Bonne Nouvelle na África do Sul, e com a Yacochuya em Salta, na Argentina.

Rolland na Argentina

Ele chegou à Argentina em 1988, convidado por Arnaldo Etchart, enólogo de Cafayate (Salta). Cafayate é uma pequena cidade, tão diferente de tudo que conhecia, que logo ele se apaixonou pelo lugar.

Lá, em Yacochuya, a mais de 2.000 metros de altitude, ele fez seu primeiro grande Malbec, com um caráter especial e muito marcante. Sua história na Argentina continua em Mendoza, onde ele escolheu o Valle do Uco, um lugar com um mosaico de terroirs que fazem deste vale um dos melhores do país para a viticultura. Foi onde a Família Rolland elegeu para construir sua própria vinícola, único lugar fora da França onde a família possui uma vinícola 100% própria e ainda é acionista do Clos de Los Siete, além de ser o criador desta realidade, que hoje vende 1 milhão de garrafas em 56 países.” (fonte: site vaocubo)

  • Mais Mendoza …

Um fato curioso, é que, quando o assunto é Mendoza, os brasileiros estão intrinsecamente associados à ideia da Família Zapata, reconhecida internacionalmente, e muitos sequer conhecem outras boutiques de vinhos, que por vezes nem chegam ao Brasil. Seus rótulos especiais e de poucas produções – são disputados e vão para mercados como: Canadá, Suíça, Londres …

Seguindo nossa imersão em Mendonza, além do que já vimos, não podemos deixar de destacar outros microterroirs, que reúnem condições excepcionais para produzir vinhos de excelência.

Em minha incursão pessoal, tive o privilégio de conhecer essas regiões encantadoras e beber da fonte as pérolas produzidas pelas Bodegas: HUENTALA (em Tupungato, com o vinho Grand Sombrero Malbec, cuja safra 2020 foi agraciada entre os melhores Malbec do mundo), FINCA DECERO (em Agrelo, Decero significa, partiu do zero, um vinhedo refeito com vinhos e azeites excepcionais, cuja arquitetura acompanha os telhados com o movimento da Cordilheira do Andes), e a especial FINCA AMBROSIA (em Guatallary), que, além da sua posição geográfica, abarca paisagens de tirar o fôlego, dignas de contemplar o “silêncio dos Andes com o grito na taça”, provocado pela verdadeira essência Andina.

GUATALLARY: o terroir de altitude que está redefinindo os vinhos Argentinos

Localizada no coração do Valle de Uco, é uma das regiões vitivinícolas mais fascinantes e inovadoras. Com altitude entre 1200/1500 metros, essa subzona tornou-se sinônimo de vinhos elegantes, minerais e de perfil único, consolidando-se como um dos terroirs mais cobiçados pelos enófilos globais.

Clima: desértico e fresco, com excelente amplitude térmica.

Solo: predominantemente calcário, com camadas de cascalho e pedras brancas. Excelente drenagem, que força as raízes das videiras a se aprofundarem, extraindo minerais complexos.

Essas condições criam uvas de maturação lenta, com acidez vibrante e concentração de aroma.

Assim, altitude, solo calcário e clima desértico criam vinhos impossíveis de se replicar em outras regiões.

 E por falar em Guatallary, meu destaque realmente vai para Finca Ambrosia. Você leitor que nos acompanha, já pode ter percebido o interesse por vinícolas Boutique, que empregam filosofias com mínima intervenção e máximo respeito ao terroir, para produzirem vinhos com aquilo que a natureza verdadeiramente  entrega. Essa é mais um exemplo.

Finca Ambrosia:

A poesia do vinho no coração do Guatallary.

Localizada em Paraje Altamira, uma das zonas mais prestigiadas de Guatallary, a Finca Ambrosia é uma vinícola boutique que personifica fusão entre tradição andina e inovação enológica. A propriedade tornou-se referência em vinhos de altitude, celebrando terroir único de Guatallary com minimalismo e precisão.

Fina Ambrosia, Guatallary (click e visite)

Solo; Finca Ambrosia

Solo, Finca Ambrosia

Um dos Rótulos ícones, Ambrosia Grand Cru Blend

Na próxima semana vamos aprofundar a imersão na vinícola Finca Ambrosia que tanto encanta, e encanta com sua gente e com seus vinhos, e desde já adianto o Spoiller: Farinatta Wine Store vai realizar um jantar harmonizado com a Finca Ambrosia no início de outubro/25. Acompanhem por aqui as novidades !

Você sabia da verdadeira expressão e diversidade do terroir argentino? Não deixe de visitar Mendoza! Tire sua própria conclusão. Alerto que há risco de encantamento …

Viva, saúde! Até a próxima semana.

Alexandre Ferreira,

Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas” do portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Wine Store; curador de vinhos….

Quer uma experiência sensorial de gastronomia e vinhos?

Agende uma reserva no Farinatta Bistrô em Búzios através do canal: reservas@farinatta.com.br e sinta-se exclusivo. Viva a experiência da joia escondida, que faz atendimento somente mediante reserva antecipada e confirmada.

Informações sobre o jantar harmonizado com a Finca Ambrosia:

Email: vinhos@farinatta.com.br

Sigam nossos perfis sociais e acompanhem novidades:

Canal YouTube Farinatta

@FARINATTAWINESTORE

@FARINATTABISTROEARTE

(Dealher autorizado Vinícola Lidio Carraro)

(Dealher autorizado Finca Ambrosia)

“Aprecie com moderação.” “Proibida venda e consumo a menores de 18 anos.” “Não dirija se beber.”

PUBLICIDADE / CLIQUE NA IMAGEM, SAIBA MAIS!
Exit mobile version