sábado, março 7

Borbulhas Quentes & Frescas, por Alexandre Ferreira, coluna 005

O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …

DA REVOLUÇÃO SILENCIOSA AO RECONHECIMENTO GLOBAL.

O BRASIL, CONHECIDO POR DIVERSIDADE CLIMÁTICA E CRIATIVIDADE ENOLÓGICA, ESTÁ ESCREVENDO UM NOVO CAPÍTULO NA HISTÓRIA DO VINHO.

Olá caros leitores e diletos comensais amantes da gastronomia e do vinho, hoje vamos abordar um tema que começa a deixar de ser novidade e o passa a frequentar a mesa, ou melhor, a taça dos brasileiros, com vinhos brasileiros!

Isso mesmo, vinhos brasileiros começam ocupar o cenário de consumo, não só no mercado interno, como também, reconhecimento internacional por sua qualidade de produtos que fazem frente aos bons e consagrados rótulos do velho e novo mundo.

Em outras épocas, já brilharam, como joias da coroa, ouro, diamantes, Pau-Brasil, café, petróleo e muitos outros. Agora, a vez é do vinho!

É bom lembrar que a tradição vitivinicultura brasileira começou há cerca de 150 anos, com a chegada de imigrantes principalmente oriundos de países europeus, que buscavam recomeçar a vida em busca de novas oportunidades frente às dificuldades enfrentadas, principalmente em períodos pós-guerra, igualmente, após o período catastrófico da  nefasta filoxera, a praga que dizimou importantes vinhedos.

Com a experiência de gerações produzindo vinhos na Europa, esses imigrantes, na sua grande parte oriundos da Itália, começaram a desbravar os terroirs brasileiros, desenvolvendo a cultura do vinho ao longo dos anos.

A persistência, amor e dedicação à terra valeram à pena, e hoje os produtores vivem seus melhores momentos, estando no auge da maturidade, prontos para as próximas décadas e gerações com enorme potencial.

Nas últimas duas décadas, o cenário mudou completamente, passando  por uma profunda transformação, não só na forma de se fazer os vinhos, a partir da chegada de jovens da nova geração, que foram estudar em países já consagrados na viticultura, trocaram experiências, e empregaram novas tecnologias, aliados a franca expansão de terroirs novos nacionais.

Para se ter ideia, hoje o Brasil tem cerca de 1200 vinícolas ativas, espalhadas pelas regiões Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e a já consagrada região Sul, pioneira na viticultura.

O que outrora foi destinado ao café, hoje vemos o plantio de uvas, como o caso da Mantiqueira, consolidando-se com a Syrah, a uva que melhor adaptou-se.

Não menos igual, temos áreas que eram extremamente secas, mas a chegada do projeto de irrigação do Vale do São Francisco possibilitou, e com sucesso, o plantio e transformou a região numa importante produção de vinhos.

Nesse passeio de regiões novas, temos Guaranhuns, no Estado de Pernambuco, sendo o terroir reconhecido por sua excelente amplitude térmica.

Um dos fenômenos que surpreendeu positivamente, e fez crescer o mercado, foi a descoberta da dupla poda, um método que viabilizou a colheita de inverno em determinadas regiões, aproveitando o menor volume de chuvas para sucesso das safras, e um aumento da produção/safra/ano.

A título de exemplo, o Brasil produziu cerca de 2.7 milhões de hectolitros de vinho em 2024, com crescimento de 18% em exportações.

E, mais, vinhos brasileiros bateram recorde de medalhas em concursos internacionais em 2024.

“Safra após safra, os rótulos brasileiros seguem conquistando prêmios mundo afora. O número de medalhas vem batendo recorde a cada ano. Em 2024, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) enviou amostras para concursos realizados em 11 países – Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Espanha, França, Hungria, Itália, México, Reino Unido e Suíça. O resultado foram 776 premiações, sendo 63 Duplo Ouro ou Grande Ouro, cinco Prêmios Especiais, 443 Medalhas de Ouro, 83 de Prata, 150 de Bronze e 32 Menções Honrosas. O desempenho ultrapassou em 5,6% as 733 medalhas obtidas no ano passado, firmando um novo recorde.” (fonte: site da ABE, Associação Brasileira de Enologia)

  1. Algumas Regiões emblemáticas:

Serra Gaúcha; Vale do São Francisco; Chapada Diamantina, Campanha Gaúcha; Planalto Catarinense; Sudeste de Minas Gerais, Distrito Federal, Serra da Mantiqueira, enfim, são muitas.

Hoje, para surpresa de muitos, apesar de ser um terroir inédito, o  estado do Rio de Janeiro vem despontando com projetos grandiosos, já sendo reconhecido como celeiro  viticultor nacional, a exemplo do projeto grandiosíssimo em fase de finalização da Vinícola Maturano, em Teresópolis.  Click no link, acesse e conheça: Vinicola Maturano

O projeto merece destaque, não só pelo padrão de investimento, como também, pelo altíssimo nível de arquitetura, idealizado a partir de visitas de seu fundador Marcelo Maturano, que percorreu  mais de 200 vinícolas ao redor do mundo para conceber seu projeto ideal.

Some-se ainda, todo o conceito e espírito desbravador, que certamente servirá de exemplo e trará forte viés como destino de  enoturismo, gerando fonte de renda e desenvolvimento para o setor e para o Estado do Rio de Janeiro. Merecido o destaque!

Vinícola Maturano, em Teresópolis, Rj.

  • Vencendo o preconceito.

Um dos grandes inimigos dos produtos brasileiros, não só do segmento de vinhos, é o preconceito que existe do próprio brasileiro em provar e reconhecer produtos nacionais de excelência.

No mercado de vinhos há 20 anos que estou, eu mesmo já me deparei com situações em que pessoas negam a qualidade de nossos produtos, tem opiniões negativas a respeito, sem ao menos sequer terem provado, quando indagado quais rótulos experimentaram; quantas vinícolas visitaram? Ou seja, preconceito puro e simples, sem qualquer estofo.

Uma das contribuições que serviu de lição para aumento do consumo e conhecimento dos vinhos brasileiros, foi o advento da pandemia. Apesar de trágico do ponto de vista da saúde,  acarretou escassez de vinhos importados e impingiu limitação aos consumidores de frequentarem  restaurantes e locais públicos, somada a proibição de viajar para o exterior. Tudo isso  permitiu que o vinho brasileiro fosse oportunizado a conhecer, e brilhou na taça.

Lojas especializadas surgiram, reconhecimento internacional, e permanência do consumo pós pandemia, rompendo a barreira do preconceito e impulsionando o hábito de consumo.

Sempre fiz essa afirmação:  “de que produto na boca do consumidor não mente, quando é bom, fica”, não importa origem, país ou preço. É a melhor forma de conquistar o consumidor, além de outras práticas, como obvio, que farão ou não o produto se manter no mercado com reconhecimento.

  • O mito do preço. Além do preconceito ao produto nacional, temos que vencer a questão do preço!

Outro aspecto que tem servido de  entrave para aumentar  o consumo de vinhos brasileiros -e por brasileiros-, é a questão do preço.

Há que se separar realidades diferentes entres países que -em tese- tem preços mais atrativos na sua localidade. Porém, as realidades dos custos de produção, custo fiscal, mão-de-obra, transportes, dentre outros,  variam de país a país, até mesmo com menores taxas de juros, incentivos governamentais e prazos dilargados para contratos, fazem impacto direto na composição do preço final ao consumidor. Portanto, é preciso estar atento a essas diferenças, e analisar preços segundo a realidade local nacional.

Não restam dúvidas de que os produtores brasileiros estão atentos a tais fatores, e procuram encontrar modelos que sejam saudáveis a própria sobrevivência no mercado, sem impactar quebra financeira, de forma que o consumidor tenha acesso igualmente.

A disputa é acirrada com rótulos que chegam de outros países e desaguam no mercado, todos querendo um espaço na taça, além do crescente número de vinícolas no mercado interno.

Outro fator que devemos nos atentar, é que, quanto menor a quantidade de vinhos produzidos por determinada vinícola, que não ceda às pressões mercadológicas de volume, e continuam defendo o seu conceito de produzir vinhos de excelência, que por vezes demoram até 10 anos para chegar ao consumidor no auge, maior é o custo para produzir.

  • Com a palavra, alguns produtores que fazem parte da história do vinho brasileiro (extraído do livro expedição cultural Vou de Vinhos).
  • “O maior desafio para o futuro do vinho brasileiro é que os vinhateiros e autoridades envolvidas nesta cadeia produtiva assumam que ela é uma atividade geradora de renda e de bem-estar social; que é um patrimônio social e cultural de interesse nacional e não simplesmente uma geradora de produtos de consumo, equivocadamente denominado bebida alcóolica; e dar-lhe um tratamento equitativo aos demais países desta comunidade internacional do vinho.”

Rinaldo Dal Pizzol

  • “ Acredito que o maior desafio para o vinho brasileiro seja a distribuição; fazer com que nosso vinho chegue  a todos os recantos do Brasil com um valor de acordo com o mercado.

Também há dificuldades tributárias interestaduais que impactam muito negativamente na cadeia toda e, para finalizar,  dificuldades no fornecimento de insumos, principalmente no custo da importação, pois o Brasil é um país extremamente fechado.”

Bruna Cristofoli

  • “Seria importante uma movimentação do setor, no sentido de diminuir a carga tributária que incide sobre o vinho.

Desta forma, os preços ficariam mais convidativos a todos. Outro ponto importante é a desmistificação da bebida: Esta lacuna já vem sendo preenchida por produtores e profissionais  que divulgam as informações ao público de forma descomplicada.”

Rogério Valduga

  • “a sequência de excelentes safras, os investimentos contínuos e maturidade do setor, convergiram para um cenário de consolidação qualitativa, despertando o crescimento da cultura e do consumo de vinhos do Brasil.

É gratificante perceber  que nossa missão se cumpre a cada taça, nos melhores vinhos, nas melhores experiências.”

Juliano Carraro

Vencida a complexa equação:

preconceito x preço do mercado interno x desafios tributários x produtos disponíveis no mercado

cremos que o Brasil já pode orgulhar-se do alto padrão de vinhos produzidos. O empresário brasileiro é aguerrido, enfrenta bem os desafios com grandeza e resiliência, e consegue encontrar caminhos para vencer obstáculos e prosperar.

Já temos inúmeros casos de sucesso de produtores brasileiros que estão consolidados, como por exemplo, a vinícola Lidio Carraro.

Na semana passa veiculamos a entrevista exclusiva do Alexandre Ferreira, que vos escreve, com o diretor comercial e enólogo Juliano Carraro, da vinícola de Boutique Lídio Carraro. (Quem ainda não assistiu ao vídeo, é só clicar aqui para assistir: ALEXANDRE FERREIRA ENTREVISTA JULIANO CARRARO ).

Como vimos, a Lídio Carraro vem se destacando no cenário nacional e internacional com a produção de vinhos de excelência.

Juliano Carraro abordou a Teoria Purista como precursores da filosofia que foram, e os diferenciais da mínima intervenção, sem correção enológica; a coragem e o desafio de produzir todos os seus vinhos sem uso de barrica de carvalho, provando que um bom terroir – aliado a boa técnica, permite colher um vinho de excepcional qualidade, e até mesmo consegue-se vinhos com alto potencial de guarda.

Entenda:

Existe a preocupação da vinícola em manter seus preços competitivos em cada categoria de seus rótulos, para estimular o consumo dos vinhos nacionais, e já exportam para vários países, provando a qualidade de seus rótulos produzidos em quantidades diminutas, o que os mantém com conceito de boutique.

Com aproximadas duas décadas da sua fundação, a Lídio Carraro é símbolo da revolução qualitativa dos vinhos brasileiros, com 15 hectares no Vale dos Vinhedos e 60 hectares em Encruzilhada do Sul, Serra do Sudeste Gaúcho, a família Carraro combina técnicas europeias com identidade local.

Sustentabilidade:

certificação orgânica

conhecendo rótulos:

O Portfolio da vinícola hoje dispõe de 46 rótulos em linha, além de alguns que são destinados a canais especiais e exclusivos, como por exemplo, club do colecionador, eventos especiais sob demanda, como a da Copa do Mundo de 2014, Jogos Olímpicos de 2016 e outros.

Ganham destaque uns dos ícones – da linha considerada Raridades, gerados a partir da técnica milenar da guarda em ânforas.

“A Vinícola Lidio Carraro, literalmente, promove um retorno cultural à ancestralidade  realizando a elaboração do vinho em ânforas de argila. Assim foi há cerca de oito mil anos na região do Cáucaso – considerada pelos historiadores como  o local das raízes da vinificação da ânfora a Lídio Carraro resgata, assim, a essência da elaboração do vinho por meio de uma técnica de produção secular. E o faz respeitando e revivendo a ancestralidade na dimensão dos tempos, um conceito que permite ao vinho ter contato com o terroir, a argila, e interagir desde o princípio, integrando a autenticidade de ambos.” (fonte: Livro Vou de Vinhos)

Conheça os rótulos que são as raridades desta linha:

  • Vinum Amphorae III
  • Amphorae Pinot Noir
  • Amphorae Chardonnay
  • Nature Chardonnay
  • Shaar-Adonay
  • Bianco Macerato
  • Essence
  • Kairós

Fichas técnicas:

Estamos diante de verdadeiras joias, todos produzidos pela Vinícola Boutique Lidio Carraro, que não “abre mão” de fazer vinhos de excelência e cada vez mais ocupar espaço no mercado como produtor destaque pela qualidade de seus rótulos.

A novidade é que a Lídio Carraro fechou parceria CoBrands com a Farinatta Wine Store, que passa a ser seu dealher comercial autorizado, e vocês, caros leitores, poderão ter acesso às compras através do canal.

Além do braço comercial, a parceria vai muito além, e trará degustações no Farinatta Bistrô em Búzios, Room tasting sob medida, conexão com experiências enogastronômicas e enoturísticas, e muito mais.

Para acessar o canal de vendas, envie um e-mail para:

vinhos@farinatta.com.br

e comece a mergulhar no mundo da taça com brasileiros em grande estilo, com a seleção dos melhores rótulos.

  • Reconhecimentos:

Anunciada essa parceria importante, que trará conexões assertivas para o público e para sucesso das marcas que tem identidade filosófica, o convite que fica é para que o amante do vinho, da gastronomia e de experiências, dê oportunidade a conhecer os vinhos brasileiros. Permita-se surpreender-se!

Eu fiz essa mesma pergunta semana passada, mas acho que devo insistir. E você, já provou vinho brasileiro? Ainda não, corre que a surpresa vai ser muito agradável.

Viva, saúde! Até a próxima semana.

Alexandre Ferreira,

Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas” do portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Wine Store; curador de vinhos.

Quer uma experiência sensorial de gastronomia e vinhos?

Agende uma reserva no Farinatta Bistrô em Búzios através do canal: reservas@farinatta.com.br e sinta-se exclusivo. Viva a experiência da joia escondida, que faz atendimento somente mediante reserva antecipada e confirmada.

Envie um e-mail e mencione no assunto: TEORIA PURISTA.

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(Dealher autorizado Lidio Carraro)

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“Não dirija se beber.”

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