sábado, março 7

O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …

Como a tecnologia está reinventando o Mercado de Vinhos?

Olá, diletos comensais, nosso mergulho vínico de hoje está fora da taça. Um tema que ainda é bastante novo, mas, como certeza, certamente não poderá ser desconsiderado, tamanhos serão os ganhos em várias aplicabilidades do setor.

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Assim como a questão de vinhos sem álcool abordada no artigo anterior, a tecnologia Blockchain e os NFTs prometem revolucionar a forma como consumimos, investimos e autenticamos vinhos.

Para entendermos melhor a respeito do que estamos falando, algumas curiosidades:

NFTs para leigos:

1. O Que É NFT?
NFT (Non-Fungible Token):

– É um “certificado digital de autenticidade” registrado em blockchain (tecnologia de registro imutável).

2. Como Funcionam os NFTs na Venda de Vinhos?
a) Autenticidade e Procedência

– Aplicação no mundo concreto. Já existem modelos de negócios com aplicação de NFTs, como por exemplo, o caso do Blockbar, uma das primeiras a utilizar a tecnologia. Veja como um marco inicial, o caso  veiculado na BlombergLinea:

“BlockBar lança marketplace de bebidas de luxo baseado em NFT

“Miami — Hoje, a BlockBar lançou o primeiro marketplace de bebidas alcoólicas de luxo baseado em NFT. A empresa vende bebidas colecionáveis diretamente aos consumidores por meio de seu site e cada garrafa vem com seu próprio NFT (token não fungível). A empresa é uma das primeiras a adotar a certificação NFT, mas outras marcas de ponta como Dolce&Gabbana e Gucci, bem como alguns dos fabricantes de automóveis de luxo já estão nesse mercado.

As vendas de NFT aumentaram e dispararam nos últimos meses desde janeiro de 2021, de acordo com o Statista. Mas o mercado de destilados não vê uma ruptura há muito tempo.

“Nos últimos 10 anos, o número de colecionadores de vinhos e destilados cresceu mais de 582% e vinhos finos e destilados superaram o ouro e o S&P. Apesar disso, colecionadores e consumidores que buscam diversificar seus portfólios pessoais enfrentam obstáculos físicos e têm acesso restrito a esses ativos de edição limitada “, disse a empresa em um comunicado.

Para os não iniciados, um token não fungível é uma parte única e não intercambiável de dados visuais armazenados em um livro-razão digital. No caso da BlockBar, esse livro-razão é o blockchain Ethereum.

Para o lançamento, a BlockBar fez uma parceria com a Glenfiddich para oferecer 15 garrafas de seu whisky escocês de single malte Armagnac Cask Finish, de 1973, por US$ 18 mil cada. A BlockBar planeja expandir sua oferta ao longo do ano.

(…) BlockBar tem sede em Nova York, Londres e Panamá

Por meio de suas conexões com a indústria de destilados, os cofundadores Dov e Sam Falic, conseguiram formar uma lista sólida de marcas de bebidas alcoólicas que serão vendidas por meio da BlockBar. (…)

Os primos enxergam a BlockBar como uma solução para os obstáculos atuais no mercado de vinhos e destilados de luxo. A indústria de bebidas sofisticadas sempre foi exclusiva, pois existe apenas um número finito de garrafas, mas, mesmo assim, a principal forma de comprar seria por meio de uma casa de leilões como a Christie’s ou Sotheby’s – não necessariamente o processo mais acessível para os consumidores mais jovens de hoje.

E quando um colecionador compra uma garrafa de licor ou vinho, ele deve levar em consideração o transporte e o armazenamento, os quais precisam ser regulamentados para manter o líquido intacto, da mesma forma como ocorre com obras de arte.

Para quem compra por meio da BlockBar, a garrafa real será armazenada em uma instalação adequada em Cingapura, enquanto o NFT é gravado no blockchain da Ethereum. Os consumidores terão sua própria barra virtual na BlockBar, bem como uma carteira digital que monitora o desempenho de seu portfólio.”

fonte: Bloomberglinea, de 13/10/21


desafios encontrados:

  • Custo de armazenamento em cofres climatizados;
  • Regulamentação: ausência e regulação de leis claras para NFTs lastreados em arquivos físicos;
  • Educação do consumidor: 70% dos enófilos ainda desconhecem NFTs.

b) Valorização
– Fatores que aumentam o valor:
– Edições limitadas: NFTs de garrafas de safras raras (ex.: Château Lafite Rothschild 1982) valorizam-se pela escassez.
– Experiências exclusivas: NFTs que dão direito a visitas a vinícolas, jantares com enólogos ou acesso a safras futuras.

c) NFTs vs. Quantidade de Garrafas
– Regra geral: Cada NFT corresponde a uma garrafa física única. Não há emissão de NFTs além das garrafas produzidas.

– Exceção: NFTs podem representar parcelas fracionadas de uma garrafa ou lote (ex.: 1 NFT = 10% de uma garrafa rara).

3. A História dos NFTs: Explosão, Queda e Reconstrução
a) Explosão:
(2020–2021)
– Marco inicial: Em 2017, o projeto CryptoPunks lançou 10.000 avatares digitais únicos, mas o boom ocorreu em 2021.
– Adoção no vinho:
Em 2021, a plataforma WiV tokenizou vinhos de Bordeaux, atraindo investidores digitais.

b) Desvalorização (2022–2023)
– Queda do mercado: O volume global de negociações de NFTs caiu 97% entre janeiro e setembro/2022 (Fonte: Chainalysis).
– Causas:

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– Especulaçãoexcessiva e projetos sem utilidade prática;

Crises como o colapso da FTX (novembro/2022) e altas taxas de juros.

c) Reconstrução (2023–2024)
– Foco em utilidade: NFTs atrelados a benefícios reais (ex.: acesso a eventos, garantia de autenticidade).

– Dados econômicos recentes:

“em 2024, o mercado de NFTs movimentou US$ 1,2 bilhão, com crescimento de 40% em relação a 2023 (fonte: Wine Investiment Report, 2025)”.

– Dados atuais:

– O mercado de NFTs movimentou US$ 8,5 bilhões em 2023, com crescimento de 12% em projetos utilitários (Fonte: DappRadar).

– O relatório DappRadar 2024 revela que NFTs utilitários (como os de vinhos) tiveram alta de 18% no valor médio, contrastando com a queda de 12% em NFTs artísticos. No mesmo ano, a Wine Spectator apontou que 35% dos colecionadores globais consideram blockchain essencial para autenticidade”,

– No setor de vinhos, a BlockBar registrou aumento de 30% nas vendas em 2023, impulsionado por NFTs com experiências exclusivas.

Conclusão
Os NFTs no mercado de vinhos são ferramentas de valorização por meio da escassez, autenticidade e experiências exclusivas. Apesar do “hype” inicial ter levado a excessos, o setor agora se consolida com casos práticos e benefícios tangíveis.

Definição de Blockchain (Para Leigos):

Blockchain é um “livro-razão digital” que registra transações de forma descentralizada, segura e imutável. Imagine uma planilha compartilhada entre milhares de computadores, onde cada nova entrada é verificada por todos e impossível de ser alterada posteriormente.

Como Funciona Concretamente?  

Passo a Passo Simplificado:  

1. Transação Iniciada: Alguém envia um item (ex.: dinheiro, NFT, documento) para outra pessoa.  

2. Validação: Computadores na rede (chamados nós) verificam se a transação é válida (ex.: o remetente tem o item).  

3. Bloco Formado: Transações validadas são agrupadas em um “bloco”.  

4. Criptografia: O bloco recebe um código único (hash), como uma impressão digital.  

5. Cadeia de Blocos: O novo bloco é vinculado ao anterior, formando uma corrente (blockchain).  

6. Atualização da Rede: Todos os participantes recebem a versão atualizada do registro.  

Exemplo Prático:  

João compra uma garrafa de vinho com NFT, a transação é registrada na blockchain. Cada etapa (produção, transporte, venda) é adicionada como um bloco, permitindo que qualquer pessoa rastreie a história da garrafa.  

Relação Entre NFTs e Blockchain  

1. NFTs são Criados e Armazenados na Blockchain  

– Um NFT é um certificado digital único que prova propriedade ou autenticidade.  

– A blockchain registra quem criou o NFT, quem o comprou e seu histórico de transações.  

2. Como Funciona no Mercado de Vinhos  

| Etapa | Blockchain | NFT |  

| Criação | A vinícola registra uma garrafa rara na blockchain. | Um NFT é emitido, vinculado à garrafa (ex.: safra 2019 do Château Margaux). |  

| Venda | A transação de compra é validada e registrada. | O NFT é transferido para a carteira digital do comprador. |  

| Prova de Autenticidade | Qualquer pessoa pode verificar a procedência na blockchain. | O NFT serve como “RG digital” da garrafa. |

3. Exemplo Prático:

– Projeto WiV (Wine Investment Ventures):  

  – Tokenizar 100 garrafas de vinhos raros em NFTs na blockchain Ethereum.  

  – Cada NFT representa uma garrafa física armazenada em um cofre na França.  

  – Compradores podem negociar o NFT em mercados digitais (ex.: OpenSea) ou resgatar a garrafa.  

Benefícios para o Setor de Vinhos  

1. Combate a Falsificações:  

   Combate a Falsificações:

Casos ocorridos no mercado de Ásia, Europa e outros mercados evidenciam que a falsificação ainda existe e preocupa o mercado de vinhos.
A blockchain reduz esse risco.

2. Valorização de Ativos:  

   – Garrafas com NFTs aumentaram 25% em valor médio (Estudo da Universidade de Bordeaux, 2023).  

3. Transparência:  

   – Consumidores escaneiam QR codes no rótulo para ver o histórico completo na blockchain.  

Fontes Verificáveis  

1. Blockchain no Vinho: Reportagem da Forbes sobre a WiV (2023).  

2. NFTs contra Falsificações: Estudo da Wine Business School Bordeaux.  

3. Funcionamento Técnico: Documentação oficial da Ethereum (ethereum.org).  

Produtores de vinhos que empreguem novas tecnologias no segmento, também enfrentarão desafios a vencer. 

algumas reflexões:

Como assegurar a existência do ativo quando lastreado em um NFT.?

Como manter a autencidade do conteúdo? Se não temos o controle do conteúdo que pode ser adulterado pelo adquirente ou terceiros?

Como controlar se o exemplar da garrafa adquirida ainda realmente existe? Se o consumidor presentear, ou quebrar sem informar à Blockchain dessa baixa? Ou e vier a falecer, e/ou seus herdeiros não tiverem conhecimento da existência dessa garrafa?

São inúmeros os questionamentos e desafios que podem surgir no emprego de novas tecnologias. As soluções farão parte do processo do desenvolvimento e empregos dessas tecnologias, como sói acontecer em processos disruptivos, lembrando que os benefícios são maiores que os desafios.

A manutenção da autenticidade de uma garrafa vinculada a um NFT após sua aquisição é um desafio complexo, mas existem mecanismos técnicos e estratégicos para mitigar riscos. Vamos explorar soluções reais e casos práticos:

1. Controle Físico por Custódia (Solução Mais Eficaz)  

Como Funciona:  

– A garrafa física fica armazenada em um cofre certificado (ex.: adegas  especializadas para essa guarda), e o NFT representa o direito de propriedade.  

– O detentor do NFT pode:  

  – Negociar o NFT em plataformas digitais.  

  – Resgatar a garrafa física (após o resgate, o NFT é “queimado” e removido da blockchain).  

Vantagens:  

– Elimina ou minimiza o risco de adulteração ou consumo não registrado.  

– Mantém a integridade do NFT até o resgate.  

2. Sistemas de Verificação Física  

a) Selos Inteligentes e IoT  

– Etiquetas NFC/QR Code:  

  – Vinculadas à blockchain, registram cada abertura da garrafa (ex.: selo inteligente da garantia da Garantir).  

Exemplo: o emprego de sensores IoT em caixas de vinho para monitorar temperatura e violação.  

b) Autenticação Física por Terceiros  

– Certificadoras Independentes:  

  – Empresas especializadas auditam garrafas periodicamente para confirmar sua existência e estado.  

  – Caso a garrafa venha a ser consumida ou danificada, o NFT é marcado como “inativo” na blockchain.  

3. Smart Contracts com Condições  

Cláusulas Programáveis:  

– Um smart contract (contrato automático na blockchain) pode exigir:  

  – Prova de Existência: Envio anual de fotos/vídeos da garrafa com código NFT visível (validação via IA).  

  – Multas por Não Cumprimento: Se o dono não provar a integridade, o NFT é bloqueado para negociação.  

4. Gestão de Herança e Transferência  

a) Registro de Herdeiros no NFT:  

– Plataformas como OpenSea permitem adicionar “herdeiros digitais” ao NFT via sistema de herança programável (ex.: Ethereum Name Service).  

b) Notificação Automática:  

– Soluções de Identidade Digital:  

  – Serviços como BrightID vinculam NFTs a identidades verificadas. Em caso de falecimento, herdeiros são notificados.  

5. Riscos e Limitações  

a) Garrafas Fora de Custódia:  

– Se o dono retirar a garrafa do cofre e consumi-la sem atualizar a blockchain, o NFT continuará ativo, mas perderá valor por falta de lastro.  

b) Soluções Emergentes:  

– Tokenização Fracionada:  

  – NFTs representam partes de uma garrafa (ex.: 10%), reduzindo o risco de “sumiço” total.  

  – Plataforma Vinovest permite investir em frações de vinhos raros via NFTs.  

c) Auditoria Comunitária:  

– Mercados como Rarible permitem que usuários denunciem NFTs fraudulentos, que podem ser investigados e removidos.  

Caso Prático: Garrafa Consumida sem Registro  

1. Sem custódia:  

   – O NFT permanece ativo, mas seu valor cai drasticamente, pois compradores futuros exigirão comprovação física.  

2. Com custódia:  

   – O NFT só existe enquanto a garrafa estiver no cofre; se resgatada, o NFT é queimado.  

Tecnologia antifraude (selos IoT, smart contracts).  

1. Selos IoT: Definição e Funcionamento  

O que são: Dispositivos inteligentes conectados à internet que monitoram e transmitem dados em tempo real sobre um produto.  

No contexto de vinhos:  

– Sensores embutidos em rolhas, cápsulas ou etiquetas coletam dados como:  

  – Temperatura (exposição ao calor/frio).  

  – Umidade (condições de armazenamento).  

  – Integridade física (se a garrafa foi aberta).  

2. Chip na Rolha: Como Funciona?  

a) Tecnologia Proposta:  

– Sensor de ruptura: Um circuito elétrico integrado à rolha que se rompe quando a garrafa é aberta, gerando um alerta na blockchain.  

– Sistemas automáticos: Se o chip detectar abertura, marca o NFT como “consumido” (ex.: Selinko).  

b) Falecimento do Dono/Herdeiros:  

– Herança Digital: Plataformas como Safe Heritage permitem vincular NFTs a testamentos digitais.  

– Expiração Programada: Smart contracts podem transferir automaticamente NFTs após um período de inatividade.  

CONCLUSÃO

Como vimos e sabemos, o mundo digital nos impressiona com tamanha inovação, e sua velocidade nos põe a refletir se conseguimos acompanhar. Certo é que, quem não estiver atento às mudanças, estará fadado à beira do abismo.

Hoje abordamos apenas algumas tecnologias e exercitamos reflexões, mas quem acompanha o setor, sabe que haverá uma revolução cujos benefícios são muito positivos.

O objetivo é trazer à reflexão mercados em ebulição, investimentos necessários, tempo de maturação, gestação e implantação. Como sabemos, mercado de vinho não é imediato, é para gerações.

Mas, a reflexão que deixo hoje é, em meio a tanta tecnologia, o néctar engarrafado ainda será o principal elemento. Será?

Fala-se em pertencimento, luxo invisível, tecnologia, mas o sabor do verdadeiro vinho compartilhado com alguém ou momentos especiais continuará sendo mantido, como há milhares de anos.

Seria pretensão querer  exaurirmos a quantidade infinita de aplicações que a tecnologia vai nos beneficiar apenas em um artigo …

A pergunta final que fica é?

Você prefere consumir tecnologia ou consumir vinho? Você trocaria a experiencia do gole pela experiencia do colecionismo?

Spoiler: Nos vemos semana que vem com entrevista de um produtor especial de vinhos brasileiros. Aguardem!

Viva, saúde! Até a próxima semana.

Alexandre Ferreira,

Founder na Farinatta Wine Store, curador de vinhos.

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