Evento internacional reúniu profissionais de mais de 70 países e aponta transformações que podem gerar novas oportunidades para fornecedores e prestadores de serviços ligados à indústria offshore brasileira, especialmente em regiões como a Bacia de Campos
A transformação da indústria marítima mundial, impulsionada pela inteligência artificial, digitalização das operações, transição energética e novas exigências de sustentabilidade, esteve no centro das discussões do IMPA Londres 2026, realizado nos dias 22 e 23 de setembro, no QEII Centre, na capital britânica.
Considerado um dos principais encontros internacionais voltados à cadeia de suprimentos marítimos, o evento reuniu profissionais de mais de 70 países, entre armadores, operadores, gestores de frota, compradores, fornecedores e fabricantes.

Entre as empresas brasileiras presentes esteve a Maritime Ship Service, que levou ao encontro internacional a experiência acumulada em mais de duas décadas de atuação no fornecimento de produtos e serviços para embarcações.
Tecnologia muda a cadeia de fornecimento marítimo
Ao longo de mais de quatro décadas, o IMPA se consolidou como ambiente de aproximação entre compradores e fornecedores da indústria marítima. Em 2026, a programação evidenciou como essa relação está sendo transformada pela tecnologia.
Inteligência artificial, transformação digital, sustentabilidade, gestão ambiental e desenvolvimento de talentos ganharam espaço nos debates. No caso da IA, as discussões avançaram para aplicações no procurement marítimo, eficiência operacional, análise de dados e tomada de decisões.
“Participar do IMPA Londres 2026 foi uma oportunidade de dar visibilidade ao trabalho que as empresas brasileiras desenvolvem e, ao mesmo tempo, aprender com o que está sendo construído no mercado internacional. Estamos vivendo uma transformação muito rápida, com inteligência artificial, digitalização, sustentabilidade, mudanças nos modelos de compra e novas exigências para as cadeias de suprimentos. Precisamos estar na ponta dessas discussões”, afirma Thiago Nascimento, CEO da Maritime Ship Service.
Novo ciclo marítimo pode ampliar oportunidades na Bacia de Campos
Para o Norte Fluminense, essas transformações internacionais têm uma relação direta com a economia regional. A Bacia de Campos permanece como um dos principais polos brasileiros de produção offshore, sustentando uma extensa cadeia de empresas de logística, manutenção, transporte, alimentação, hotelaria, serviços técnicos e fornecimento de produtos para embarcações.
Nesse contexto, Macaé ocupa posição estratégica como base de operações e serviços ligados à indústria de óleo, gás e energia. Assim, o aumento dos investimentos offshore não movimenta somente grandes companhias: pode gerar demanda ao longo de uma cadeia que alcança fornecedores especializados, pequenas e médias empresas e profissionais qualificados.

A frota de apoio marítimo em águas jurisdicionais brasileiras encerrou maio de 2026 com 471 embarcações, sendo 390 de bandeira brasileira. Quanto maior a atividade dessas embarcações, maior tende a ser também a necessidade de abastecimento, manutenção, logística, alimentação, equipamentos, transporte e diferentes serviços de apoio.
Esse cenário ganha dimensão ainda maior diante dos investimentos programados para águas profundas e ultraprofundas. Em maio, a Petrobras assinou contratos no valor de R$ 11 bilhões para construção, afretamento e operação de quatro embarcações de apoio submarino.
Macaé e região diante de uma cadeia mais tecnológica
Para a economia regional, entretanto, o desafio não será apenas acompanhar o aumento da demanda.
As discussões realizadas no IMPA Londres indicam que as empresas fornecedoras terão de se adaptar a um mercado cada vez mais digitalizado, integrado e exigente em critérios ambientais, rastreabilidade, produtividade e cumprimento de prazos.
Isso significa que empresas de Macaé e de outros municípios ligados à cadeia offshore da Bacia de Campos terão oportunidades, mas também precisarão investir em tecnologia, qualificação profissional, gestão, certificações e sustentabilidade para disputar contratos em uma indústria que adota padrões cada vez mais globais.
Fundada em 2005, a Maritime Ship Service atua há mais de duas décadas no fornecimento de produtos de consumo de bordo e serviços navais, atendendo embarcações nos principais portos do Nordeste.
“Hoje, não basta entregar um produto no navio. É preciso entender a operação, antecipar demandas, trabalhar com fornecedores confiáveis, reduzir desperdícios, cumprir prazos e incorporar soluções que tornem a cadeia mais eficiente e sustentável”, avalia Thiago Nascimento.
Uma oportunidade para fornecedores regionais
A experiência apresentada no IMPA Londres ajuda a mostrar uma mudança importante para regiões petrolíferas brasileiras: o próximo ciclo offshore não deverá ser determinado apenas pelo volume dos investimentos, mas também pela capacidade das empresas locais de se integrarem às novas exigências da cadeia marítima internacional.
Para Macaé e o Norte Fluminense, isso pode representar oportunidades para negócios que vão muito além das atividades realizadas diretamente nas plataformas.
Logística, manutenção naval, tecnologia, alimentação, hotelaria, transporte, treinamento, segurança, equipamentos, serviços ambientais e suprimentos estão entre os segmentos conectados direta ou indiretamente ao crescimento da atividade marítima.
Thiago Nascimento, que assumirá a presidência da Associação Brasileira de Fornecedores e Serviços a Navios (ABFN) a partir de 2027, considera que o Brasil possui condições para ampliar sua participação nesse mercado.
“O Brasil possui uma costa extensa, uma indústria offshore relevante e uma cadeia marítima que está entrando em um novo ciclo de investimentos. Estar no IMPA Londres é uma forma de aproximar o Brasil das tendências globais e trazer esse conhecimento para dentro da nossa operação”, afirma.
Para uma região cuja economia mantém forte relação com o offshore, o movimento observado em Londres deixa um recado importante: os investimentos estão voltando a abrir oportunidades, mas uma parcela maior dessa riqueza permanecerá na economia regional quanto maior for a capacidade das empresas locais de se qualificar, inovar e participar da cadeia de fornecimento.



