segunda-feira, agosto 31

Com cerca de 25 mil mudas já plantadas e mais 11 mil previstas, município amplia a cobertura verde, recupera áreas do Rio Macaé e se apresenta como referência regional em resiliência urbana

Em um período marcado pelo avanço das ondas de calor, pela ocorrência de chuvas intensas e pela pressão crescente sobre os serviços públicos, Macaé vem tratando a arborização e a recuperação florestal como investimentos estratégicos para o futuro da cidade. A política municipal mostra que plantar e preservar árvores deixou de ser apenas uma ação de paisagismo: passou a integrar as áreas de saúde, planejamento urbano, proteção ambiental e desenvolvimento econômico.

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O desafio está presente em todo o país. Dados das características urbanísticas do entorno dos domicílios do Censo 2022 mostram que 58,7 milhões de brasileiros viviam em trechos de vias sem nenhuma árvore. Outros 114,9 milhões residiam em ruas com alguma arborização, mas somente 32,1% da população pesquisada estava em trechos com cinco árvores ou mais. IBGE

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, aproximadamente 25 mil mudas foram plantadas desde o início da atual gestão. Desse total, cerca de 5 mil foram destinadas à arborização urbana e outras 20 mil à recuperação ambiental do Rio Macaé. Para 2026, está previsto o plantio de mais de 11 mil mudas nativas, incluindo espécies próprias de ecossistemas de restinga e manguezal.

O contrato municipal de arborização contempla não somente o fornecimento e o plantio das mudas, mas também manutenção, materiais, equipamentos, mão de obra e supervisão técnica. Esse cuidado é fundamental porque o resultado de uma política florestal não deve ser medido apenas pelo número de árvores plantadas, mas pela sobrevivência das mudas, pelo crescimento das copas e pelos benefícios efetivamente produzidos ao longo dos anos.

Reconhecimento e planejamento

Em março de 2026, Macaé recebeu pela primeira vez a certificação internacional “Cidade Árvore do Mundo”, concedida pelo programa Tree Cities of the World, desenvolvido pela Arbor Day Foundation em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura — FAO.

O reconhecimento está relacionado à adoção de uma estrutura permanente de gestão da arborização. O município também possui um Manual de Arborização Urbana, aprovado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável por meio da Resolução nº 001/2025.

O documento estabelece diretrizes para planejamento, escolha das espécies, plantio, poda, manutenção e compatibilidade das árvores com calçadas, redes elétricas e demais equipamentos urbanos.

Esses instrumentos são especialmente importantes para uma cidade que continua crescendo e recebendo novos empreendimentos residenciais, comerciais e industriais. A expansão urbana precisa ocorrer sem eliminar áreas verdes ou aumentar excessivamente a impermeabilização do solo.

Árvores funcionam como infraestrutura pública

Pesquisas internacionais reforçam a importância dessa estratégia. Estudo publicado em 2026 na revista científica Nature Communications concluiu que a cobertura arbórea existente neutraliza aproximadamente metade do efeito potencial das ilhas de calor nas cidades analisadas. Diretamente sob fileiras de árvores, a redução da temperatura do ar pode chegar, em média, a um ou dois graus Celsius. Nature Communications

Outro estudo, publicado na revista The Lancet e realizado em 93 cidades europeias, estimou que elevar a cobertura arbórea urbana para 30% poderia reduzir a temperatura média em 0,4 grau e evitar 2.644 mortes prematuras relacionadas ao calor. Embora os números não possam ser transferidos automaticamente para a realidade brasileira, eles demonstram a dimensão dos benefícios que uma política consistente pode produzir. The Lancet/PubMed

As árvores também ajudam a interceptar a chuva, aumentam a infiltração da água no solo e reduzem o volume que chega rapidamente às redes de drenagem. Além disso, o sombreamento de prédios, casas, estacionamentos e calçadas diminui a necessidade de refrigeração artificial e torna os deslocamentos a pé mais confortáveis.

A Organização Mundial da Saúde relaciona a presença de áreas verdes à redução do estresse, ao estímulo da atividade física, ao fortalecimento da convivência comunitária e à menor exposição da população ao calor, ao ruído e a determinados poluentes. Organização Mundial da Saúde

Impactos econômicos e geração de trabalho

Os efeitos do reflorestamento urbano chegam igualmente à economia. Uma cidade mais arborizada pode reduzir gastos públicos com drenagem, manutenção de áreas degradadas e atendimento a doenças agravadas pelo calor. Famílias e empresas também podem economizar energia com a menor utilização de aparelhos de ar-condicionado.

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A política cria ainda uma cadeia de empregos que envolve viveiros, produção de mudas, coleta de sementes, irrigação, paisagismo, poda, engenharia florestal, recuperação de áreas degradadas, geoprocessamento e monitoramento ambiental.

Ambientes urbanos mais verdes também contribuem para a valorização imobiliária, o turismo e a atratividade da cidade para novos investimentos.

Desafio regional

A iniciativa de Macaé ganha relevância diante da situação climática regional. O edital federal ArborizaCidades de 2026 incluiu Macaé, Rio das Ostras e Cabo Frio entre os municípios que apresentaram diferença superior a dois graus Celsius na temperatura máxima registrada entre 2000 e 2025. Ministério do Meio Ambiente

O dado evidencia que as cidades da Costa do Sol e do Norte Fluminense precisam incorporar a infraestrutura verde aos seus planos diretores, projetos de mobilidade, novos loteamentos e programas habitacionais.

Ruas arborizadas, parques, corredores ecológicos, margens de rios recuperadas e áreas permeáveis devem crescer juntamente com a construção civil.

Plantar é apenas o primeiro passo

O avanço de Macaé representa um exemplo positivo, mas o sucesso da política dependerá de acompanhamento contínuo. Entre os indicadores necessários estão a sobrevivência das mudas após um, três e cinco anos; a evolução da cobertura de copa em cada bairro; a redução das temperaturas; a diversidade das espécies; e a prioridade concedida às comunidades mais quentes e com menor presença de áreas verdes.

O Secretário de Governo Juninho Luna falou a nossa reportagem sobre o reflorestamento Urbano no município: “Também é essencial preservar as árvores adultas. Uma muda leva anos para oferecer a mesma sombra, retenção de água e proteção ambiental de uma árvore madura. Por isso, reflorestar deve significar plantar corretamente, cuidar permanentemente e evitar perdas desnecessárias do patrimônio natural já existente, essa tem sido a orientação do Prefeito Welberth” .

Ao estruturar sua política de arborização e recuperação florestal, Macaé demonstra que desenvolvimento urbano e preservação ambiental não precisam seguir caminhos opostos. Quando planejadas como infraestrutura pública, as árvores ajudam a produzir uma cidade mais saudável, valorizada, economicamente eficiente e preparada para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

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