Capacitação e políticas públicas são apontadas como pilares para transformar talento em desenvolvimento econômico
Por Redação – Portal Economia & Negócios
Em um momento em que a diversificação da economia se torna prioridade para municípios que buscam reduzir a dependência de setores tradicionais, Rio das Ostras aposta na valorização da economia criativa como estratégia de geração de emprego, renda e fortalecimento do turismo. Dentro desse contexto, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, realizará no próximo 6 de agosto, das 9h às 17h, no Teatro Municipal Joel Barcelos, o Fórum Municipal do Artesanato, reunindo profissionais do setor para discutir políticas públicas e o futuro da atividade no município.
A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas à capacidade do teatro. Os interessados devem realizar inscrição antecipada por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela organização. Podem participar artesãos com cadastro ativo no Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) ou portadores da Carteira Municipal do Artesão.
Com o tema “Artesanato com pertencimento: caminhos para valorizar, organizar e fortalecer o setor”, o encontro pretende ser muito mais do que um evento institucional. A proposta é construir, de forma participativa, diretrizes para o desenvolvimento do artesanato local, ouvindo diretamente quem vive da atividade e conhece seus desafios diários.
Muito além da arte: uma atividade econômica
Embora frequentemente seja associado apenas ao aspecto cultural, o artesanato representa uma importante cadeia produtiva da economia criativa. Cada peça produzida movimenta diversos segmentos, desde fornecedores de matéria-prima até transporte, comércio, gastronomia e turismo.
Em cidades turísticas como Rio das Ostras, o artesanato agrega valor à experiência do visitante, fortalece a identidade cultural do destino e contribui para ampliar o tempo de permanência dos turistas, gerando reflexos positivos para hotéis, restaurantes, comércio e serviços.
PUBLICIDADE
Além disso, trata-se de uma atividade de baixo impacto ambiental, baseada na criatividade, no conhecimento e na valorização das tradições locais, características cada vez mais valorizadas pelo mercado contemporâneo.
Um setor que ainda enfrenta desafios
Apesar de sua relevância econômica, o artesanato ainda convive com dificuldades históricas.
Grande parte dos profissionais atua de maneira informal, enfrenta limitações de acesso a crédito, dificuldades para comercialização, ausência de capacitação em gestão, marketing digital, precificação e acesso reduzido a feiras e mercados consumidores.
Muitos artesãos possuem enorme talento na produção de suas peças, mas carecem de conhecimentos fundamentais para transformar habilidade artística em empreendimento sustentável.
É justamente nesse ponto que a atuação do poder público se torna decisiva.
Investir em capacitação é investir em desenvolvimento
Especialistas em desenvolvimento regional defendem que políticas públicas voltadas à economia criativa não devem limitar-se apenas à oferta de espaços para comercialização.
Programas permanentes de qualificação em empreendedorismo, inovação, design, identidade territorial, marketing, fotografia de produtos, comércio eletrônico, inteligência artificial aplicada aos pequenos negócios e educação financeira podem elevar significativamente a renda dos artesãos.
Da mesma forma, a criação de redes colaborativas, cooperativas, incubadoras de negócios criativos e parcerias com instituições como Sebrae, universidades e entidades empresariais amplia as oportunidades de crescimento do setor.
Quando isso acontece, o artesão deixa de vender apenas um produto e passa a comercializar identidade, cultura, experiência e valor agregado.
Economia criativa: um investimento de alto retorno social
Diversos estudos internacionais demonstram que a economia criativa figura entre os segmentos com maior capacidade de geração de empregos, principalmente para mulheres, jovens, trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores.
Além do impacto econômico, o setor contribui para preservar patrimônios culturais, estimular a inovação, fortalecer comunidades e ampliar o sentimento de pertencimento da população com sua própria cidade.
Por isso, iniciativas como o Fórum Municipal do Artesanato representam uma oportunidade para transformar demandas históricas da categoria em políticas públicas permanentes, capazes de consolidar um ambiente favorável ao crescimento do setor.
Construção coletiva
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Pablo Kling, o encontro marca uma nova etapa na organização da política pública voltada ao artesanato.
“Não estamos realizando apenas um encontro. O objetivo é estabelecer um método de gestão: ouvir os artesãos, organizar as demandas, construir critérios transparentes e transformar as contribuições em diretrizes e ações concretas. O artesanato é expressão da identidade de Rio das Ostras, mas também é trabalho, renda, economia criativa e um importante ativo para o desenvolvimento turístico do município.”
A proposta da Prefeitura é utilizar as contribuições apresentadas durante o fórum como base para estruturar futuras ações voltadas ao fortalecimento da categoria, ampliando oportunidades para os profissionais e consolidando o artesanato como um vetor estratégico da economia local.

