Levantamento inédito do PMCTA revela força da aviação offshore fluminense e destaca Macaé como uma das principais bases operacionais das bacias de Campos e Santos
O Estado do Rio de Janeiro consolidou sua liderança absoluta na aviação offshore brasileira, concentrando 92,2% de todos os voos de suporte às atividades de petróleo e gás registrados entre 2022 e 2024. Os dados são do Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCTA), estudo realizado no âmbito do Licenciamento Ambiental Federal, conduzido pelo Ibama e de responsabilidade da Petrobras.
O levantamento confirma o protagonismo fluminense na logística aérea que sustenta a produção de petróleo em alto-mar e reforça a importância estratégica de municípios como Macaé, Campos dos Goytacazes, Cabo Frio, Rio de Janeiro e Maricá para o funcionamento da indústria energética nacional.
Durante o período analisado, foram registrados 137.209 voos offshore e a movimentação de aproximadamente 2,58 milhões de passageiros nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O crescimento também chama atenção: o número de passageiros transportados aumentou 21,2%, passando de 775 mil em 2022 para 939.889 em 2024.
Macaé mantém posição estratégica na logística offshore
Conhecida nacionalmente como a Capital Brasileira da Energia, Macaé continua desempenhando papel fundamental na cadeia produtiva do petróleo e gás. O município abriga uma das mais importantes estruturas de apoio operacional às atividades offshore das bacias de Campos e Santos, funcionando como centro logístico para empresas operadoras, prestadoras de serviços e transporte de trabalhadores para plataformas marítimas.
Além da presença de grandes empresas do setor, a cidade conta com infraestrutura aeroportuária, rede hoteleira, serviços especializados, centros de treinamento e mão de obra altamente qualificada, elementos que consolidam sua posição como uma das principais bases de suporte à produção offshore do país.
A relevância de Macaé vai além da movimentação aérea. A cidade tornou-se um verdadeiro ecossistema da indústria energética, concentrando investimentos, inovação tecnológica, geração de empregos e oportunidades de negócios que impactam diretamente toda a economia do Norte Fluminense e da Costa do Sol.
Bacia de Campos lidera movimentação nacional
O estudo aponta que a Bacia de Campos segue como a principal região produtora atendida pela aviação offshore brasileira. Entre 2022 e 2024, a bacia respondeu por 44,6% de todos os passageiros transportados, totalizando aproximadamente 1,15 milhão de pessoas.
A Bacia de Santos aparece em segundo lugar, com participação de 37,4%, enquanto as operações ligadas ao Espírito Santo representaram 18% do fluxo monitorado.
Os números refletem a importância das atividades offshore para a economia brasileira e evidenciam a necessidade crescente de infraestrutura logística eficiente para atender à expansão da produção de petróleo e gás.
Campos lidera, Maricá cresce e fortalece operações
O levantamento mostra que apenas quatro aeroportos concentraram 88% de toda a movimentação de passageiros registrada pelo PMCTA no período.
O destaque permanece com o Heliporto Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, que registrou 380.743 passageiros somente em 2024 e acumulou aproximadamente 980 mil passageiros no triênio, representando sozinho 38% de toda a movimentação aérea offshore nacional.
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Outro dado que chama atenção é o crescimento acelerado do Aeroporto de Maricá. O terminal registrou aumento de 396% no número anual de passageiros, passando de 14.018 em 2022 para 69.601 em 2024. No acumulado do período, foram mais de 103 mil passageiros transportados, consolidando o município como uma nova base estratégica para operações ligadas à Bacia de Santos.
Aviação offshore impulsiona desenvolvimento regional
A movimentação aérea associada à indústria do petróleo vai muito além do transporte de trabalhadores. Ela gera demanda por hotéis, restaurantes, serviços de manutenção aeronáutica, transporte terrestre, centros de treinamento e uma ampla cadeia de fornecedores especializados.
Para municípios como Macaé, Campos dos Goytacazes, Cabo Frio e Maricá, o fortalecimento da aviação offshore representa mais empregos, arrecadação tributária, atração de investimentos e desenvolvimento econômico sustentável.
Com os investimentos previstos para as bacias de Campos e Santos nos próximos anos, a expectativa é de que a demanda por transporte aéreo offshore continue crescendo, fortalecendo ainda mais o papel do Rio de Janeiro como principal hub energético do Brasil e mantendo Macaé entre os protagonistas dessa transformação.
O que é o PMCTA
O Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCTA) é uma iniciativa vinculada ao Licenciamento Ambiental Federal conduzido pelo Ibama para monitorar os impactos e a movimentação aérea relacionados às operações de produção e escoamento de petróleo e gás natural nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo.
Os dados do programa servem como importante instrumento para planejamento logístico, gestão ambiental e acompanhamento da evolução da atividade offshore no Brasil.

