Estudos recentes apontam que tanto a deficiência quanto o excesso de vitamina D podem comprometer a osseointegração e aumentar o risco de perda dos implantes
Por Juliana Ajuz Campos – Cirurgiã-Dentista, Mestre em Implantodontia, Nutricionista e Psicanalista Clínica
O sucesso de um implante dentário depende de uma série de fatores amplamente conhecidos pelos profissionais da odontologia, como a qualidade óssea do paciente, a higiene bucal, o controle de doenças sistêmicas e hábitos como o tabagismo. No entanto, um fator simples e muitas vezes negligenciado vem ganhando destaque na literatura científica: os níveis de vitamina D no organismo.
Embora tradicionalmente associada à absorção de cálcio e à saúde óssea, a vitamina D desempenha um papel muito mais amplo. Ela atua diretamente na modulação da resposta imunológica e inflamatória, influenciando processos fundamentais para a osseointegração — etapa em que o implante se une ao osso de forma estável e permanente.
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Pesquisas recentes demonstram que pacientes com deficiência de vitamina D apresentam alterações biológicas capazes de comprometer o sucesso do tratamento. Entre elas está o aumento da produção da molécula RANKL, responsável por estimular a reabsorção óssea, e a redução da interleucina IL-10, uma importante citocina anti-inflamatória. O resultado é um ambiente menos favorável para a manutenção dos tecidos ao redor dos implantes.
Um estudo clínico publicado em 2025 na revista científica Clinical Implant Dentistry and Related Research identificou essas alterações diretamente no fluido peri-implantar de pacientes com insuficiência de vitamina D, reforçando a relação entre o nutriente e a saúde dos implantes dentários.
O excesso também preocupa
Se por um lado a deficiência representa um risco, o excesso de vitamina D também merece atenção. Um estudo retrospectivo publicado em 2025 no Journal of Prosthetic Dentistry revelou que pacientes com níveis séricos acima de 70 ng/mL apresentaram risco até 21 vezes maior de desenvolver falhas nos implantes ou perda óssea peri-implantar severa.
Os pesquisadores observaram que o comprometimento foi ainda mais significativo em implantes instalados na maxila, evidenciando que existe uma faixa considerada mais segura para o organismo. Segundo os estudos, os melhores resultados clínicos foram observados em pacientes com níveis entre 30 e 70 ng/mL.
Uma visão mais integrada da saúde
Apesar das evidências científicas, a dosagem sérica da vitamina D ainda não faz parte da rotina da maioria dos planejamentos implantodônticos. Exames de imagem, avaliações periodontais e análises da estrutura óssea são procedimentos comuns, mas poucos profissionais investigam sistematicamente o estado metabólico e imunológico do paciente antes da cirurgia.
Especialistas defendem uma abordagem mais integrada, considerando que o implante não é instalado apenas em um osso, mas em um organismo complexo, cuja saúde geral influencia diretamente o resultado do tratamento.
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A solicitação do exame de vitamina D, conhecido como 25(OH)D sérica, pode representar uma medida preventiva simples, de baixo custo e potencialmente decisiva para aumentar as chances de sucesso da reabilitação oral.
Prevenção e planejamento
Para os especialistas, identificar previamente uma deficiência ou um excesso de vitamina D permite correções adequadas antes da cirurgia, reduzindo riscos e favorecendo uma melhor resposta biológica do organismo.
Em um cenário onde a odontologia caminha cada vez mais para uma visão integrativa da saúde, a avaliação dos níveis de vitamina D surge como uma ferramenta importante para profissionais que buscam maior previsibilidade e segurança nos tratamentos com implantes dentários.
Palavras-chave: vitamina D, implantes dentários, osseointegração, saúde bucal, implantodontia, odontologia integrativa, reabilitação oral, saúde peri-implantar.



