Borbulhas Quentes & Frescas, por Alexandre Ferreira
O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …
Imagem meramente ilustrativa
O cenário para os amantes de vinho no Brasil está prestes a mudar drasticamente. Após décadas de negociações, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia avançou em 2026, com aprovação pelo Senado brasileiro em março deste ano. Para o consumidor, a promessa é de taças mais cheias a preços mais justos; para o produtor nacional, o desafio é a competitividade.
1. O Raio-X das Importações Atuais
Para não deixar dúvidas aos nossos leitores, analisamos o desempenho dos quatro gigantes europeus no mercado brasileiro. Em 2025, o Brasil atingiu o recorde histórico de US$ 561,2 milhões em importações de vinhos. Portugal, especificamente, consolidou-se como o terceiro maior exportador para o Brasil em valor, superando o Reino Unido no ranking global de seus destinos.
Volume de Importação por Origem (Dados 2024/2025)
| PAÍS | VOLUME (LITROS) | VARIAÇÃO | FONTE VERIFICÁVEL |
| Portugal | 28.600.000 L | +10,6% | CCL-Brasil / IVV |
| Itália | 12.800.000 L* | +8,4% | Alagoas Alerta (MAPA) |
| França | 8.400.000 L* | +7,2% | ProWine São Paulo |
| Espanha | 6.900.000 L* | +5,5% | SBT News |
*Os números para Itália, França e Espanha são calculados proporcionalmente à participação histórica de mercado e ao volume total de 166,5 milhões de litros reportado para o ciclo 2024/2025. Ideal BI Consulting +1
2. Tarifas: O que muda e quando?
Atualmente, o vinho europeu é tributado com uma alíquota de 27% de Imposto de Importação. O novo cronograma de desgravação prevê prazos distintos para proteger setores sensíveis, como o de espumantes nacionais.
Quadro Comparativo de Alíquotas e Prazos
| Categoria de Produto | Alíquota Atual | Alíquota Futura | Prazo para Isenção Total |
| Vinhos Finos (Base) | 27% | 0% | Gradual em até 8 anos |
| Vinhos Premium (> US$ 5) | 27% | 0% | Imediato / 4 anos |
| Espumantes | 27% | 0% | 12 anos |
| Vinhos de Mesa (Granel) | 27% | 0% | 15 anos |
3. A Base Legal e Regulamentação
No Brasil, a produção e comercialização de vinhos são regidas pela Lei nº 7.678/1988 e regulamentadas pelo Decreto nº 8.198/2014. O novo acordo será incorporado via Decreto Legislativo após a ratificação total, e trará o uso de Salvaguardas — um mecanismo que permite ao governo brasileiro elevar temporariamente os impostos caso as importações causem dano grave à indústria local.
4. Vantagens e Riscos: O Equilíbrio da Balança
- Vantagens: O consumidor final poderá ver reduções de até 30% no preço das garrafas europeias. Além disso, haverá maior facilidade na importação de tecnologia e insumos para as vinícolas brasileiras.
- Riscos: A competitividade é o grande “gargalo”. O setor nacional teme a entrada de vinhos europeus de baixo custo (subsidiados na origem), o que pode pressionar as vinícolas da Serra Gaúcha e de Santa Catarina e demais regiões brasileiras.
5. O Vinho Brasileiro na Europa: Novas Fronteiras?
Sim, as condições para exportação melhoram significativamente. O acordo não apenas reduz tarifas na entrada da Europa, mas garante a proteção das Indicações Geográficas (IGs) brasileiras. Isso significa que vinhos do Vale dos Vinhedos terão o mesmo status de proteção legal que proteções já consagradas mundialmente têm, facilitando o marketing e a entrada em nichos de alta qualidade no Velho Continente.
Realidades distintas x aproximação
Como sabemos, qualquer medida que facilite a comercialização gera impacto positivo entre consumidor, produtor e Estado.
Não podemos esquecer de lembrar que, embora a redução de tarifas melhore a base de cálculo ao longo do prazo, as realidades entre Europa e Brasil no que tange ao custeio são expressivamente diferentes.
Enquanto carregamos taxas de juros extenuantes, a Europa apresenta realidade muito mais vantajosa, juros extremamente mais baixos, programas de longo prazo com empréstimos e redução da obrigação conforme metas alcançadas de geração de emprego e tributos; Diferença de carga tributária do IVA de 23% (geral) para 6% (vinícolas).
Esses são alguns fatores que o consumidor brasileiro não entende o porquê dos preços dos vinhos em Portugal (na origem) chegam ao Brasil com significativa diferença majorada.
O mesmo ocorre com o preço do produto nacional quando comparado ao produto estrangeiro, ainda uma dificuldade para o mercado interno.
Sabemos que muitos movimentos são prejudiciais ao desempenho do setor, a exemplo da figura nefasta “extinta” da Substituição Tributária, que implicava num aumento próximo de 42%, principalmente para empresas do Regime Simples Nacional, que não geram crédito Tributário.
De qualquer sorte, a torcida é positiva, visto que o mercado de vinhos se encontra em ebulição. Ao mesmo tempo que falam da diminuição do consumo de álcool pelas novas gerações, temos novos consumidores migrando de outras bebidas (cerveja e destilado) para o vinho.
Obviamente, com preços mais amigáveis, facilidade de importar e exportar, o consumidor experimenta mais e fomenta a economia.
Viva, até a próxima semana!
Alexandre Ferreira
Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas”, correspondente do Portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Grapes Wine Store; curador de vinhos.
| Para Jantares no Farinatta: reservas@farinatta.com.br redes sociais: Instagram: @farinattabistroearte YouTube: Farinatta loja de vinhos: Instagram: @farinattagrapeswinestore |
“Aprecie com moderação.”
“Proibida venda e consumo a menores de 18 anos.”
“Não dirija se beber.”


