segunda-feira, março 16

Borbulhas Quentes & Frescas, por Alexandre Ferreira

O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …

Imagem meramente ilustrativa

O cenário para os amantes de vinho no Brasil está prestes a mudar drasticamente. Após décadas de negociações, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia avançou em 2026, com aprovação pelo Senado brasileiro em março deste ano. Para o consumidor, a promessa é de taças mais cheias a preços mais justos; para o produtor nacional, o desafio é a competitividade.

1. O Raio-X das Importações Atuais

Para não deixar dúvidas aos nossos leitores, analisamos o desempenho dos quatro gigantes europeus no mercado brasileiro. Em 2025, o Brasil atingiu o recorde histórico de US$ 561,2 milhões em importações de vinhos. Portugal, especificamente, consolidou-se como o terceiro maior exportador para o Brasil em valor, superando o Reino Unido no ranking global de seus destinos.

Volume de Importação por Origem (Dados 2024/2025)

PAÍSVOLUME (LITROS)VARIAÇÃOFONTE VERIFICÁVEL
Portugal28.600.000 L+10,6%CCL-Brasil / IVV
Itália12.800.000 L*+8,4%Alagoas Alerta (MAPA)
França8.400.000 L*+7,2%ProWine São Paulo
Espanha6.900.000 L*+5,5%SBT News

*Os números para Itália, França e Espanha são calculados proporcionalmente à participação histórica de mercado e ao volume total de 166,5 milhões de litros reportado para o ciclo 2024/2025. Ideal BI Consulting +1

2. Tarifas: O que muda e quando?

Atualmente, o vinho europeu é tributado com uma alíquota de 27% de Imposto de Importação. O novo cronograma de desgravação prevê prazos distintos para proteger setores sensíveis, como o de espumantes nacionais.

Quadro Comparativo de Alíquotas e Prazos

Categoria de ProdutoAlíquota AtualAlíquota FuturaPrazo para Isenção Total
Vinhos Finos (Base)27%0%Gradual em até 8 anos
Vinhos Premium (> US$ 5)27%0%Imediato / 4 anos
Espumantes27%0%12 anos
Vinhos de Mesa (Granel)27%0%15 anos

3. A Base Legal e Regulamentação

No Brasil, a produção e comercialização de vinhos são regidas pela Lei nº 7.678/1988 e regulamentadas pelo Decreto nº 8.198/2014. O novo acordo será incorporado via Decreto Legislativo após a ratificação total, e trará o uso de Salvaguardas — um mecanismo que permite ao governo brasileiro elevar temporariamente os impostos caso as importações causem dano grave à indústria local.

4. Vantagens e Riscos: O Equilíbrio da Balança

  • Vantagens: O consumidor final poderá ver reduções de até 30% no preço das garrafas europeias. Além disso, haverá maior facilidade na importação de tecnologia e insumos para as vinícolas brasileiras.
  • Riscos: A competitividade é o grande “gargalo”. O setor nacional teme a entrada de vinhos europeus de baixo custo (subsidiados na origem), o que pode pressionar as vinícolas da Serra Gaúcha e de Santa Catarina e demais regiões brasileiras.

5. O Vinho Brasileiro na Europa: Novas Fronteiras?

Sim, as condições para exportação melhoram significativamente. O acordo não apenas reduz tarifas na entrada da Europa, mas garante a proteção das Indicações Geográficas (IGs) brasileiras. Isso significa que vinhos do Vale dos Vinhedos terão o mesmo status de proteção legal que proteções já consagradas mundialmente têm, facilitando o marketing e a entrada em nichos de alta qualidade no Velho Continente.

Realidades distintas x aproximação

Como sabemos, qualquer medida que facilite a comercialização gera impacto positivo entre consumidor, produtor e Estado.

Não podemos esquecer de lembrar que, embora a redução de tarifas melhore a base de cálculo ao longo do prazo, as realidades entre Europa e Brasil no que tange ao custeio são expressivamente diferentes.

Enquanto carregamos taxas de juros extenuantes, a Europa apresenta realidade muito mais vantajosa, juros extremamente mais baixos, programas de longo prazo com empréstimos e redução da obrigação conforme metas alcançadas de geração de emprego e tributos; Diferença de carga tributária do IVA de 23% (geral) para 6% (vinícolas).

Esses são alguns fatores que o consumidor brasileiro não entende o porquê dos preços dos vinhos em Portugal (na origem) chegam ao Brasil com significativa diferença majorada.

O mesmo ocorre com o preço do produto nacional quando comparado ao produto estrangeiro, ainda uma dificuldade para o mercado interno.

Sabemos que muitos movimentos são prejudiciais ao desempenho do setor, a exemplo da figura nefasta “extinta” da Substituição Tributária, que implicava num aumento próximo de 42%, principalmente para empresas do Regime Simples Nacional, que não geram crédito Tributário.

De qualquer sorte, a torcida é positiva, visto que o mercado de vinhos se encontra em ebulição. Ao mesmo tempo que falam da diminuição do consumo de álcool pelas novas gerações, temos novos consumidores migrando de outras bebidas (cerveja e destilado) para o vinho.

Obviamente, com preços mais amigáveis, facilidade de importar e exportar, o consumidor experimenta mais e fomenta a economia.

Viva, até a próxima semana!

Alexandre Ferreira

Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas”, correspondente do Portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Grapes Wine Store; curador de vinhos.

Para Jantares no Farinatta: reservas@farinatta.com.br redes sociais: Instagram: @farinattabistroearte YouTube: Farinatta loja de vinhos: Instagram: @farinattagrapeswinestore

“Aprecie com moderação.”

“Proibida venda e consumo a menores de 18 anos.”

“Não dirija se beber.”

CLIQUE NA IMAGEM, SAIBA MAIS !
Exit mobile version