sábado, março 7

A insônia afeta mais de 40% dos idosos brasileiros, segundo dados da Sociedade Brasileira do Sono (SBS). O problema, antes visto como “normal” do envelhecimento, hoje é encarado pela medicina como uma condição tratável, com impacto direto sobre a saúde física, mental e cognitiva.

A ciência moderna vem mostrando que dormir bem é um dos pilares da longevidade saudável — reduz riscos de doenças cardiovasculares, melhora a imunidade, preserva a memória e o humor. Mas, no Brasil, ainda há um desafio: como levar os avanços da medicina do sono a toda a população idosa, especialmente no SUS.

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Comportamento e terapia: o novo pilar do tratamento

A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), já consagrada nos Estados Unidos e Europa, começa a ganhar espaço no país.
Hospitais universitários como o HC da USP, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Hospital das Clínicas da Unicamp mantêm programas experimentais com TCC-I, com resultados superiores aos medicamentos de uso prolongado.

A boa notícia é que já existem versões online e gratuitas de programas de TCC-I, desenvolvidos por universidades e startups de saúde digital, permitindo que idosos participem de terapias mesmo à distância.
O Ministério da Saúde analisa atualmente a inclusão de terapias comportamentais digitais em programas de atenção primária ao idoso.

Medicamentos de última geração: disponíveis, mas com custo alto

No Brasil, ainda há predomínio do uso de benzodiazepínicos e “Z-drugs” (como zolpidem e zopiclona). Essas substâncias, embora eficazes a curto prazo, oferecem riscos importantes na terceira idade: quedas, confusão mental, sonolência diurna e dependência.

Por isso, médicos têm buscado opções mais seguras:

  • Agonistas de melatonina, como ramelteon (importado) e melatonina de liberação prolongada, já são prescritos, especialmente para idosos acima de 55 anos.
  • Antagonistas de orexina, como suvorexant e daridorexant, chegam ao mercado brasileiro apenas via importação, com custos elevados (em torno de R$ 400 a R$ 800 mensais).
  • A melatonina de venda livre em farmácias brasileiras ainda é considerada suplemento alimentar, com controle limitado da qualidade e da dose — o que exige cautela médica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa estudos sobre a introdução formal dos antagonistas de orexina no país, com aprovação esperada até 2026.

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Rotina, luz solar e atividade física: remédios naturais com efeito científico

Os especialistas reforçam: nenhum medicamento substitui o estilo de vida saudável.
Idosos que mantêm rotina fixa para dormir e acordar, exposição ao sol pela manhã, atividade física leve e interação social têm menos episódios de insônia crônica.

Segundo o médico e pesquisador Dr. Fernando Morgadinho, da Sociedade Brasileira do Sono,

“O primeiro passo não é receitar comprimido, e sim corrigir comportamentos que sabotam o sono. Luz excessiva à noite, cochilos longos à tarde e falta de atividade diurna são os principais inimigos do descanso.”

SUS e acesso: o grande desafio

Apesar dos avanços científicos, a maior parte dos idosos brasileiros não tem acesso a terapias modernas de sono.
No SUS, ainda predominam os tratamentos farmacológicos tradicionais. Faltam profissionais treinados em TCC-I e centros de medicina do sono em muitas regiões.

Entretanto, projetos-piloto vêm surgindo:

  • O Programa Envelhecer com Saúde, em parceria com universidades federais, inclui capacitação de profissionais da atenção básica para orientar idosos sobre higiene do sono.
  • O Telessaúde Brasil estuda incorporar intervenções digitais de sono em 2026.
  • Já há planos de saúde privados que começaram a oferecer CBT-I online como parte de pacotes de saúde mental.

Pesquisas e o futuro do sono saudável

Laboratórios brasileiros como o Instituto do Cérebro da UFRN e o Centro de Estudos do Sono da Unifesp investigam novas moléculas e a relação entre insônia, Alzheimer e declínio cognitivo.

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Os estudos mostram que tratar o sono adequadamente pode retardar o envelhecimento cerebral. Em idosos que dormem mal, há aumento da proteína beta-amiloide, associada ao Alzheimer.

O Brasil também participa de ensaios clínicos internacionais sobre o daridorexant, nova medicação que atua no sistema de orexina, o “botão biológico da vigília”.

O sono como política pública de envelhecimento

Tratar a insônia da terceira idade é mais do que buscar noites tranquilas — é promover saúde cerebral, prevenir quedas e reduzir custos hospitalares.

A ciência brasileira já confirma: a combinação de hábitos saudáveis, terapia comportamental e medicamentos modernos é o caminho mais seguro e eficaz.
O desafio agora é tornar esse cuidado acessível a todos os idosos, dentro e fora do SUS.

Redação: Portal Economia & Negócios – Giro Notícias
Fontes: Sociedade Brasileira do Sono, Anvisa, HC-USP, Unifesp, UFRN, Cleveland Clinic, PMC-NCBI, Scientific American.

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