A Coluna Arquitetura & Design conversou com o arquiteto Eduardo Camillo, em um encontro realizado na loja Bentec de Rio das Ostras, para compreender como ele enxerga sua profissão e a relação com os clientes. Em um bate-papo envolvente, Eduardo destacou sua trajetória, seus projetos marcantes e a filosofia que orienta cada desenho feito em seu escritório.
Formação e escolha da carreira
Eduardo relembra que a arquitetura não foi um sonho de infância claramente definido, mas um caminho que se revelou naturalmente a partir de sua paixão pelas artes.
“Eu nunca sonhei em ser arquiteto. Gostava de desenho, pintura e arte. Quando estudei no SENAC, me envolvi com pintura e nanquim, e minha intenção era seguir Belas Artes. Mas acabei conhecendo o curso técnico em Edificações e ali tive meu primeiro contato direto com o universo da engenharia e da arquitetura. Foi um divisor de águas”, relembra.
A partir dessa descoberta, Eduardo mergulhou no universo das construções, chegou a considerar a engenharia, mas percebeu que a arquitetura já estava latente em sua trajetória, unindo técnica e expressão artística.
Projetos que marcaram o início
Em Rio das Ostras, Eduardo fundou seu escritório e logo teve a oportunidade de desenvolver projetos emblemáticos.
“Meus primeiros trabalhos foram um consultório médico e, logo depois, uma residência de 600 m² no Viverde, em que atuei desde a legalização até o design de interiores. Curiosamente, para o mesmo cliente. Esses projetos foram muito importantes porque me deram confiança e mostraram que estava começando com o pé direito”, recorda.
O diferencial: ouvir para projetar
A essência do escritório de Eduardo é clara: os projetos não são vitrines de sua vontade, mas espelhos da identidade de cada cliente.
“Eu não uso meu portfólio como vitrine de possibilidades. Cada projeto nasce da essência da família que vai viver naquele espaço. A casa de um cliente não pode ser referência para o outro. Meu papel é traduzir sonhos, respeitar necessidades e entregar funcionalidade sem impor meu estilo pessoal”, afirma.
O equilíbrio entre estética e funcionalidade
Segundo Eduardo, o desafio maior do arquiteto está em alinhar o desejo com a realidade — financeira, estrutural e prática.
Ele relembra um exemplo:
“Um cliente queria uma casa de 300 m² só porque os amigos tinham casas desse tamanho. Eu o questionei sobre suas reais necessidades e, depois de um estudo detalhado, mostrei que poderia projetar a casa dos sonhos com 250 m², o que representava uma economia de cerca de 200 mil reais na obra. Ele saiu sorrindo e aprovou o projeto junto com toda a família. Esse é o papel do arquiteto: orientar com honestidade e técnica.”
Educação e informação para os clientes
Com a preocupação em aproximar o público do universo da arquitetura, Eduardo prepara uma série de vídeos sobre técnicas construtivas e materiais inovadores.
“É fundamental que o cliente entenda sobre novas opções, como placas cimentícias ou revestimentos que reduzem o custo de mão de obra. Essa informação ajuda a qualificar a obra e aumenta sua durabilidade”, explica.
Qualidade e mercado de materiais
Ao avaliar o setor, Eduardo destaca a importância de selos, certificações e responsabilidade ambiental das grandes indústrias. Ele cita lojas da região como Vilarejo, Bentec, Banho Quente e Anjo Decorações como exemplos de fornecedores que oferecem produtos de última geração.
“Cabe sempre ao cliente a decisão final, mas o arquiteto tem a responsabilidade de indicar materiais e fornecedores que garantam qualidade e segurança. Essa postura fortalece a relação de confiança e o resultado final do projeto.”
A entrevista com Eduardo Camillo mostra um arquiteto que alia técnica e sensibilidade, com foco absoluto em transformar sonhos em projetos viáveis e funcionais. Seu diferencial é a escuta atenta, que faz de cada obra uma experiência única e personalizada.

