sábado, março 7

Cada negócio tem uma origem única – marcada por sonhos, desafios, recomeços e conquistas. Em “Minha História Empreendedora” damos voz a quem transforma ideias em ação, compartilha aprendizados do dia a dia e inspira outros com sua trajetória. Aqui, empreendedores de diferentes setores e perfis contam como começaram, onde erraram e onde querem chegar. Se você acredita que toda a jornada merece ser contada, este é seu espaço.

Neste Minha História Empreendedora o jornalista Fernando Passeado, foi ao município de Rio das Ostras entrevistar Almerinda Sousa da Bentec Móveis Planejados.

Fernando Passeado – o que te encantou no mercado de móveis planejados? 

Almerinda Sousa –  Sem dúvida foi a possibilidade de transformar os ambientes, chegar em um lugar onde não havia perspectiva, sem uma orientação profissional e transformá-lo para que se tenha bem estar, funcionalidade, praticidade com um designer e moveis e decoração personalizadas e com qualidade. Isso me inspirava mesmo que o ambiente ainda estivesse em construção ou reforma.

FP – Como foi o seu primeiro contato com o mercado de móveis planejados?

AS – Foi em 1997, era professora, quando mesmo sem nenhuma experiência fui contratada com a proposta de aprendizado e lá fiquei por 10 anos, naquele tempo não havia sistemas computadorizados para criarmos os projetos, tudo era feito em papel vegetal, com escalímetro, muito diferente dos modernos softwares e os preços eram apresentados em tabelas módulo á módulo.

FP – Quem foi essa inspiradora?

AS- Não só inspiradora como me ensinou tudo, em uma época em que em que planejar móveis começava com a conciliação elétrica, paginação dos revestimentos, éramos um profissionais “faz tudo”, isso foi muito bom, pois aprendi muito sobre as obras e suas práticas mais diversas, como como colocar um granito de cozinha com segurança, precisão nos cortes e alturas para instalação, do forno , coifa, rebaixamento de teto e foram 10 anos de aprendizado , cuja gratidão está no DNA  da minha vida, pela generosidade de Fátima Comoda , que me deu a oportunidade de trabalhar e aprender com ela, uma verdadeira faculdade de conhecimento do negócio de  moveis planejados.

FP – Essas dificuldades daquela época em algum momento fizeram você pensar em desistir?

AS – Tive muitos obstáculos nessa jornada, como minha separação que foi muito traumática, e mais uma vez a Fátima foi mais que uma empresária, uma verdadeira minha amiga e em uma de suas conversas comigo disse: “Eu não tive nenhum estudo, mesmo assim aprendi e venci, você é professora e tem a obrigação de ir muito mais longe do que eu”. Isso foi determinante para [FP1] não desistir e abraço em frente.

FP – Como foi a decisão de sair para ter o próprio negócio?

AS – Fiquei grávida e resolvi dar atenção total a maternidade, fazia somente alguns trabalhos free lancer, isso durante 2 anos. Como já era conhecida pelo pessoal do comercial da Bentec, eles me convidaram para adquirir a concessão da loja de Rio das Ostras, havia deixado o negócio por má gestão. Investida de coragem e sempre lembrando da frase da Fátima, aceitei o desafio da Bentec, que era para reerguer a marca. Eles me concederam um bom parcelamento para que eu pagasse a concessão. O fato de eu já conhecer bem do negócio e também a marca pesou na negociação e bom saber que o capital não é tudo na hora de empreender.  

Almerinda Teixeira com o sócio e marido Marcos braz à frente de uma loja Bentec, das grandes marcas de móveis planejados do país.

FP – Qual foi a sua estratégia para a nova gestão da marca em Rio das Ostras?

AS –Meu marido Marcos Braz era coordenador de uma empresa em Cabo Frio por 19 anos e veio somar comigo, se tornando meu sócio e diretor de montagem e logística, garantindo o acompanhamento pessoalmente de cada atendimento.

FP – Qual o seu maior orgulho nessa trajetória empreendedora?

AS – O que mais me orgulha é o convívio das pessoas que estiveram ao nosso lado, da fé que nos orientou, nos moveu e nos impulsiona sempre para frente, muitas pessoas nos ajudaram, me recordo que uma de nossas colaboradoras morava em Arraial do Cabo e chegava cedo e voltava todos os dias as 22h, isso com uma criança de 2 anos. Em síntese o maior orgulho é ter vencido os obstáculos, o que valeu a pena todos os sacrifícios.  

FP – Qual o paralelo entre a aprendiz e hoje a empresaria reconhecida e respeitada no mercado?

AS — Olha Fernando, penso que é muito importante nos lembrarmos de onde viemos e como fui tratada, por isso hoje quando admito alguém em nossa empresa, busco oferecer conhecimento, ter paciência para esperar o desenvolvimento desse colaborador. Vim de uma família simples mas que não tinha vergonha de trabalhar, como empreendedora sei que posso fazer diferença na vida das pessoas, não abro mão disso. Tanto o sucesso quanto o fracasso, são perigosos para nossa vida, é preciso saber conviver com ambos.      

FP – Quais valores que você adquiriu nesta caminhada?

AS – Não tenho dúvida que o maior valor é a fé acompanhados da honestidade como princípio de vida , ter empatia e estar sempre no lugar de seus colaboradores e clientes , para entender melhor suas necessidades ou seja ouvir mais para errar menos, ter gratidão aos a quem produz os nossos móveis em quem podemos confiar em todas as fazes de fabricação, com cuidado ambiental, e a saúde de quem adquiri nossos planejados carregados de arte e qualidade que Bentec e sua longa tradição oferece ao mercado brasileiro.  

FP – E o futuro?

AS – Olhar sempre focado em nossos clientes, entender e realizar seus anseios, dentro desta premissa vamos ampliando nossa carteira de clientes em Rio das Ostras e mirando abrir uma nova loja em uma cidade daqui da região, já que hoje atendemos a muitos municípios. Macaé por exemplo é uma possibilidade.  O que dificulta a expansão hoje em qualquer negócio é que temos uma carga tributária draconiana, que desestímulo o investimento com o credito alto tanto para nos empreendedores quanto para os consumidores, isso acontece em todas as esferas de governo, isso não ajuda a geração de novos empregos, mas precisamos todos nos unir contra esse comportamento. 

FP – O que você diria as mulheres para se tornarem empreendedoras?

AS – Buscar conhecer sobre gestão de negócios, pesquisar sobre as oportunidades de mercado, acreditar em si mesma, existe entidades que podem e muito colaborar para orientar e promover a abertura de um negócio, como o Sebrae por exemplo, hoje temos muitos cursos online, feiras de franquias.  Aqui em nosso município temos exemplos de centenas de mulheres empreendedoras entre elas a Monique da Vilarejo referência no país, não há conheço pessoalmente mas a admiro muito. Temos que lutar ainda contra o preconceito, somos super mulheres sendo esposas, mães, filhas e administramos também as tarefas da casa, isso não nos desqualifica ao contrário, somos multitarefas, o importante é administrar isso com amor e sabedoria!


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