Desaceleração no curto prazo
O portal Economia & Negócios vem acompanhando os dados do IBGE que apontam no trimestre de 2025, uma forte desaceleração frente ao 1,4% registrado no primeiro trimestre. Analistas destacam que esse resultado, embora ligeiramente acima da mediana das expectativas (0,3%), confirma a perda de fôlego da economia.

A elevação da taxa Selic, mantida em 15% ao ano até o fim de 2025, continua pressionando setores sensíveis ao crédito, como indústria e serviços, além disso, o investimento produtivo já mostrou sinais de fraqueza: no segundo trimestre, a formação bruta de capital fixo recuou 2,2% em relação ao trimestre anterior, apesar de ainda estar acima do nível observado um ano antes. Essa retração amplia os riscos para o crescimento sustentável.
Perspectivas para 2025 e 2026
As projeções para o PIB dos próximos anos variam conforme cesta de informações da mídia e órgãos especializados:
Focus (mercado financeiro): prevê 2,19% para 2025 e 1,87% para 2026
Ipea: mantém 2,4% para 2025 e projeta 1,8% para 2026, destacando o crescimento firme da agropecuária (até 8,8%), serviços (1,9% em 2025 e 1,7% em 2026) e previsão de retomada do investimento (3,4% em 2025 e 2% em 2026)
Moody’s: projeta inflação estável, com PIB crescendo 2,0% em ambos os anos
Opep: mantém estimativas de 2,3% em 2025 e 2,5% em 2026, mas alerta para riscos relacionados a tarifas comerciais, especialmente se não houver acordo com os EUA
Governo federal ajustou projeção de PIB para 2,4% em 2025, e manteve 2,5% em 2026, mas revisou para cima a estimativa de inflação
Em síntese: os consensos variam entre 1,8% a 2,5% para 2026, com a maioria das projeções apontando para rendimento abaixo de 2% — um cenário de crescimento modesto.
Fatores estruturais e incertezas em jogo
Política monetária: a Selic alta mantém o custo do crédito elevado, prejudicando investimentos produtivos.
Política fiscal e orçamento 2026: o Orçamento projeta expansão de PIB de 2,44%, considerada “otimista” pela IFI, dado o cenário econômico mais frouxo Cenário externo: aumentos tarifários nos EUA representam ameaça ao agronegócio e exportações brasileiras; Opep alerta que isso pode reduzir PIB em até 0,4 ponto percentual .
Endividamento e regime fiscal: o novo arcabouço fiscal visa controlar a dívida pública, com expectativa de superávits primários (0,5% em 2025 e 1% do PIB em 2026), mas requer disciplina e pode limitar espaço orçamentário.
Setor produtivo: o plano Nova Indústria Brasil, ativo até 2026, busca restaurar a competitividade industrial, com foco em agroindústria, tecnologia, bioeconomia e infraestrutura.
O que esperar?
O Brasil enfrenta uma desaceleração econômica notável em 2025, com crescimento trimestral mais fraco, inflação ainda elevada e juros persistentes. Para 2026, o crescimento permanece modesto nas projeções da maioria dos analistas, variando entre 1,8% e 2,5%.
O horizonte até 2026 dependerá de fatores importantes como:
Flexibilização da política monetária;
Reequilíbrio fiscal e execução do orçamento;
Recuperação dos investimentos privados;
Resolução de tensões comerciais;
Avanços da política industrial e infraestruturais.
Se houver convergência positiva desses vetores, o Brasil pode conseguir superar o limiar médio dos 2%; do contrário, o crescimento continuará limitado, comprometendo a retomada plena.