sábado, março 7

De onde veio, para onde vai?

Olá, diletos comensais e amantes do imenso mundo vínico.

Para darmos início ao nosso mergulho na taça de vinho e em todo o seu entorno, trago para você leitor uma dúvida e reflexão que causa muitas incertezas, não só para os iniciantes, mas, também, para os já iniciados nesse vasto mundo do néctar:

Onde e quando surgiu o vinho?

Essa é uma pergunta que muitos já devem ter se deparado, e tenho certeza de que, igualmente, não chegaram a conclusões precisas.

Isso acontece devido ao fato de que realmente há poucos registros precisos sobre essa origem, da época, povos e regiões geográficas desde os primórdios até os dias atuais.

A tecnologia, o trabalho de pesquisadores e arqueólogos vão nos dando suporte e seguem montando um arcabouço valioso que nos permite chegar a algumas conclusões, a partir de eventos que conseguiram reunir: vestígios, objetos, hábitos e outros conteúdos que nos dão referências de que este precioso líquido vivo nasceu muito antes do que imaginamos.

O livro “A Incrível História do Vinho”, da autoria de Benoist Simmat & Daniel Casanave, conta os fascículos da história de uma forma divertida e em formato de “Leitura em quadrinhos”, e nos dá um GPS do espaço-tempo da trajetória. Aponta indícios do surgimento da cultura de vinho, sendo a pré-história o período de referência e marco da contagem inicial até os dias atuais, deixando evidências de que estamos falando de cerca de 10 mil anos …

Geograficamente, a “Viticultura nasceu no Oriente Médio, “os resquícios arqueológicos mais antigos que se tem notícia situam o surgimento na mesopotâmia e na Anatólia”, a Geórgia, Armenia e o Irã Atuais.”

“A vinha é uma planta de origem mediterrânea, incialmente em estado selvagem. A partir do momento em que o homem aprende a dominar a vinificação, ela se espalha progressivamente por todo o planeta, por todas as civilizações”.

Como se vê, no mesmo berço das primeiras civilizações, também nasceu a cultura vínica, apontado para o solo fértil situado entre o Cáucaso e a Mesopotâmia.

Inúmeras evidências vão construindo o entendimento de como o vinho vem sendo cultivado e cultuado, passando por diferentes hábitos, modos de consumos e de cultivo, até o formato que temos engarrafado.

Diversas passagens bíblicas fazem referências a existência do vinho.

Noé teve importante papel no desenvolvimento, tendo plantado videiras ao descer da arca.

Os Monges Cistercienses, conhecidos pelo domínio da agricultura, deram um contributo importante no cultivo e desenvolvimento, levando o domínio de suas técnicas a outros povos.

A igreja, em algum momento histórico assume papel no controle de vinhos.

Romanos tem sua valiosa contribuição, a exemplo de uma Região de característica única que é o Douro vinhateiro. O sistema de implantação das vinhas em socalcos xistosos usados pelos Romanos são os mesmos até hoje, o que deu origem a uma região preservada e elevada a categoria de patrimônio mundial e imaterial da Unesco.

Curiosidade:

“No Douro Património Mundial da UNESCO foram plantados e reconvertidos cerca de 19 mil hectares de vinha, na última década, num investimento de 300 milhões euros, segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

A CCDR-N, gestora do Alto Douro Vinhateiro (ADV), refere, em comunicado, que este território tem mantido, na última década, uma “forte dinâmica na plantação e reconversão da vinha em socalcos, um dos traços mais identitário” Fonte: Diário Tras Os montes, de 23/03/2020.

Para nossa sorte, o vinho sobreviveu nesse interregno, nos permitindo sorver toda a experiência sensorial contida em cada gole. Um elemento vivo em contínuo movimento, que emprega forte significado na economia mundial e na cultura dos povos, até mesmo sendo considerados em alguns países como alimento.

Regiões originárias se expandiram, e há quem diga que futuramente o vinho será plantado em todos os territórios, alimentando cada povo. Surgirão novos “terroirs”, a exemplo da Ásia, que vem forte e velozmente crescendo na produção e consumo, ocupando expressiva fatia na economia mundial do segmento.

Viticultores do mundo inteiro, de regiões já consagradas, e de mercados emergentes de produção e consumo, buscam cada vez mais ocupar um espaço na mesa do consumidor.

Como vimos, o mercado de vinhos é bastante dinâmico, tem espaço para crescer, embora alguns sustentem estar acontecendo uma mudança de hábitos de novas gerações, até mesmo sustentando o não consumo do álcool.

Mas, como o mundo é cíclico, os produtores estão atentos às mudanças mercadológicas e vão se adaptando para acompanhar. Fala-se em produtos com menos química, mínima intervenção, respeito ao meio ambiente, práticas sustentáveis, vinhos naturais, biodinâmicos, Veganos, e muitas outras classificações.

Recentemente li que pesquisadores já estão investindo em vinhos sem álcool. Essa questão envolve algumas regras, pois há países que tem legislações que definem quais características devem conter o produto para ser reconhecido e definido como vinho, e, uma dessas principais características por definição legal, a exemplo do Brasil, é:

“Vinho é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto simples de uva sã, fresca e madura. A denominação “vinho” é exclusiva para produtos derivados da uva e não pode ser utilizada para bebidas feitas de outras matérias-primas.” Lei 7678/1988, artigo 3º.

Então, por definição legal, alguns críticos sustentam que produtos já existentes no mercado não podem ser classificados como vinho, por ser compostos de açúcares e aromas não decorrentes do processo de fermentação.

Preocupados com os entraves legais que restringem a classificação dos vinhos, e as tendências de consumo, recentemente pesquisadores estão fazendo o processo reverso, após a fermentação, para zerar o álcool decorrente da fermentação. 

“para reduzir ou remover o álcool do vinho após a fermentação, os produtores têm explorado métodos como a osmose reversa e a destilação a vácuo. A osmose reversa separa o álcool e a água do vinho através de filtração, e o álcool é então removido, enquanto a água é devolvida ao vinho. A destilação a vácuo, por sua vez, reduz a pressão sobre o vinho, permitindo que o álcool evapore a uma temperatura mais baixa, preservando os aromas e sabores.” Fonte: Winepedia – 04/08/21.

Discussões à parte, o que verdadeiramente importa a saber é como chegaremos a mais 10 mil anos preservando a cultura e consumo do vinho?

O que realmente fará diferença entre o produtor e o consumidor?

Fica a reflexão.

Agora que você já sabe a origem do vinho, nos vemos na próxima!

Saúde!

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Alexandre Ferreira

Founder na Farinatta Wine Store

Curador de vinhos

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