domingo , 21 julho 2019
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Projeto Grael, tem ex-alunos disputando o Brasileiro ABVO de Veleiros de Oceano Aretê em Búzios


Samuel Albrecht machucou o dedo no Princesa Sofia, na Espanha, e só poderá voltar a competir em maio

Fotos: Samuel e Lars Grael durante Campeonato Europeu Classe Star em 2018 / Gilcimar no veleiro Crédito: Sven Jurgensen e Divulgação

Começa nesta quinta-feira, no Hotel Aretê, em Búzios (RJ), o Campeonato Brasileiro ABVO regras IRC e ORC. A competição terá regatas diárias previstas para início sempre às 12h até o sábado com possibilidade do uso do domingo, dia 21, caso necessário. O evento, organizado pela ABVO, tem o patrocínio master do Empreendimento Aretê contando com a estrutura da BR Marinas e do Hotel Aretê – Búzios, e o apoio do ICAB, da Ipanema Ventures, CBVela e Prefeitura de Búzios.

A competição terá a participação de oito atletas que surgiram do Projeto Grael, fundado em 1998 pelos medalhistas olímpicos Lars, Torben Grael/Marcelo Ferreira além do irmão Axel Grael, uma organização não – governamental (ONG) que tem como objetivo democratizar o acesso de jovens à prática do esporte da vela e, dessa forma, contribuir para a transformação social na vida dos seus beneficiados.O projeto fica na praia de Jurujuba, em Niterói (RJ) e a cada semestre recebe 350 alunos de 9 até 29 anos que são formados nos cursos e programas – gratuitos – de Desenvolvimento Esportivo (Natação, Vela e Canoagem), Oficinas Náuticas (Capotaria, Carpintaria, Fibra de Vidro, Mecânica de Motor Diesel, Mecânica de Motor de Popa, Instalações Eletro – Eletrônicas para Barcos). Além disso, a instituição também disponibiliza Biblioteca, aulas de Educação Ambiental e Inclusão Digital para todos os alunos e aulas de Marcenaria para crianças.

Ex-aluno do projeto Grael, Samuel Gonçalves fará parte do barco Fire & Forget, do Clube Naval de Charitas, comandado por Rafael Pariz, na disputa pelo título Brasileiro ABVO regras IRC e ORC: “É um barco da classe S40. Irei regular as velas e ajudar na tática do barco durante as regatas. Nesse tipo de barco velejei dois anos com o Torben Grael no S40 dele nos anos de 2009 e 2010. De lá até hoje velejei algumas vezes, mas o meu foco ficou na classe Star”, disse Samuel que é natural do bairro do Fonseca, em Niterói (RJ) e teve sua vida transformada pelo projeto o qual entrou em 2001 quando estudava na escola estadual Henrique Lage, no bairro do Barreto.

Além de aprender a velejar, Samuel concluiu faculdade de Desenho Industrial pela UERJ em 2011, passou para a Marinha do Brasil em 2017 onde é 2º Sargento, e atingiu grandes resultados como velejador profissional. Fez parte do time de quatro atletas do projeto Grael que compuseram barco vencedor da regata Cape Town – Rio – uma das mais difíceis do mundo saindo da Cidade do Cabo até o Rio de Janeiro em 2011. Ainda foi campeão Mundial l ao lado de Lars Grael da classe Star em 2015 ao lado do medalhista olímpico de Seul 1988 e Atlanta 1996. Esteve em campanha olímpica com Lars para Londres-2012 e ainda velaja com seu mentor por diversas categorias no país.

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“Sempre no início do semestre o projeto Grael ia nas escolas públicas de Niterói levando um barquinho como foi no caso da minha apresentando o esporte. Eu nem tinha noção que esse esporte existia. Eu e mais dois amigo gostamos, fomos autorizados pelos pais, fizemos nossa inscrição e foi paixão à primeira vista pelo barco, movimento das águas, vento empurrando o barco, contato com a natureza e daquele momento decidi que gostaria de seguir velejando pelo resto da vida, não sabia que iria viver disso”, conta Samuel que lembra das primeiras competições no esporte.

“Logo em 2002 o pai de uma das professoras tinha um barco no Clube de Charitas e precisavam de tripulantes para um evento. Eu e mais um amigo eramos os destaques e fomos indicados para participar do evento, eu e meu amigo fomos 3º lugar em nossa categoria e aí o universo passou a se ampliar. Pra quem nunca tinha ouvido falar do esporte, tudo mudou. Passamos a ampliar do projeto Grael, passei a ser monitor de aulas de um clube aos finais de semana. Passei os anos de 2003 e 2004 praticamente dentro do mar, nos dias de semana ia ao projeto Grael e aos finais de semana eu participava de competições e dar aula. Passei a participar de competições maiores. Sempre fui incentivado a estudar, fiz 2º Grau técnico em Máquinas Navais já voltado com mente marítima. Aproveitei minhas oportunidades e pensava que não poderia seguir dando despesa em casa, além de dar aula, fiz curso de arbitragem, passei a ser árbitro da Federação do Rio. Em 2007 fui convidado para completar o quadro de arbitragem de vela do Pan-Americano do Rio, uma emoção muito grande.”

Um dos auges da carreira foi uma das mais difíceis competições do mundo, a regata Cape Town-Rio onde velejou por 17 dias e conseguiu façanha que nem o medalhista de Ouro, Torben Grael, conquistou, a vitória na regata que o levou a voos mais altos em seguida: “Na época o projeto não era voltado para competição e mais social, marítima e havíamos sido convidados. Por esse quesito e pelo financeiro não conseguimos mandar um barco só de alunos e por isso conseguiram mandar só nós quatro que fomos selecionados. A organização conseguiu um patrocínio para enviar nós quatro para lá formando um time misto com quatro brasileiros e quatro sul-africanos. Fomos só para participar e acabou que após 17 dias no mar cruzamos em primeiro. Em mais de 40 anos de história fomos os primeiros brasileiros a vencer a regata. Nesse mesmo ano o Lars Grael desfez uma parceria e buscava um velejador de olho na Olimpíada, nós nos conhecíamos do projeto, ele me fez o convite para participar, três meses depois no fim do ano participamos da primeira competição, o estadual de Star, mostrou algo promissor pro futuro. Hoje represento o Brasil pela Marinha e o projeto Grael, levo ele como meu clube, velejo com o Lars em outras classes, fomos campeões mundiais em 2015 da Star”.

Além de Samuel, outro nome que estará presente no Campeonato Brasileiro ABVO regras IRC e ORC é Hallan Batista que competirá no barco Maximus além de Marlon Nascimento e Pedro Pacheco. Hallan, nascido em Maricá, mas que mora em Niterói desde pequeno, morava na comunidade do Preventório e estudava na escola estadual Fernando Magalhães quando conheceu o projeto social e após evoluir no mesmo esteve no barco ao lado de Samuel conseguindo o feito inédito da Cape Town – Rio: “Foi muito emocionante poder concluir com o título em uma prova onde nenhum brasileiro tinha triunfado, melhor ainda após as sensações que tivemos, foram 17 dias no mar, passamos perrengue, ficamos um tempo sem água, o mais legal é o companheirismo dos tripulantes e o desafio que gerou diante das dificuldades e escassez que tivemos,” disse Hallan que hoje é profissional da vela, formado em Educação Física e além de ser Skipper do veleiro, possui botes no Clube Naval de Charitas que aluga para eventos. Ele espera um Brasileiro ABVO bem competitivo.

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“Teremos um barco competitivo com 11 tripulantes à bordo, esperamos um evento de alto nível, será um campeonato com gerenciamento o que resulta em uma competição de grande nível”, destacou. Irmão de Hallan, Renan Batista estará no veleiro Santa Fé.

Outros nomes oriundos do projeto Grael que irão competir na raia de Búzios são o Radson Sousa, Gilcimar Percílio de Almeida e Ronald. Radson e Ronald disputam pelo barco Zorro que é de São Paulo e Gilcimar Percílio de Almeida do barco Crioula, do Rio Grande do Sul. O projeto Grael foi fundamental na vida de Gilcimar que começou no projeto com 13 anos epor lá ficou até os 19. Ele morava em São Gonçalo no bairro do Sacramento e precisava pegar dois ônibus para chegar ao local do projeto.

“Estudava perto da minha casa no colégio Eliza Maria Dutra , colégio da rede pública. Pegava dois ônibus para ir para o projeto e dois para voltar para casa eram quase duas horas de viagem. Mais eu nunca desisti, mesmo com todas as dificuldades de dinheiro. Às vezes não dava tempo de almoçar para ir para o projeto e a única coisa que eu comia no dia era uma barra de cereal. O projeto sempre me apoiou em tudo. Tive algumas dificuldades por questão de saúde da minha mãe , que teve um câncer na cabeça. Teve vezes que eu saia do projeto e ia para o hospital visitá-la. O projeto Grael sempre foi meu porto seguro. Com 20 anos comecei a trabalhar na equipe Crioula que é onde eu me encontro hoje , trabalho como marinheiro e velejo profissionalmente. É uma equipe de alto nível com velejadores muito importantes e de alto nível. Velejadores olímpicos fazem parte da equipe que eu velejo. Graças ao projeto grael que me proporcionou este estilo de vida essa profissão que hoje eu sigo carreira. Venho participando de competições de alto nível, regatas no Caribe , na Espanha. Fomos campeões em janeiro no Uruguai na regata Rolex”.

Lars Grael, que competirá no Campeonato Brasileiro ABVO regras IRC e ORC, pelo barco Mahalo, comandado por Colin Gomm e Rircardo Silveira, destaca a importância do projeto e dos pupilos. Lars estará junto no Mahalo com Clínio de Freitas com o qual foi Bronze na Olimpíada de Seul em 1988. Além deste resultado, foi bronze em Atlanta 1996 com Kiko Pelicano: “O projeto Grael que desaguou em gerar o Instituto Rumo Naútico presidido atualmente pelo Comandante Monte da Marinha foi um sonho nosso por tentar deselitizar ou democratizar o acesso à vela até então rotulado como esporte de elite que como quase todos os esportes do Brasil a formação dos atletas se faz por clubes. A ideia era gerar oportunidade que numa cidade onde começou a vela no Brasil como Niterói (Iate Clube Brasileiro foi o primeiro clube de vela brasileiro, e concentram seis clubes de vela ativos), para nós pudessemos disponibilizar o esporte para jovens da rede de ensino público. Daí nasceu o projeto e depois ganhamos apoio do outro irmão Axel para educação ambiental, ensino técnico profissionalizante, temos base da Confederação Brasileira de Canoagem lá dentro. O projeto Grael foi a incubadora para vários outros projetos no Brasil como o Navegar, outras no Rio de Janeiro, Paraty. Nós acompanhamos, ajudamos na capacitação, virou uma célula reprodutora do conceito para o país”, disse Lars que recentemente anunciou sua aposentadoria de eventos internacionais.

Barco de Santos busca o Hexacampeonato. Barco gaúcho defende o título e tem competidor Olímpico que estará nos Jogos de Tóquio em 2020. Previsão de tempo bom para todos os dias de regata

O evento vem forte com pelo menos três barcos paulistas, o pentacampeão da classe IRC, o Rudá, de Santos (SP), Zorro e o Boto V, além de barcos do Espírito Santo, com o +Bravíssimo, do comandando Luciano Secchin, segundo lugar no geral da classe ORC em 2018, e Phanton of the Opera com Renato Avelar. O Rio Grande do Sul virá com pelo menos dois barcos, o Crioula 29, campeão da ORC ano passado do Brasileiro ABVO e Loyality 06, de Alexandre Leal.

O Crioula 29 defenderá o título e terá a presença de seu comandante, Samuel Albrecht, ajudando na parte técnica em Búzios em terra. Samuel é velejador olímpico, participou dos Jogos de Pequim em 2008 e na Rio 2016 e está classificado para velejar na classe Nacra 17 ao lado de Gabriela Nicolino nos Jogos de Tóquio em 2020. Ele acabou sofrendo um acidente durante o Pricensa Sofia em Mallorca, na Espanha, machucando um dedo da mão. Estará de volta as competições no mar somente na metade de maio: “Temos boas perspectivas. Somos competitivos e acredito que poderemos velejar bem limpo neste campeonato sendo um dos maiores barcos da flotilha. Também penso que as condições com onda podem nos ajudar”, disse Albrecht.

Até o momento são 23 barcos inscritos, sendo dois do Espírito Santo, dois do Rio Grande do Sul, três de São Paulo e o restante do Rio de Janeiro.

O Campeonato Brasileiro ABVO regras IRC e ORC, ainda tem inscrições abertas nas classes ORC (Offshore Racing Council) e IRC (International Rating Certificate). Elas podem ser feitas através do site da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, a ABVO – http://www.abvo.org.br/wp/wp-content/uploads/2019/02/Aviso-Regata-Brasileiro-IRC-ORC-Buzios_20-02-Draft-14.pdf ou no local do evento. Serão até cinco regatas para definir os campeões brasileiros de cada classe.

Ricardo Baggio, o Kadu, Membro do Comitê Organizador, destacou a boa previsão de tempo para os dias de regata: “A previsão indica que teremos tempo bom com boas condições de vento e mar, o que será de grande contribuição para termos regatas de alto nível”.

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:

17/04 – Quarta

Quarta 12h até 20h Inscrição, Confirmação da Inscrição, Pesagens tripulantes Secretaria do Campeonato no Hotel Aretê

20h – 20h Cocktail de Boas vindas – Hotel Aretê

18/04 – Quinta

12h – Regatas do dia

Após Regatas Feijoada e confraternização no Hotel Aretê

19/04 Sexta

12h Regatas do dia

Após Regatas Happy Hour com Buffet de massas – ICAB

20/04 Sábado

12h – Regatas do dia

19h – Cerimônia de Premiação – Hotel Aretê

21/04 Domingo

12h – Dia reserva para validar o campeonato caso não sejam corridas duas regatas até o dia 20/04

O Campeonato Brasileiro de Veleiros de Oceano regras IRC e ORC tem o patrocínio master do Empreendimento Aretê e conta com o apoio da BH Marinas, Ipanema Ventures, do Iate Clube Armação de Búzios, que tradicionalmente promove a Búzios Sailing Week na Semana Santa, a Prefeitura Municipal de Armação dos Búzios e Cervejaria Búzios. A realização é da Associação Brasileira de Veleiros do Oceano e tem a chancela da Confederação Brasileira de Vela, a CBVela.

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