segunda-feira , 28 setembro 2020
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Funcionários já começam a enfrentar a demissão no home office


Esta semana em entrevista ao Valor Econômico falou com Karim Parodi, da empresa Career Center que disse: Demitir de forma remota é “desafiador, cruel e solitário”, mas que empresa e precisou fazer o corte feito devido ao contexto do mercado, com a redução drástica de até 90% das operações aéreas.

A empresa disse que treinou gestores e liderança para realizar um desligamento “mais humano e acolhedor” e que dará suporte para recolocação. Karin Parodi, CEO do Career Center, avalia que essa crise “pegou todas as empresas de surpresa”, levando a situações como a demissão remota. “Nesse momento, qualquer profissional precisar estar preparado e fazendo seu melhor. A questão é que há variáveis que nós administramos em nossas carreiras, enquanto outras não temos controle. Essa é uma delas”, diz.

A legislação trabalhista não impede que uma demissão seja realizada de forma remota, segundo Dario Rabay, sócio do escritório Mattos Filho. “O ideal é fazer a dispensa presencial, comunicando de forma adequada, com cautela e respeito ao empregado. Mas, nessa época de calamidade pública e de distanciamento social, é possível fazer a dispensa por meio virtual”, afirma, citando que o ponto de atenção diz respeito ao exame demissional. “Não há disposição, nem na MP 927, de que esse exame possa ser feito de forma remota, por meio da telemedicina”. As empresas têm até dez dias para realizar exame após a rescisão do contrato.

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As variáveis que envolvem uma demissão remota não são padrões nessa crise. Segundo oito profissionais demitidos entrevistados, de várias empresas, os RHs estão decidindo como realizar a devolução de equipamentos, os exames demissionais e a entrega da carteira de trabalho. O perfil dos entrevistados é similar: entre 20 e 40 anos, ocupando funções com alta demanda no pré crise, na área de experiência do usuário (UX), mídia social e gerenciamento de produtos. Três estavam em período de experiência.

Para esses profissionais com habilidades digitais desenvolvidas, analisa Karin Parodi, a recolocação tende a ser mais rápida. “O que eles precisam agora é não deixar de fazer o networking no home office. Marque um café virtual com colegas, mostre que você está disponível. A rede de indicação é o que ainda te leva a um emprego em 80% dos casos”, diz.

O que tem ajudado nesse momento, segundo os profissionais ouvidos, é a rede de “apoio” criada por colegas e ex-colegas. “A minha chefe, que teve 80% de sua equipe cortada, publicou um post recomendando individualmente cada ex-liderado e o próprio CEO [Diego Gomes] iniciou a campanha #hirearocker”, diz Paulino Sulz, ex- especialista em branding da Rock Content. Ele diz que essa “rede” já o levou a realizar entrevistas em empresas do varejo e do setor alimentício.

Essa mesma rede também auxiliou Sara Martins, demitida por conta da crise a se recolocar na mesma posição e faixa salarial. A especialista em produto de 35 anos deixou no começo de março um emprego estável no Rio de Janeiro para trabalhar em Belo Horizonte. Veio antes do coronavírus ganhar status de pandemia e teve tempo de conhecer as pessoas no escritório. Quando estava há uma semana em home office, recebeu a notícia da demissão. Sem rede de contatos ou amigos na cidade, publicou sua história no LinkedIn. Em duas semanas, realizou cinco entrevistas e irá começar a trabalhar em um novo emprego, na semana que vem, de modo remoto.

Também por meio de recomendações no LinkedIn, ex e atuais funcionários da Gympass montaram uma rede de suporte. “O que me conforta é o apoio estou tendo, inclusive de colegas que nem conheci pessoalmente”, diz Giovanna Gaspari, que atua na área de experiência do usuário e deixou o Itaú em janeiro para seguir na Gympass, onde fez onboarding remoto.

Para Tais Targa, o profissional que busca recolocação pode aproveitar a quarentena para desenvolver novas habilidades, preparar um vídeo currículo e treinar para uma entrevista virtual. A consultora Karin Parodi diz que na hora de analisar uma proposta, o profissional não deve necessariamente aceitar um salário menor por conta da crise. “Tudo dependerá da pressão emocional e financeira dele. O que precisamos entender é que, muitas vezes, precisamos pagar um pedágio para retornar ao mercado na mesma posição”.

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