Segundo apurações jornalísticas ”a empresa ainda não formalizou os 298 fechamentos nem divulgou a lista das cidades afetadas. Quase 300 unidades estariam sendo encerradas; varejista reduz estrutura física enquanto vendas digitais avançam e despesas financeiras continuam pressionando os resultados
O Grupo Casas Bahia iniciou uma das etapas mais duras de sua reestruturação. Segundo apuração inicialmente publicada pelo Valor Econômico e confirmadapelo Investnews, 298 lojas estão em processo de encerramento — o equivalente a 28,7% dos 1.039 pontos mantidos pelo grupo no final de março.
A redução deve deixar a companhia com aproximadamente 740 lojas. A base inclui as bandeiras Casas Bahia e Ponto, mas ainda não foi informado quantas unidades de cada marca serão atingidas.
As demissões teriam começado na quinta-feira (13), com cerca de 600 desligamentos, e continuado nesta sexta-feira (14), com outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes. O total inicial, portanto, ficaria próximo de 1,9 mil trabalhadores, embora uma fonte ouvida pelos veículos estime que o número possa chegar a 3 mil.
Até o fechamento desta apuração, o Grupo Casas Bahia não havia confirmado oficialmente esses números nem divulgado a relação completa das lojas atingidas. A empresa também não anunciou falência ou um novo pedido de recuperação judicial.
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Prejuízo bilionário, apesar da melhora nas vendas
O caso da Casas Bahia apresenta uma contradição: a operação comercial registrou crescimento, mas o custo financeiro continua consumindo os resultados.
No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida cresceu 6,1%, alcançando R$ 7,4 bilhões. O Ebitda ajustado avançou 4,7%, para R$ 597 milhões, enquanto o fluxo de caixa livre somou R$ 851 milhões. Mesmo assim, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, pressionado por um resultado financeiro negativo de R$ 1,171 bilhão, conforme o balanço oficial do período.
Em 2025, o prejuízo contábil chegou a R$ 2,988 bilhões. Desse valor, R$ 1,45 bilhão correspondeu a um efeito tributário sem saída imediata de caixa. Mesmo desconsiderando esse item, o prejuízo ajustado foi de R$ 1,538 bilhão, segundo o relatório anual da companhia.
Digital cresce e lojas físicas perdem espaço
A mudança também reflete a transformação do comportamento do consumidor. No primeiro trimestre, o comércio eletrônico do grupo cresceu 14,6%, enquanto as vendas digitais de produtos próprios avançaram 27,4%. Nas lojas físicas, o volume bruto de vendas recuou 1,6%.
A companhia busca, portanto, operar com uma rede menor, concentrada nas unidades mais rentáveis, ampliando a participação do comércio eletrônico e reduzindo despesas com imóveis e pessoal.
Reestruturação começou em 2023
Em 2024, a Justiça homologou uma recuperação extrajudicial para alongar e reorganizar R$ 4,07 bilhões em dívidas financeiras do grupo. Diferentemente de uma recuperação judicial, o acordo foi negociado diretamente com os principais credores e homologado pelo Judiciário, conforme informou o Tribunal de Justiça de São Paulo.
Em agosto de 2025, a Mapa Capital converteu aproximadamente R$ 1,65 bilhão em debêntures em ações e passou a controlar 85,5% do capital da empresa. A operação reduziu o endividamento, mas não eliminou o desafio de recuperar a lucratividade, conforme o fato relevante divulgado ao mercado.
Impacto no Estado do Rio ainda é desconhecido
A companhia ainda não apresentou a distribuição dos fechamentos por estado e município. Por isso, não existe, até o momento, base segura para afirmar se as unidades de Macaé, Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes ou de outras cidades fluminenses serão atingidas, entretanto tivemos antes de publicarmos essa materia a confirmação do fechamento da loja no Shoping Plaza em Macaé.
O balanço oficial do segundo trimestre de 2026 foi remarcado para a noite desta sexta-feira (14), após o fechamento do mercado. A videoconferência com investidores está prevista para segunda-feira (17), segundo o calendário oficial de Relações com Investidores.
A situação é grave, mas precisa ser descrita corretamente: a Casas Bahia não encerrou suas atividades. A empresa tenta sobreviver com uma estrutura física significativamente menor, maior presença digital e redução de custos. O teste decisivo será transformar a melhora das vendas e da operação em geração permanente de caixa e, posteriormente, em lucro.

