quarta-feira, abril 29

Por Fernando Passeado – Portal Economia & Negócios

A situação da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), no trecho entre Mar do Norte e Macaé, atingiu um nível crítico que já ultrapassa o desconforto dos motoristas e passa a representar um entrave direto ao desenvolvimento econômico regional.

Apesar de estar integralmente no território de Rio das Ostras, a via funciona como corredor estratégico de ligação com Macaé — principal polo da indústria de óleo e gás da Bacia de Campos. O resultado é uma sobrecarga constante em uma estrutura que claramente não suporta mais o volume atual de tráfego.

Infraestrutura precária e risco crescente

A rodovia apresenta pista simples, ausência de acostamento adequado em vários pontos e asfalto visivelmente deteriorado, com buracos, remendos mal executados e trechos irregulares. Em horários de pico, o fluxo intenso de veículos leves, transporte de trabalhadores e caminhões pesados agrava ainda mais a situação.

O cenário é de:

  • Aumento significativo no risco de acidentes
  • Engarrafamentos frequentes
  • Desgaste acelerado de veículos
  • Tempo de deslocamento imprevisível

A precariedade da via compromete não apenas a mobilidade, mas também a segurança viária, transformando um trajeto essencial em um ponto crítico permanente.

Impacto direto na economia regional

O problema vai além da mobilidade urbana. A RJ-106 é uma artéria vital para o funcionamento econômico da região. Empresas que operam entre Rio das Ostras e Macaé — especialmente ligadas ao setor de energia — enfrentam:

  • Aumento de custos logísticos
  • Atrasos operacionais
  • Perda de produtividade
  • Dificuldade na atração de novos investimentos

Crescimento populacional sem planejamento viário

O crescimento acelerado de Rio das Ostras — um dos mais expressivos do estado nas últimas décadas — não foi acompanhado por investimentos proporcionais em infraestrutura viária. A RJ-106, que deveria ter sido ampliada ou duplicada, permanece praticamente inalterada, operando no limite há anos.

Esse descompasso evidencia um problema clássico de planejamento público: expansão urbana sem a devida antecipação de demanda logística.

O custo do descaso público

A ausência de intervenções estruturais mais robustas — como duplicação, recapeamento completo e melhorias de segurança — evidencia um quadro de negligência administrativa. A manutenção corretiva pontual não resolve o problema, apenas prolonga uma situação que se agrava a cada ano.

” É lamentavel que ao sairmos de casa para trabalhar tenhamos que enfrentar um transito caótico no trecho Mar do Norte até a divisa com Macaé e o mesmo quando retornamos. Enquanto Macaé evolui em todos os quesitos nossa cidade fica a merce de promessas dos nossos governantes e tenhamos que enfrentar esse caos no transito todos os dias, até quando isso vai continuar nos prejudicando, isso é uma desleixo total ” diz Flavio Vigineth Tiery, morador de Rio das Ostras.

O impacto é coletivo:

  • O trabalhador perde tempo e qualidade de vida
  • O empresário perde eficiência e competitividade
  • O poder público perde credibilidade

Um gargalo que trava o desenvolvimento

A situação da RJ-106 no trecho Mar do Norte–Macaé não é apenas um problema de infraestrutura — é um gargalo estrutural que limita o crescimento econômico da região.

Sem uma ação coordenada entre governo estadual e municipal, com investimentos consistentes e planejamento de longo prazo, a tendência é de agravamento do cenário, com reflexos diretos na economia da Costa do Sol.

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