Premiado fotógrafo fala sobre trajetória, projetos autorais, povos tradicionais, Búzios e o presente especial aos leitores do Portal Economia & Negócios
Por Fernando Passeado
Premiado em concursos nacionais e internacionais, com exposições no Brasil e no exterior, Eduardo Moreira construiu uma trajetória singular na fotografia. Radicado hoje em Armação dos Búzios, ele prefere se definir não como fotógrafo profissional, mas como alguém que vive a fotografia com disciplina, profundidade e paixão. A seguir, Eduardo fala sobre sua formação, sua relação com a imagem, projetos que marcaram sua carreira, as imersões culturais pelo Brasil e a iniciativa de compartilhar gratuitamente seu calendário autoral com os leitores do Portal Economia & Negócios.
Fernando Passeado – Como você se vê como fotógrafo profissional?
Eduardo Moreira – Eu não me considero um fotógrafo profissional. Gosto de dizer que sou um fotógrafo passional. Nunca vivi da fotografia. Ela entrou na minha vida depois que eu já estava aposentado da Anatel e da Telebrás. Minha formação sempre foi totalmente direcionada às ciências exatas, e a fotografia acabou surgindo como um complemento muito importante, que agregou sensibilidade, visão de mundo e também uma forma diferente — até mais cartesiana — de observar as coisas.
Naturalmente, começou como hobby. Fui me aprimorando, fazendo cursos, buscando crescer, melhorar equipamentos, treinar o olhar. Esse processo foi ampliando meus conhecimentos e aprofundando minha relação com a imagem.
Fernando Passeado – Então, volto a perguntar: isso não é profissionalismo?
Eduardo Moreira – Parece um paradoxo, mas o que vivo na fotografia não é exatamente uma atividade profissional porque eu não vivo dela, não tenho essa necessidade. Mas isso nunca me acomodou. Sempre levei a fotografia muito a sério e a pratico com paixão. Ela é um componente extremamente forte na minha vida.
Fernando Passeado – Quanto tempo tem essa trajetória e como ela se desenvolveu?
Eduardo Moreira – Já são cerca de 15 anos. Sempre busquei temas que despertassem meu interesse pessoal. Ao longo desse período, participei de muitas exposições individuais e coletivas, além de concursos nacionais e internacionais, que me proporcionaram vários prêmios e um grande aprendizado.
Fernando Passeado – Quais projetos mais traduzem sua emoção ao fotografar?
Eduardo Moreira – Preciso destacar dois momentos muito marcantes. O primeiro foi em 2013, quando fui morar nos Estados Unidos. Fiquei lá por mais de dois anos e meio e fotografei muito — muito mesmo. Foi um período extremamente produtivo.
Quando retornei ao Brasil, iniciei um novo projeto que considero fundamental na minha trajetória: Povos Tradicionais do Cerrado. Muitas pessoas pensam apenas em indígenas e quilombolas quando falamos de povos tradicionais, mas existem diversos outros. Aqui mesmo em Búzios, onde resido hoje, temos os caiçaras como exemplo.
O Cerrado, especificamente, é um bioma que muita gente vê como um “mato feio”, mas ele é um dos maiores do Brasil, maior até do que a Mata Atlântica. O problema é que nunca teve o mesmo charme promocional. Suas plantas e animais típicos vêm sendo ameaçados pela expansão da agricultura e da pecuária extensiva. Com isso, os povos tradicionais vão perdendo suas características e sua riqueza cultural.
Fernando Passeado – Você também esteve em Minas Gerais fotografando povos tradicionais?
Eduardo Moreira – Sim. Foram imersões muito importantes no norte de Minas Gerais. Fotografei os povos indígenas Xacriabás, que têm uma grande reserva, os geraizeiros, que vivem nas chapadas mineiras, e também os catingueiros, da região da Caatinga. Naturalmente, fotografei muitos quilombolas. Foram sete viagens no total. Infelizmente, no auge dessas imersões, veio a pandemia, e tive que interromper o projeto.
Fernando Passeado – Como surgiu a ideia de produzir calendários com suas fotografias?
Eduardo Moreira – Esse é um projeto que já está na 11ª edição. No início, os calendários eram produzidos com uma miscelânea das minhas fotos. A partir de 2022, passei a trabalhar com temas específicos. Já tivemos, por exemplo, Búzios e também portas e janelas — que me fascinam não pelas portas em si, mas pelas cores, texturas, linhas e detalhes do design.
Busco sempre o olhar fotográfico no detalhe, aquilo que inspirou o marceneiro ou o construtor. O curioso é que você pode colocar dez fotógrafos diante da mesma imagem e cada fotografia será completamente diferente. Por isso, a fotografia é uma peça única: ela diz respeito ao que existe dentro de você.
Fernando Passeado – Você poderia disponibilizar algumas fotos como um presente aos nossos leitores?
Eduardo Moreira – Eu acompanho o Portal Economia & Negócios diariamente e aprecio muito a linha editorial, as pautas relevantes, o estilo próprio e o compromisso com informação de qualidade, com isenção e transparência. Isso é extremamente saudável para o conhecimento.
Sim vou disponibilizar um VÍDEO de algumas fotos da minha trajetória
Esta entrevista integra a editoria de Entrevistas do Portal Economia & Negócios e reforça o compromisso do portal em valorizar trajetórias que unem cultura, sensibilidade, identidade e impacto social.





