sábado, março 7

Por Alexandre Ferreira – COLUNA 021 – 11/12/25

O vinho e a gastronomia entre tradição, inovação e negócios que fervilham …

Existem vários tipos de vinhos e que obedecem a critérios diferenciados de produção e guarda (tintos, brancos, espumantes, frizantes, champagnes, cavas, do Porto etc.)

Hoje vamos dedicar atenção ao vinho Rosé.

Um vinho de muita versatilidade -geralmente frescos e ligeiros -, propício à estação vindoura de verão. Serve como entrada, aperitivo, alguns pescados, ou mesmo só e apenas, uma boa companhia. Há também rosés mais estruturados que suportam pratos igualmente mais intensos.

Embora o brasileiro esteja começando a acostumar com os rosés, ainda não são tão habituais, mas o índice de consumo vem aumentando, ganhando boa fatia de mercado.

Diferentemente da Europa que já faz parte natural do hábito de consumo.

E, falar de Europa e vinhos rosés imediatamente nos remete ao “berço dos rosés, a Provence, na França.

Em que pese ser a região da Provence a que mais ganhou fama na produção de rosés, não podemos esquecer de falar do verdadeiro “Berço”, que a Cidade de Tavel.

“O Tavel é uma prestigiada denominação de origem (AOC) do Vale do Rhône, na França, conhecida por produzir exclusivamente vinhos rosados de alta qualidade, mais encorpados e estruturados do que os delicados rosés da Provence. A origem dos rosés, por sua vez, remonta à antiguidade.”

Tavel e a Origem dos Rosés

  • Tavel: Considerado o “rei dos rosés” e o primeiro rosé AOC da França (reconhecido em 1936), o Tavel destaca-se pela sua cor mais profunda (salmão a rubi), maior estrutura, corpo e potencial de envelhecimento. Seu processo de produção envolve uma maceração pelicular mais longa (de 12 a 72 horas) em comparação com outros rosés, extraindo mais cor, sabor, textura e taninos. Isso resulta em vinhos potentes, secos, com notas de frutas vermelhas maduras, especiarias e, por vezes, toques minerais e de garrigue (vegetação local). Foram os vinhos favoritos de figuras históricas como o rei francês Luís XIV e os papas de Avignon.
  • Origem dos Rosés: A história do vinho rosé é antiga, remontando a milhares de anos, com as primeiras práticas vinícolas dos gregos e fenícios no Mediterrâneo, por volta de 600 a.C.. Os vinhos produzidos nessa época eram naturalmente mais claros, devido a técnicas de vinificação primitivas que envolviam pouco contato com as cascas ou a diluição dos vinhos tintos com água. Estes vinhos rosados eram populares e considerados refinados na antiguidade, muito antes dos métodos modernos de produção de tinto e branco. A região de Provence, em particular, tornou-se um centro de produção desse estilo de vinho, status que mantém até hoje.

Fonte: site Vin-tavel

Em 1902, foi formado o “Syndicat des Propriétaires Viticulteurs de Tavel” (Sindicato dos Proprietários de Vinhedos de Tavel), que em 1926 estabeleceu limites para delimitar as terras destinadas à produção do vinho Tavel, concentrando-as essencialmente na comuna. Os solos de Tavel mostraram-se particularmente propícios para a produção de um vinho rosé de qualidade. Foi graças à forte vontade e obstinação dos viticultores e do Barão Le Roy que a AOC (Denominação de Origem Controlada) “Tavel” foi criada em 1936, tornando-se assim o primeiro vinho rosé AOC da França.

Algumas regiões importantes na produção de rosés:

País Região PrincipalCaracterísticas do RoséPrincipais Uvas
FrançaProvence (Côtes de Provence, Bandol etc.)Seco, muito pálido (salmão/pêssego), fresco, delicado, com notas cítricas e minerais.Grenache, Cinsault, Syrah, Mourvèdre
FrançaTavel (Vale do Rhône)Seco, encorpado, mais escuro, robusto, com notas de frutas vermelhas e especiarias.Grenache, Cinsault, Syrah, Clairette
FrançaLanguedoc-RoussillonVariado, de pálido e leve a mais frutado, frequentemente com boa relação custo-benefício.Grenache, Cinsault, Syrah, Carignan
EspanhaNavarraRosés vibrantes, frutados, com boa acidez e cor intensa (fúcsia ou cereja).Garnacha (Grenache), Tempranillo
EspanhaRiojaSeco, muitas vezes com notas de frutas vermelhas e algum envelhecimento em carvalho.Tempranillo, Garnacha
PortugalVinho VerdeLeve, fresco, jovem, com leve efervescência e baixo teor alcoólico.Vinhão, Espadeiro, Touriga Nacional
PortugalDouroEncorpado, frutado, com estrutura, por vezes fermentado em barrica.Touriga Nacional, Touriga Francesa
ItáliaAbruzzo (Cerasuolo d’Abruzzo)Cor cereja intensa, encorpado, com notas de frutas vermelhas maduras e especiarias.Montepulciano d’Abruzzo
ItáliaLombardia/Vêneto (Chiaretto)Leve, fresco e delicado, com notas florais e minerais, produzido próximo ao Lago de Garda.Rondinella, Corvina, Molinara

COMO É O PROCESSO DE PRODUÇÃO?

Fato curioso é que, apesar da coloração, os rosés são feitos basicamente a partir de uvas tintas. À exceção fica por conta de alguns rótulos elaborados a partir de cortes de uvas tintas e brancas, método muito utilizado para espumantes, que na maioria, usam Pinot Noir e Chardonnay na composição. Entenda:

O vinho rosé é produzido a partir de uvas tintas, mas a sua cor característica deve-se ao curto período de contato do suco (mosto) com as cascas. O processo de vinificação continua como se fosse um vinho branco, após a remoção das cascas. 

O inverso ocorre com vinhos laranjas. Produzidos a partir de uvas brancas, seguindo o mesmo processo de produzir tintos.

Existem três métodos principais para a elaboração do vinho rosé: 

1. Maceração Curta 

Este é o método mais comum e considerado o mais nobre para a produção de rosés de alta qualidade.

  • As uvas tintas são colhidas, desengaçadas e levemente esmagadas.
  • O mosto (suco) permanece em contato com as cascas por um período muito curto, geralmente de 2 a 20 horas, ou no máximo até 48 horas.
  • Quanto mais tempo o contato, mais intensa será a cor do vinho final. Quando a tonalidade desejada é alcançada, as cascas são separadas do suco, e a fermentação alcoólica prossegue sem elas, em tanques separados. O produtor quem vai definir o perfil desejado, associado aos tipos uvas escolhidas.

2. Método de Sangria (Saignée)

Neste método, a produção do rosé é, na verdade, um subproduto da produção de vinho tinto. 

  • O processo inicia-se como na produção de um vinho tinto, com o mosto e as cascas fermentando juntos.
  • Logo no início da fermentação, uma parte do suco (cerca de 10%) é “sangrada” ou retirada do tanque original para outro recipiente.
  • Esse líquido retirado, já com uma leve coloração rosada, é fermentado separadamente para produzir o vinho rosé. O líquido restante no primeiro tanque continua o processo para produzir um vinho tinto mais concentrado. 

3. Método de Corte (ou Mistura)

Este método consiste em misturar vinhos tintos e brancos já prontos para criar um vinho rosé. 

  • É o método menos comum para vinhos rosés tranquilos (não espumantes) devido a restrições em muitas regiões vinícolas.
  • Na França, por exemplo, essa prática é geralmente permitida apenas para a produção de Champagnes e outros vinhos espumantes rosés. 

4. ”Descoloração: Outro método de produção de vinho rosé é “descolorir” um vinho tinto usando carvão absorvente, como carvão ativado. Embora possa ser usado para descolorir um vinho, raramente é usado em rosés de qualidade, pois pode retirar outros elementos dos vinhos.” Fonte método 4: site vinocult

Independentemente do método, o resultado é um vinho fresco, leve e versátil, ideal para ser servido gelado, entre 7°C e 10°C. 

Breve Nota Histórica: Muitos dos primeiros vinhos tintos tinham uma cor mais próxima do rosé moderno, já que muitas das primeiras técnicas de vinificação envolviam a prensagem logo após a colheita, com pouco tempo de maceração, ou seja, pouco tempo de contato com as cascas, gerando vinhos com pouca pigmentação. Os antigos enólogos romanos e gregos preferiam vinhos com pouca cor, sem muito contato com as cascas. Tal “preferência” continuou na Idade Média, e até pouco depois quando os clarets de Bordeaux ganharam o mundo, em especial a Inglaterra (os vin d’une nuit ou “vinhos de uma noite”), época que vinhos tintos (com mais contato com as cascas) eram considerados de menor qualidade.

Principais Uvas: Carignan; Cinsault; Grenache; Malbec; Merlot; Mourvèdre; Pinot Noir; Sangiovese; Syrah; Tempranillo, Cabernet (Sauvignon e Franc); Touriga Nacional; Sangiovese, Zinfandel etc.

As cores: a paleta de cores dos vinhos rosés depende da variedade de uva e do método de elaboração usado (inclusive o eventual tempo de contato/maceração do suco com as cascas). Variam da “casca de cebola” ou rosa pálido, até o rosa mais forte ou púrpura. O Conseil Interprofessionnel des Vins de Provence lista as seguintes cores: melão Cantaloupe, pêssego, groselha, toranja/pomelo, manga e tangerina.”

Fonte: site Vinocult

ALGUNS PRODUTORES DE DESTAQUE. TAVEL X PROVENCE:

RegiãoProdutor/VinhoPrêmios de Destaque e ReconhecimentoNotas de Críticos (Exemplo de pontuação média/alta)
ProvenceChâteau Cavalier MarafianceVencedor de “Best in Show” no DWWA 2025, o maior concurso do mundo.97/100 (Decanter 2025)
ProvenceChâteau d’Esclans Whispering AngelConsiderado uma referência global para o rosé de Provence, sempre muito aclamado em revistas especializadas.90-92/100 (Wine Spectator/Enthusiast, safras recentes)
TavelChâteau d’Aqueria Tavel RoséUm produtor icônico de Tavel, consistentemente bem avaliado e adquirido recentemente pela prestigiada Guigal.90/100 (Críticos diversos)
ProvenceChâteau Miraval RoséPopularidade global e reconhecimento de qualidade consistente por críticos, ganhando múltiplos prêmios.90-91/100 (Wine Spectator, safras recentes)
TavelDomaine de la Mordorée Tavel Cuvée de la Reine des BoisUm dos Tavels mais aclamados, conhecido pela complexidade e potencial de envelhecimento, frequentemente medalhado.91-93/100 (Robert Parker, safras excelentes)
ProvenceDomaines Ott Château de SelleUm “cru classé” lendário, sinônimo de luxo e qualidade superior em Provence, com inúmeros reconhecimentos.93/100 (Wine Spectator, safras recentes)
ProvenceChâteau de Berne Grande RécolteGanhador de medalha de ouro no Provence Wine Competition e altas notas em publicações.92/100 (Wine Enthusiast)
TavelE. Guigal Tavel RoséEmbora a propriedade seja recente, a reputação da Guigal garante um rosé de Tavel de alta qualidade e premiado.90/100 (Críticos diversos)
ProvenceMinuty 281Rosé de prestígio que recebe consistentemente altas pontuações e elogios por sua elegância e intensidade.92/100 (Decanter/IWSC, safras recentes)
ProvenceUltimate Provence UP RoséRecebeu pontuações excelentes em painéis de degustação e guias de vinho globais.94/100 (The Tasting Panel)

ROSÉS BRASILEIROS:

A REVOLUÇÃO TRANQUILA EM TONS DE ROSA



Longe de serem apenas vinhos de verão, os rosés tranquilos do Brasil conquistaram paladares exigentes e premiações internacionais.

Produzidos com uvas tintas de qualidade e técnicas precisas, eles revelam um potencial surpreendente em terroirs nacionais.

CONHEÇAM ALGUNS PRODUTORES NACIONAIS QUE GANHARAM DESTAQUES:

Produtor/VinhoRegião Principal de ProduçãoPrêmios de Destaque e ReconhecimentoNotas/Pontuações (Exemplo)
Vinícola Thera RoséSerra Catarinense (SC)Eleito “Melhor Vinho Rosé do Brasil” pelo Guia Adega em múltiplas edições.93/100 (Guia Adega 2025)
Essenza Shiraz RoséSerra da Mantiqueira (SP/MG)Eleito o 1º Melhor Rosé do Brasil no Wines of Brazil Awards, premiado internacionalmente.93/100 (WBA); 91/100 Prata (DWWA 2024)
Villa Francioni RoséSão Joaquim (SC)Frequentemente no topo dos rankings nacionais, como o “Top 10 Rosé Wines of Brazil Awards” de 2019.Alta pontuação em guias nacionais
Abreu Garcia Malbec RoséCampo Belo do Sul (SC)Vinho premiado em concursos nacionais, conhecido pela expressão do terroir de altitude.Destaque em concursos brasileiros
Vinhetica Terroir de RoséCampanha Gaúcha (RS)Reconhecido em premiações nacionais, como o Top 10 Rosé Wines of Brazil.Destaque em concursos brasileiros
Quinta da Neve Rosa da NeveSão Joaquim (SC)Um dos rosés pioneiros da altitude catarinense, com presença constante em listas de qualidade.Reconhecimento nacional
Cooperativa Garibaldi Prosecco RoséSerra Gaúcha (RS)Embora seja um espumante, recebeu um importante prêmio na Europa em 2020.Medalha em concurso europeu
San Severo Rosé SecoSerra Gaúcha (RS)Conquistou medalha de ouro em concursos, mostrando a força dos rosés secos da região.Medalha de ouro
Aurora Moscatel RoséSerra Gaúcha (RS)Premiado com “Grande Ouro” em concursos internacionais como o Bacchus na Espanha.Grande Ouro (Bacchus)
Ponto Nero RoséSerra Gaúcha (RS)Parte do grupo Famiglia Valduga, com reconhecimento pela qualidade de seus espumantes rosés.Reconhecimento em Vinalies Internationales

Nota: A maioria dos vinhos brasileiros de maior prestígio no cenário internacional são, na verdade, espumantes (como Cave Geisse e Aurora Moscatel Rosé), que frequentemente ganham as maiores medalhas e pontuações globais.

MERCADO EM CRESCIMENTO

O consumo de vinho rosé no Brasil tem apresentado um crescimento notável nos últimos anos, impulsionado por uma mudança nas preferências do consumidor e pela popularização da categoria. Dados reais de mercado confirmam essa tendência, embora as fontes foquem principalmente no crescimento percentual e na participação de mercado, em vez de volumes absolutos específicos para rótulos nacionais versus importados em um único quadro.

Veja em números:

Crescimento do Consumo de Vinho Rosé no Brasil (Dados Verificáveis)

Período Analisado Métrica de Crescimento do RoséContexto do MercadoFonte dos Dados e Referência
2010 a 2020A categoria de rosés cresceu 86% nos últimos três anos do período.Participação de mercado de rosés dobrou para 9% do mercado total de vinhos no Brasil.Exame, Guia GPHR, fontes de mercado e consultorias especializadas.
Ano de 2020Vendas de rosé tiveram alta de 35% em volume em relação ao ano anterior.O mercado geral de vinhos no Brasil cresceu 36% em 2020 (ano da pandemia).HubPME, Guia GPHR.
Ano de 2021Rosés continuaram crescendo 35%.Crescimento geral do mercado de vinhos foi mais moderado (+7%).LinkedIn, fontes do setor.
Tendência GeralAumento constante na preferência dos brasileiros.O consumo per capita de vinho no Brasil subiu de 1,8 litro (2019) para cerca de 2,7 litros (2022-2024), mostrando um mercado em expansão para todas as categorias, incluindo os nacionais rosés.Globo Rural, CNN Brasil.

Fontes Primárias e Secundárias Utilizadas:

  • Consultorias de Mercado (Wine Intelligence, bw166): Frequentemente citadas por publicações de negócios (Exame, GZH), fornecem a base para os dados de crescimento percentual do mercado de rosés.
  • Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e publicações do setor: Divulgam dados sobre o aumento do consumo per capita de vinho no Brasil.
  • Reportagens em Mídia Especializada: Veículos como CNN Brasil, Globo Rural e Guia GPHR publicam regularmente relatórios baseados em dados de importação, vendas e pesquisas de consumo (HubPME, CNN Brasil). 

CONCLUSÃO

Cada mergulho no mundo da taça vai despertando nossa curiosidade. Conhecemos regiões, história, produtores e produtos.

A época convida a experimentar um rosé, e a paleta elegante, mais ou menos intensa, nos dá uma direção de maior ou menor estrutura, assim como, a região e tipos das cepas utilizadas.

Sem dúvidas, o rosé é uma opção a incluir em nossa gama de experimentações.

Viva, um brinde …  e até a próxima semana!

Alexandre Ferreira

Editor da Coluna de vinhos e gastronomia “Borbulhas Quentes & Frescas” do portal Economia & Negócios; Founder na Farinatta Bistrô e Farinatta Wine Store; curador de vinhos.

Para Jantares no Farinatta: reservas@farinatta.com.br redes sociais: instagram: @farinattabistroearte YouTube: Farinatta loja de vinhos: Instagram: @farinattagrapeswinestore
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“Aprecie com moderação.” “Proibida venda e consumo a menores de 18 anos.” “Não dirija se beber.”

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