sábado, março 7

Subtítulo: Golpe cresce com o uso de deepfakes, falsas promessas de cura e anúncios disfarçados; Anvisa, plataformas e Conar têm papéis distintos, mas o consumidor precisa redobrar a atenção.

A proliferação de vídeos falsos nas redes sociais — muitos deles usando deepfakes, apresentadores falsos e depoimentos fabricados — impulsiona a venda de suplementos supostamente “milagrosos”, que prometem emagrecimento instantâneo, cura de doenças crônicas, rejuvenescimento e até aumento de performance sexual. O problema, além de enganoso, representa risco real à saúde e configura crime contra as relações de consumo.

PUBLICIDADE Q CLIQUE NA IMAGEM, SAIBA MAIS!

Nos últimos meses, especialistas têm alertado que esses vídeos, produzidos com alta tecnologia e impulsionados por publicidade oculta, exploram a confiança do público, especialmente idosos e consumidores vulneráveis.

O que há de irregular nesses produtos?

Grande parte dos suplementos vendidos por meio desses vídeos apresenta irregularidades graves:

1. Não possuem registro ou autorização da Anvisa

Suplementos só podem ser comercializados no Brasil se regularizados, com composição aprovada e dentro das normas de segurança. Quando não têm registro, são considerados produtos clandestinos.

2. Fórmulas desconhecidas e ingredientes proibidos

Muitos contêm substâncias não declaradas ou proibidas, como estimulantes, hormônios e compostos sem estudo clínico. Já houve casos de produtos com:

  • sibutramina disfarçada
  • anfetaminas
  • hormônios de crescimento
  • substâncias tóxicas de procedência desconhecida

3. Promessas terapêuticas ilegais

A legislação brasileira proíbe que suplementos prometam curar doenças, substituir tratamentos médicos ou apresentar efeitos “milagrosos”.

ANUNCIOS FALSOS

4. Uso indevido de imagem de médicos, celebridades e órgãos oficiais

Deepfakes frequentemente colocam palavras na boca de profissionais que jamais recomendaram tais produtos.

O papel da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária não fiscaliza diretamente as redes sociais, mas tem funções essenciais nesse cenário:

Regulação dos produtos de saúde

A Anvisa define o que pode ou não ser comercializado, fiscaliza laboratórios, exige estudos de composição e determina padrões de segurança.

PUBLICIDADE Q CLIQUE NA IMAGEM, SAIBA MAIS!

Ação contra produtos irregulares

Quando identifica ou recebe denúncias, a agência pode:

  • emitir alertas sanitários
  • determinar recolhimento nacional
  • acionar a Polícia Federal, Ministério Público e Vigilância Sanitária dos estados
  • bloquear importações
  • suspender registro de empresas envolvidas

Orientação ao consumidor

A Anvisa mantém canal aberto para denúncias e divulga listas de suplementos proibidos.

E quem deve fiscalizar os anúncios? O papel do Conar

O Conar — Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária — atua especificamente sobre a publicidade, incluindo:

  • anúncios enganosos
  • propaganda abusiva
  • falta de transparência (ads disfarçados)
  • uso indevido da imagem de pessoas públicas

Contudo, o Conar não pune empresas, apenas determina remoção ou alteração de peças publicitárias. Além disso, a adesão é voluntária e muitas empresas clandestinas simplesmente ignoram suas decisões.

Papel das plataformas digitais

Redes como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube são responsáveis por remover conteúdo que viole as regras de saúde e segurança do consumidor. Ainda assim:

  • golpes reaparecem com novos perfis;
  • algoritmos podem impulsionar conteúdo viral sem verificar autenticidade;
  • anúncios pagos compram alcance antes de serem bloqueados.

Como o consumidor pode se proteger?

1. Desconfie de promessas “milagrosas”

Se promete cura rápida, resultado imediato ou efeitos extraordinários, é fraude.

2. Pesquise no site da Anvisa

Todo suplemento regularizado tem número de registro.
Não encontrou? Não compre.

3. Verifique se o site ou empresa existe de verdade

A maioria dos golpistas usa:

  • páginas recém-criadas;
  • CNPJs falsos;
  • depoimentos fictícios;
  • fotos de banco de imagem.

4. Não compre produtos anunciados por “médicos” em vídeos suspeitos

Muitos dos depoimentos são deepfakes criados com IA.

5. Use sempre canais oficiais e farmácias licenciadas

Suplementos autorizados são vendidos em estabelecimentos regulares — não em links suspeitos ou páginas “sem endereço”.

6. Denuncie

  • À Anvisa
  • Ao Conar (se for anúncio publicitário)
  • Às plataformas
  • Ao Procon da sua cidade

Por que essas vendas são consideradas criminosas?

Porque atingem diretamente o direito à saúde e à informação, previstos no Código de Defesa do Consumidor. Entre os principais crimes:

  • propaganda enganosa (Art. 67)
  • crime contra a saúde pública (Art. 273 do Código Penal)
  • falsificação de medicamentos e suplementos
  • indução ao erro com impacto clínico

Os riscos vão desde efeitos colaterais severos até interações perigosas com medicamentos, podendo causar internações e até óbitos.

PUBLICIDADE / CLIQUE NA IMAGEM, SAIBA MAIS!

A explosão de vídeos falsos nas redes sociais representa uma ameaça crescente ao consumidor brasileiro. A atuação integrada de Anvisa, Conar, plataformas digitais e órgãos de defesa do consumidor é fundamental — mas, até lá, a melhor defesa é a informação.

O Portal Economia & Negócios reforça: suplementos não são ferramentas de cura milagrosa, e anúncios que prometem o impossível quase sempre escondem riscos graves.

Exit mobile version