Analista especialista em negócio também inclui assunção de R$ 6,5 bilhões em dívidas
A venda do Aeroporto Internacional de Confins (BH Airport) e de outras 16 operações aeroportuárias da Motiva (ex-CCR) para o grupo mexicano Aeropuerto de Cancún, subsidiária da Aeroportuario del Sureste (Asur), promete alterar de forma significativa o cenário logístico de Minas Gerais e de regiões que dependem do modal aéreo para compensar limitações de infraestrutura terrestre. A transação, concluída na última terça-feira (18), soma R$ 5 bilhões, além da assunção de R$ 6,5 bilhões em dívidas, e inclui terminais como o Aeroporto da Pampulha.

A negociação, já ventilada no início do mês pela Reuters, foi confirmada pela Motiva como parte de uma mudança estratégica que prevê a concentração dos negócios em concessões de rodovias e a simplificação de seu portfólio. A efetivação da venda ainda depende de aprovação da ANAC e de autoridades regulatórias no Brasil e no exterior. Segundo a agência de notícias, a Asur superou propostas da espanhola Aena e da argentina CAAP pelos ativos.
Para a especialista em negócios internacionais da Logical, Mariana Cazeiro, o impacto da operação vai muito além do setor aeroportuário e deve trazer efeitos práticos para o comércio exterior mineiro:

“O impacto no fluxo de cargas para essa região tende a ser muito valioso para os clientes locais. Minas Gerais está longe dos portos e enfrenta desafios logísticos severos. A malha ferroviária e rodoviária para estados do interior é muito carente, como vemos até em viagens de lazer, quando percebemos as condições das estradas. Essa realidade pesa sobretudo na exportação”, afirma.
Mariana destaca que Minas Gerais concentra polos automotivos e industriais importantes, como Fiat, Iveco, indústrias de tecnologia, móveis, confecção e mineração, que sofrem com os gargalos logísticos históricos.
“Para empresas que dependem de agilidade, o aéreo passa a ser uma alternativa estratégica. Com mais opções, a operação logística tende a baratear e ganhar eficiência. Isso agrega muito para exportação e importação, especialmente em um estado rico em minério, tecnologia e indústria diversificada”, explica.
A analista também ressalta que a entrada da Asur pode fortalecer a competividade logística do estado.

“Quando vemos uma notícia como essa, mesmo que seus efeitos plenos aconteçam mais adiante, até 2035, é realmente um sopro de esperança para quem trabalha vendendo frete e entregando soluções para clientes que enfrentam tantos desafios”, completou.
O Ministério de Portos e Aeroportos reforçou, em nota, que a chegada do grupo mexicano fortalece a relação comercial entre Brasil e México e pode impulsionar o turismo de negócios e lazer.



