Movimento antecipa possível aprovação do projeto de lei que libera farmácias dentro de supermercados e muda a dinâmica do setor
O Assaí Atacadista, uma das maiores redes de varejo alimentar do país, acaba de entrar oficialmente no mercado farmacêutico com a marca Mundo Saúde, projeto que coloca o grupo em uma rota direta de competição com grandes redes como Pague Menos, Raia Drogasil e Drogaria São Paulo.
A novidade chega em um momento estratégico: o Congresso ainda discute o projeto de lei que permite a instalação de farmácias dentro de supermercados, algo que pode redesenhar o varejo brasileiro. Enquanto a votação não acontece, o Assaí avança por conta própria com uma operação dedicada, iniciando em lojas selecionadas e ampliando sua presença no universo de medicamentos, higiene, beleza e bem-estar.
O que está por trás da decisão do Assaí
Segundo analistas do setor, a entrada do Assaí neste segmento dialoga diretamente com três forças econômicas:
1. Expansão da categoria de saúde e bem-estar
Nos últimos cinco anos, o setor de saúde, autocuidado e beleza cresceu acima da média do varejo alimentar. Produtos OTC (sem prescrição), vitaminas, dermocosméticos e itens de higiene se tornaram essenciais para o consumidor.

2. Aumento da competição por tíquete agregado
Supermercados vêm buscando formas de elevar o valor médio das compras. Uma drogaria interna ou integrada é vista como porta de entrada para compras complementares e fidelização.
3. Antecipação ao novo marco regulatório
Caso o projeto seja aprovado, redes de supermercados poderão abrigar farmácias completas, com venda ampliada de medicamentos. Estar preparado antes da mudança é uma vantagem competitiva.
Como funciona a Mundo Saúde
A nova operação do Assaí começa focada em:
- Medicamentos isentos de prescrição (MIPs)
- Vitaminas e suplementação
- Higiene pessoal
- Beleza e dermocosméticos
- Cuidados infantis
- Primeiros socorros
O modelo inicial não inclui, por enquanto, medicamentos controlados, até que o cenário regulatório evolua.
Para o Assaí, trata-se de um braço comercial com DNA próprio, mas fortemente integrado ao fluxo das lojas — aproveitando o grande volume de consumidores do atacarejo, especialmente microvarejistas, empresários e compradores familiares.

Impacto imediato no mercado farmacêutico
A chegada de um gigante como o Assaí tende a provocar ondas fortes no setor:
1. Pressão por preços mais baixos
O poder de compra do Assaí é massivo. Em muitos itens de higiene e MIPs, a rede já pratica preços mais agressivos que farmácias tradicionais.
O consumidor tende a ganhar com isso.
2. Concorrência com grandes redes de drogarias
Pague Menos, Raia Drogasil e DPSP enfrentam agora um novo tipo de adversário:
- lojas maiores
- fluxo de clientes naturalmente elevado
- ampla capacidade de negociação com fornecedores
3. Mudança no comportamento de compra
Com mais conveniência, o consumidor pode sair do modelo “farmácia como destino” para a compra integrada:
mercado + saúde + higiene + beleza em um único deslocamento.
4. Possível reorganização dos lojistas independentes
Drogarias de bairro — já pressionadas por custos — podem encontrar mais dificuldades para competir em preço.

E para o consumidor, o que muda?
A entrada do Assaí no mercado farmacêutico pode gerar uma série de impactos positivos:
✔ Preços mais acessíveis
A competição tende a puxar valores para baixo, especialmente em medicamentos de uso contínuo e itens de higiene.
✔ Mais opções de marcas
O atacarejo é conhecido por trabalhar com variedade ampla, incluindo marcas intermediárias e econômicas.
✔ Conveniência e tempo economizado
Fazer a compra do mês e repor medicamentos no mesmo lugar agrada famílias e pequenos comerciantes.
✔ Promoções mais agressivas
O setor de MIPs e autocuidado pode passar a ter campanhas semelhantes às realizadas em alimentos e bebidas.
Por outro lado, especialistas alertam que a concentração de mercado pode afetar drogarias menores, principalmente aquelas que dependem de fluxo local e não conseguem competir em preços de escala.
O que esperar daqui para frente
A decisão do Assaí indica um movimento nacional de transformação. Caso o projeto de lei seja aprovado, a tendência é que:
- supermercados criem áreas completas de farmácia
- novas marcas surjam
- redes de drogarias busquem fusões e aquisições
- o preço médio de medicamentos caia
- o consumidor ganhe em diversidade e acesso
O Brasil pode caminhar para um modelo similar ao dos EUA e Europa, onde supermercados, farmácias e lojas de conveniência disputam o mesmo espaço de autocuidado.
O Assaí, mais uma vez, sai na frente e se posiciona para ser protagonista desta nova realidade.



