Lula atinge sua melhor fase desde o início do Tracking Gerp, enquanto a direita se reorganiza e mantém a eleição completamente aberta
A 9ª rodada do Tracking Gerp – Eleições 2026 revela um tabuleiro político equilibrado e em constante movimento. A aprovação ao governo federal volta ao patamar de 37%, mesmo índice de janeiro de 2025, enquanto a desaprovação recua para 57%, refletindo leve melhora na percepção sobre políticas sociais.
A tendência sugere um momento de estabilidade e redução gradual do desgaste político, embora sem alteração significativa na polarização estrutural do eleitorado brasileiro. Avaliação de Governo e Desempenho Pessoal do Lula Segundo o levantamento, 31% dos brasileiros consideram o desempenho pessoal de Lula ótimo ou bom, 29% classificam como regular, 38% como ruim e 15% como péssimo — resultando em média ponderada de 2,57 pontos, numa escala de 1 (péssimo) a 5 (ótimo).
Esse contraste mostra que o desempenho pessoal de Lula ainda é percebido de forma mais positiva do que sua gestão global, sugerindo dissociação parcial entre imagem pessoal e avaliação administrativa. Quando comparado à gestão Bolsonaro, 38% afirmam que o governo Lula é melhor ou muito melhor que o de Jair Bolsonaro, enquanto 49% o consideram pior ou muito pior.
Lula ultrapassa Bolsonaro na espontânea em empate técnico com 1 ponto a menos do presidente à frente de Jair Bolsonaro na intenção de voto espontânea — 24% contra 23%, com Tarcísio de Freitas em 2%, Ciro Gomes e Michelle Bolsonaro abaixo desse patamar. A diferença, embora dentro da margem de erro, tem valor simbólico: indica reativação da lembrança eleitoral de Lula e um reequilíbrio entre os dois polos que estruturam a política nacional desde 2018.
Fragmentação da direita favorece Lula no 1º turno
Nos cenários estimulados de 1º turno, Lula mantém desempenho estável e perde apenas para Jair Bolsonaro. O presidente é beneficiado pela fragmentação do campo conservador entre Tarcísio de Freitas, Michele Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Romeu Zema — além da presença de Ciro Gomes no espaço de centro. Essa dispersão de candidaturas dificulta a concentração plena de votos à direita e amplia o espaço do lulismo entre eleitores moderados e independentes.
Cenários estimulados de 1º turno:
– Com Jair Bolsonaro: Bolsonaro 37% x Lula 31%; Ciro 5%; Caiado 3%; Zema 3%; Marçal 3%; Ratinho Jr 3%; Nenhum 7%; NS/NR 10%.
– Com Tarcísio de Freitas: Lula 27% x Tarcísio 23%; Marçal 8%; Ciro 7%; Ratinho Jr 5%; Zema 3%; Caiado 3%; Nenhum 11%; NS/NR 12%.
– Com Eduardo Bolsonaro: Lula 29% x Eduardo 19%; Marçal 7%; Ciro 7%; Ratinho Jr 7%; Zema 7%; Caiado 4%; Nenhum 11%; NS/NR 10%.
– Com Michelle Bolsonaro: Empate 28% x 28% entre Lula e Michelle; Ciro 8%; Ratinho Jr 5%; Zema 5%; Marçal 5%; Caiado 4%; Nenhum 8%; NS/NR 9%.
O movimento mais expressivo da rodada vem de Tarcísio de Freitas, cuja diferença para Lula caiu de 11 pontos (31% a 20%) na rodada anterior para apenas 4 pontos (27% a 23%). Esse avanço o coloca como o principal nome de crescimento dentro do campo conservador, com desempenho relevante no Sudeste (26%) e no Norte (30%). regiões que concentram quase 60% do eleitorado brasileiro.
Unificação da direita altera o cenário no 2º turno
A mesma fragmentação que favorece Lula no primeiro turno se converte em desvantagem quando há unificação do campo conservador no 2º turno.
Nesse contexto, Lula é superado por Bolsonaro, Tarcísio e Michele Bolsonaro; empata tecnicamente com Eduardo; e vence Caiado, Ratinho Jr., Zema e Ciro Gomes.
Cenários de 2º turno: • Lula perde: Bolsonaro 48% x 36%; Tarcísio 45% x 36%; Michele 48% x 36%. • Empata tecnicamente: Eduardo Bolsonaro 41% x 38% Lula.
– Lula vence: Zema 38% x 32%; Caiado 37% x 30%; Ratinho Jr 38% x 34%; Ciro Gomes 34% x 32%.
Regionalmente, os eleitores do Sudeste, Sul e Centro-Oeste consolidam o voto conservador no segundo turno, enquanto o Nordeste e parte do Norte sustentam a competitividade lulista.
A disputa no Sudeste — especialmente em São Paulo e Minas Gerais — tende a ser decisiva para o resultado final. Cenário acirrado e em constante movimento Os dados reforçam que o país caminha para uma das eleições mais disputadas desde a redemocratização.
O lulismo demonstra resiliência e capacidade de recomposição, enquanto a direita consolida múltiplas alternativas de liderança nacional. Com margens ainda não consolidadas e alto grau de volatilidade entre eleitores de centro, o cenário permanece aberto e em movimento.
A pesquisa é do tipo quantitativa, com 2.000 entrevistas telefônicas (sistema CATI) realizadas em todo o território nacional entre 29 de setembro e 6 de outubro de 2025. Os entrevistados foram selecionados por cotas de sexo, faixa etária e renda do chefe do domicílio, e os resultados foram ponderados por região e perfil sociodemográfico.
A margem de erro é de ±2,24 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. A amostra considera eleitores com 16 anos ou mais, distribuídos por região: Sudeste (43%), Nordeste (27%), Sul (14%), Norte (8%) e Centro-Oeste (7%).

