Moradores de diferentes cidades da Região dos Lagos têm manifestado crescente insatisfação com a qualidade da água fornecida pela concessionária Prolagos. O motivo das reclamações é o forte odor que, segundo relatos, lembra cheiro de mofo, o que tem gerado preocupação com a potabilidade do recurso e impacto direto na rotina das famílias e dos estabelecimentos comerciais.

“Não dá para beber nem cozinhar com essa água. O cheiro é muito forte, parece água parada”, relatou a moradora Maria Clara Silva, de São Pedro da Aldeia, que passou a comprar galões de água mineral para o consumo da família. Situação semelhante é vivida em Cabo Frio, Arraial do Cabo e Iguaba Grande, onde comerciantes e donos de restaurantes afirmam que o problema tem aumentado custos operacionais.
Possíveis causas técnicas
Especialistas em saneamento explicam que o odor pode estar relacionado à presença de compostos orgânicos liberados por microalgas, à formação de biofilme em tubulações ou mesmo ao excesso de cloro no processo de tratamento. “Embora nem sempre represente risco imediato à saúde, a presença de gosto e cheiro é um indicativo de falha operacional ou de contaminação da fonte”, explica o químico ambiental Ricardo Gomes.
Segundo a Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde, a água distribuída à população deve ser inodora, insípida e atender parâmetros físico-químicos e microbiológicos que garantam segurança ao consumo.
Posição da Prolagos
Procurada, a Prolagos informou, em nota, que realiza monitoramento contínuo da qualidade da água em diferentes pontos da rede de abastecimento e que os resultados laboratoriais estão dentro dos padrões exigidos pela legislação. A empresa reconhece que pode haver alteração no odor em determinados períodos, especialmente em função de fenômenos naturais, mas garante que a água distribuída é segura para o consumo.
A concessionária afirmou ainda que está investindo em melhorias no sistema de captação e tratamento para reduzir os efeitos percebidos pelos moradores.
Impactos sociais e econômicos
Enquanto aguardam soluções definitivas, famílias continuam recorrendo a filtros domésticos e água engarrafada, o que eleva os gastos mensais. O setor de bares e restaurantes também é afetado: “Além do custo com água mineral, existe a desconfiança dos clientes, que percebem o problema quando consomem bebidas e refeições preparadas com água da rede”, comentou o empresário Paulo Henrique Costa, dono de uma pousada em Cabo Frio.
Fiscalização e próximos passos
A questão já mobiliza órgãos de fiscalização. A Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do RJ) informou que acompanha as reclamações e poderá solicitar novos relatórios técnicos à concessionária. O Procon-RJ também orienta os consumidores a formalizarem queixas, reforçando que o abastecimento de água potável é um direito essencial.
Enquanto isso, cresce o questionamento da população sobre a responsabilidade da concessionária e o papel do poder público em garantir água de qualidade. Para os moradores, a expectativa é que as medidas anunciadas não fiquem apenas no papel e que a confiança no serviço prestado seja restabelecida.



