sábado, março 7

Durante muito tempo, acreditou-se que o ser humano só teria duas dentições ao longo da vida: os dentes de leite (decíduos) e os dentes permanentes. Uma vez perdidos os permanentes, a única alternativa seria a reposição por próteses ou implantes. No entanto, a ciência está começando a romper esse paradigma, e nascer novos dentes pode deixar de ser ficção científica nos próximos anos.

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A ciência por trás da “terceira dentição”

Pesquisadores, especialmente no Japão, vêm estudando como estimular o crescimento de novos dentes por meio de terapia genética e molecular. Um dos principais focos desses estudos é a inibição de proteínas específicas que bloqueiam o desenvolvimento dentário embrionário.

Um exemplo promissor vem da Universidade de Kyoto e do Instituto de Pesquisa Médica Kitano, onde cientistas desenvolveram um anticorpo que inibe a proteína USAG-1, responsável por suprimir o crescimento dentário. Em testes com animais, novos dentes começaram a se formar após o tratamento.

Em que estágio estão os estudos?

Atualmente:

Os testes pré-clínicos (em camundongos e furões) foram bem-sucedidos.

Ensaios clínicos com seres humanos começaram no Japão em 2024, com expectativa de resultados até 2025 ou 2026.

A terapia visa principalmente crianças com agenesia dentária congênita (condição rara onde alguns dentes nunca se formam), mas os cientistas acreditam que o método pode evoluir para atender adultos que perderam dentes por cáries, traumas ou doenças periodontais.

O que isso significa para o futuro?

Se os testes em humanos forem bem-sucedidos, poderemos ver tratamentos comerciais a partir da próxima década. Isso mudaria profundamente o mercado odontológico global, que movimenta bilhões de dólares anualmente com implantes, próteses e tratamentos restauradores.

Do ponto de vista econômico, o renascimento dentário biológico pode:

Reduzir custos com tratamentos complexos de reabilitação oral;

Aumentar a acessibilidade a soluções permanentes de reposição dentária;

Criar um novo nicho dentro da biotecnologia odontológica.

Por tanto a resposta é sim, existe a possibilidade real de nascer novos dentes em adultos — e isso está mais perto do que nunca. A ciência já deu os primeiros passos com sucesso, e a próxima etapa será provar a eficácia e segurança em humanos. Se isso acontecer, estamos diante de uma revolução na odontologia regenerativa.

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