Sistema de pagamentos em moeda chinesa elimina uso do dólar e promete agilizar transações comerciais entre os dois países.
Diante do aumento das tensões comerciais globais provocadas pelo “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o comércio entre Brasil e China recorre a um antigo aliado para ganhar agilidade e diminuir custos, o CIPS (China Interbank Payment System). O sistema é um meio de pagamento projetado para melhorar a eficiência das transações transfronteiriças em renminbi (RMB), também chamado de yuan. A medida reduz a dependência do dólar, já é um grande aliado das empresas brasileiras e ganha ainda mais protagonismo diante do cenário global.

Criado em 2015 pelo Banco Popular da China, o CIPS é uma plataforma de pagamentos transfronteiriços que processa e liquida operações em renminbi diretamente entre instituições financeiras credenciadas. Considerado uma alternativa ao sistema Swift, reúne atualmente mais de mil bancos em cerca de 100 países. O objetivo é apoiar a internacionalização do yuan e reduzir a dependência do dólar nas transações globais. Recentemente ganhou mais relevância diante de tensões comerciais, sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Rodrigo Giraldelli, especialista em importação e nas relações comerciais China/Brasil e CEO da China Gate, a mudança proporciona impactos positivos para empresas brasileiras.
“Ao negociar diretamente em real e yuan, as empresas ficam menos expostas às variações do dólar, que é uma moeda muito sensível a decisões políticas e econômicas dos Estados Unidos, como o tarifaço recente. Isso dá mais previsibilidade e segurança para planejar custos e preços.”
A primeira operação utilizando apenas real e yuan foi realizada no dia 25 de agosto de 2023 pelo sino-brasileiro Bank of Communications BBM (Bocom BBM), primeira instituição credenciada no Brasil a operar o CIPS. A operação foi intermediada pelo Banco da China no Brasil, que recebeu carta de crédito emitida pelo importador no país asiático.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a China é o maior parceiro comercial do Brasil pelo 15º ano consecutivo. Desde 2009, o país asiático multiplicou por cinco o valor de suas compras no Brasil. Apenas em 2024, foram importados mais de US$ 94 bilhões em mercadorias brasileiras.
“A China produz em grande escala, o que reduz custos, e vem investindo em qualidade e infraestrutura para aumentar a produtividade. Isso fortalece a relação comercial dos dois lados”, diz o especialista.
Dados do MDIC mostram que, em 2024, a China foi o principal destino das exportações de 14 estados brasileiros. Para Giraldelli, a tendência é que esse número cresça, impulsionado pelo aumento do consumo de produtos chineses no Brasil e pela melhora na qualidade dos itens.



